Ane O portão se abriu com um ruído metálico e pesado, como se até o ferro soubesse o peso do momento. O segurança conduziu o carro pela longa entrada ladeada de ciprestes altos e silenciosos. A casa à frente era tão imponente quanto eu imaginava — toda em mármore cinza e branco, com colunas largas e janelas altas demais para permitir qualquer devassidão da rua. O carro parou. O motorista abriu a porta, mas eu permaneci sentada por alguns segundos. Minhas mãos suavam. Meus pensamentos gritavam. Era estranho estar ali — no lugar onde, em tese, meu sangue também corria pelos corredores, mas onde tudo parecia... alheio. Como se eu estivesse invadindo algo que jamais foi feito para mim. Desci. O vento frio cortou minha pele, mas não me fez recuar. Caminhei até a porta principal, ladeada por

