CHRISTOPHER Uckermann pov's
Ao acordar na manhã seguinte, eu lembrei de algo que eu não deveria ter esquecido: As malditas câmeras da oficina. O momento de excitação com Dulce foi tão intenso que eu m*l raciocinei direito. Assim que me dei conta do que havia feito, deixei meu café da manhã pela metade e me vesti às pressas, pronto para sair de casa e chegar ao trabalho antes que o meu pai.
Saí de moto e desrespeitei inúmeras leis de trânsito pelo caminho. Dulce surtaria se soubesse que estávamos sendo filmados e meu pai surtaria por eu ter transado na oficina. Ele sempre prezou muito o respeito a certos lugares, principalmente o local de trabalho.
Desci da minha moto e entrei às pressas, cumprimentando os funcionários rapidamente e apressando meus passos até o escritório do meu pai. Passei pela porta como um trator e parei bruscamente ao ver o meu pai sentado em sua cadeira, em frente ao computador com uma expressão de seriedade. Ele me olhou por cima dos óculos como se fosse me repreender.
— Chegou cedo, pai. — tentei agir naturalmente.
— Você também chegou cedo. — sua voz estava tão séria quanto a sua expressão.
— Eu resolvi começar logo o meu dia.
O silêncio pesou no ambiente e eu só desejava cavar um buraco e me enfiar nele. Meu pai não parava de me encarar como se fosse me dar uma surra e isso estava sendo bastante desconfortável.
— Fecha a porta. — mandou. Fiz o que ele disse e esperei. — Agora senta. — acenou com a cabeça em direção à cadeira em sua frente.
Fui até ela e me aconcheguei no estofado, tentando olhar para qualquer canto longe do rosto do meu pai.
— Me diga, Christopher, quantos anos você tem mesmo? — puro sarcasmo. — Você é um homem adulto, trabalha desde a adolescência e sabe o que quer da vida. Não está mais na fase de rebeldias, por mais que às vezes você quebre algumas regras. Pode quebrar as regras que quiser, mas não as minhas, ok?
— Eu sinto muito. — foi a única coisa que eu pude dizer.
— Eu apaguei a filmagem, o pessoal da segurança não vai ver a sua b***a branca, não se preocupe.
Quando ouvi ele dizer isso, uma risada escapou da minha garganta e eu engasguei ao tentar contê-la. Coloquei minha mão sobre a boca quando ele me olhou de relance com a testa levemente franzida.
— Você acha engraçado? E será que a morena também acharia graça se soubesse que você esqueceu das câmeras de segurança?
— Não. — respirei fundo, conseguindo conter o riso. — Quanto das filmagens você assistiu?
— Por que? Quer que eu dê uma nota para o seu desempenho? — agora ele estava brincando.
— Pelo amor de Deus, não! — ri de novo.
— Parei de ver depois que você colocou ela sobre o capô do carro.
— Ah, então você não viu nada. — falei despreocupado.
— Acredite ou não, assistir o meu filho transando não é uma das metas da minha vida. — foi sarcástico. — Era a psiquiatra?
— Sim. O carro dela quebrou aqui perto e eu ajudei a consertar.
— Qual é o nome dela?
— Eu não vou dizer.
— E por que não?
— Porque não envolvemos as nossas famílias no nosso acordo. Isso se resume a sexo, não vamos sair por aí falando um do outro para os nossos pais como se fosse uma coisa importante. — disse o óbvio.
Ouvimos algumas batidas na porta antes de ela ser aberta pela assistente do meu pai.
— Com licença, tem uma moça querendo falar com o Christopher, ela disse que se chama Dulce e que o assunto é urgente.
Eu e meu pai trocamos olhares e eu bufei quando ele começou a sorrir.
— Leve ela até o meu escritório, eu já estou indo.
— Ok. — saiu, fechando a porta atrás de si.
— Bom, você não precisou me dizer o nome dela. — meu pai disse.
— Só vai ter isso, Victor. — falei ao me levantar.
— É um começo.
[•••]
Quando entrei em meu escritório, Dulce estava em pé, olhando para as fotos nos quadros das paredes. Pigarreei chamando a sua atenção. Ela virou de frente para mim e sorriu de leve.
— Você tem muitos amigos. — apontou para as fotos às suas costas.
— É. Tenho. — me mantive perto da porta, sem me aproximar dela. — Olha, não é porque sabe onde eu trabalho que pode vir aqui.
— Relaxa, babaca. — revirou os olhos. — Eu não estou tentando me enfiar na sua vida, só vim aqui porque quero te pedir uma coisa.
