Ane O silêncio entre nós pesava mais do que qualquer ameaça. O ar parecia carregado de algo denso — raiva, desejo, frustração. Eu me sentia cercada, caçada, sufocada por um homem que não sabia amar, mas sabia muito bem como prender. Ele estava tão perto que eu podia sentir o calor do corpo dele colado ao meu. As palavras ainda ecoavam entre nós como uma sentença: “Vai ter que passar por mim.” Respirei fundo, tentando manter o controle, mesmo com as pernas fracas e o coração descompassado. Ele sabia o efeito que causava. E adorava cada segundo disso. Mas antes que eu pudesse reagir, ele deu mais um passo. Encostou o rosto no meu, sem me beijar. Apenas nos queimando no silêncio daquilo que não dizíamos. — O quarto de hóspedes será trancado a partir de hoje — ele disse, a voz baixa, rou