— Prossiga.
— O aniversário da minha avó é semana que vem e esse é o evento mais importante da família, porque a minha avó é a pessoa mais importante da família, obviamente. A minha mãe sempre organiza e hoje ela se encontrou comigo pra me atualizar de algumas coisas. Enfim, conversa vai, conversa vem, eu acabei dizendo que estava namorando e que levaria o meu namorado para o aniversário. — à essa altura, Dulce já estava sorrindo de nervoso, esfregando suas mãos uma na outra.
— A resposta é não. — fui direto.
— Eu nem pedi nada ainda! — protestou.
— Mas você ia. E não, eu não vou fingir ser o seu namorado. Você enlouqueceu!?
— Mas...
— Regra número um, Dulce, regra número um!
— Tecnicamente, eu não quebrei a regra número um. Isso continua sendo só sexo para nós dois, eu não estou te pedindo em namoro, eu estou te pedindo para fingir.
— Não pode falar para as pessoas que nós estamos namorando, não pode!
— Eu sei, mas seria crucial que eu fosse acompanhada.
— Por favor, me explica porque é tão importante você desfilar na frente da sua família com um namorado. — eu estava puto e não queria esconder isso.
— A minha mãe não espera muitas coisas de mim. Claro que eu não posso ser boa em tudo, mas para ela eu deveria ser. Então sempre vai ter algum ponto que ela vai usar para me criticar e isso é muito irritante. A única coisa em que ela me critica atualmente é na minha vida amorosa e eu quero que isso acabe.
— Que tal se você dissesse isso para a sua mãe ao invés de me colocar um rótulo de namorado que eu não pedi?
— Eu já tentei dizer diversas vezes. Se você conhecesse a minha mãe, entenderia que diálogos não são o forte dela.
— Não sei onde isso é um problema meu.
— Olha, essa é uma maneira de agradar a minha mãe e no momento eu preciso que ela esteja bem satisfeita em relação à mim. Eu vou... Caramba, eu preciso quebrar mais regras e falar sobre a minha vida. — ela puxou uma cadeira e se sentou.
Fiquei quieto esperando que ela falasse. Gostando ou não da proposta que ela estava me fazendo, eu ainda era curioso sobre a vida dela e não perderia a chance de ouvir gratuitamente.
— Eu e o meu sócio montamos o consultório psiquiátrico onde nós fazemos consultas particulares. Acontece que ele vai mudar de estado e quer vender as ações dele para mim. Eu vou ser totalmente independente, vou ser a minha própria chefe, uma coisa que eu sempre almejei. Mas como a minha mãe tem problemas de confiança comigo, com toda certeza vai achar que eu vou acabar com a minha carreira porque não saberei administrar o consultório sozinha. — suspirou. — A novidade da minha vida amorosa a faria esquecer da minha vida profissional, entende?
— Bom, meus parabéns pela conquista profissional, mas eu vou ter que repetir que não sei onde isso é um problema meu.
— Ah, Christopher... — murmurou em tom de súplica. — Vamos, diga o que você quer em troca.
— Tudo o que eu quero de você já tenho de graça. — dei de ombros.
— Que droga. — suspirou impaciente.
— Dulce, você é uma mulher adulta, não depende da sua mãe para nada e não deveria se importar com o que ela pensa. Sou suspeito em dizer que a aprovação de uma mãe não é a coisa mais importante do mundo.
— Sim, vejo que você se desenvolveu muito bem carregando o trauma de ser largado pela sua mãe. — debochou, já ficando irritada.
Fiquei quieto a encarando. Ela estava quebrando regras demais e se continuasse a falar, eu ficaria mais puto.
— Vai embora. — falei.
— Que? — franziu a testa, mas logo relaxou, se dando conta de que sua última fala não foi nada legal. — Desculpa, Christopher. Eu não deveria usar os seus gatilhos contra você. Foi um ato falho.
— Você não conseguiu me convencer, então já pode ir embora. Aproveita e fala pra sua mãe que você estava mentindo quando disse que tinha um namorado.
— Eu posso dizer pra ela que a gente terminou porque você é um metido a machão, egocêntrico e i****a. — sorriu sarcasticamente, ficando de pé.
— Não vai dizer que eu sou babaca? — arqueei a sobrancelha.
Dulce revirou os olhos e passou por mim. Agarrei o braço dela e a coloquei contra a porta, depois lhe roubei um beijo, pressionando seus lábios nos meus. Ela não se moveu de início e apenas deixou que seus lábios recebessem os meus sem nenhuma objeção. Coloquei minhas mãos dentro de seu cabelo, tornando meus movimentos mais lentos, prestando atenção em cada centímetro e detalhe da boca dela. Não demorou até que ela cedesse e devolvesse o beijo, me abraçando daquele jeito que adorava fazer em todas as vezes.
Nos separamos ofegantes, mantendo apenas nossas testas coladas, nossas respirações se misturando.
— Você me irritou. — eu disse sem me afastar.
— Deu pra notar. — sorriu. — A gente deveria resolver esse problema. — colocou as mãos no interior da minha camisa, passando-as por meu tórax.
— Não. Aqui não. — segurei os pulsos dela e dei um passo para trás.
— Por que não? Fizemos isso aqui ontem.
— E foi um erro.
— Por que?
Eu me sentiria m*l se ela não soubesse, então resolvi agir com hombridade e ser sincero.
— Eu esqueci das câmeras de segurança.
— O que? — arregalou os olhos. — Nós fomos filmados? — aumentou o tom de voz.
— Sim, mas só o meu pai viu e ele não viu nada comprometedor. A filmagem foi apagada, não se preocupe.
— Como você esquece de uma coisa assim? — deu um tapa em meu ombro. — Eu estou me sentindo desrespeitada!
— Não exagere, não é como se eu tivesse feito de propósito, eu não sou um pervertido.
— Não importa, eu ainda me sinto violada e acho que você me deve uma agora.
— Não. — neguei com a cabeça enquanto ria. — Sei o que está fazendo.
— Eu prometo que esqueço o seu erro se me acompanhar no aniversário da minha avó e fingir que é meu namorado.
— Você é bem espertinha, mas isso não vai dar certo. — cruzei meus braços, decidido a não cair naquele joguinho.
— Se não fizer isso, eu vou ficar super chateada com você e vai ser muito difícil confiar em você de novo. — uma coisa eu tinha que admitir: Dulce era uma excelente atriz.
— Não.
— Eu não faço sexo com quem eu não confio. Se fizer esse sacrifício por mim, verei que está disposto a limpar a sua imagem e você vai ganhar pontos comigo.
— Vai me fazer sentir m*l pelas filmagens até quando puder, não vai? — suspirei, derrotado.
— Exatamente. — sorriu de lado.
— Ok. Mas é só um evento, não aceito ir a nenhum outro e não quero ver ninguém da sua família depois disso, com exceção da Maite.
— Tudo bem. Sem problemas. Eu não costumo sair muito com os outros parentes e posso sustentar a mentira sozinha até o próximo evento, quando eu contarei que cansei de você e te larguei.
— Não, você vai dizer que foi um término amigável para ambas as partes.
— Eu prefiro que eles achem que eu chutei a sua b***a.
— Tudo bem. Se as suas primas bonitas quiserem me consolar, pode passar o meu número. — brinquei.
— Babaca. — revirou os olhos. — Ok, mas a regra de não falarmos sobre nossas vidas não vai mais existir, porque para isso dar certo, nós precisamos conhecer um ao outro. Minha mãe vai nos encher de perguntas e ela é bem desconfiada.
— p**a que pariu. — resmunguei. — Eu já estou me arrependendo.
— Não é tão r**m assim, você não precisa fazer uma biografia da sua vida, eu só tenho que conhecer os seus gostos, hobby's e coisas do tipo. — deu de ombros.
— Eu posso mentir?
— Não. Isso precisa ser autêntico pra dar certo.
— Muito autêntico inventar um namorado para a sua mãe.
— Você vai adorar o jantar, não se preocupe. Só precisa de um tapinha no visual e nada mais.
— O que tem de errado com as minhas roupas? — dei uma olhada em mim mesmo.
— Calças jeans rasgadas, tênis surrado e jaqueta de couro não são a combinação perfeita para um evento Saviñon. — franziu a testa. — Eu adoro que se vista assim, mas a minha família vai te ver como um motoqueiro rebelde e possivelmente irresponsável.
— Mas é exatamente isso que eu sou. — falei o óbvio.
— Mas você também é um empresário bem sucedido, colecionar de carros vintage e amante de motos. Dessa parte eles vão gostar.
— Quanta frescura.
— Vamos jantar na minha casa hoje pra gente se conhecer melhor. E se te serve de incentivo, eu comprei uma lingerie de uma grife francesa super sexy e pretendo estrear hoje. — deu uma piscadela.
— Você sabe do que um homem gosta. — sorri.
— Sei do que um Uckermann gosta. — colocou a mão sobre a maçaneta da porta. — Agora eu vou embora antes que você mude de ideia.
Assenti e a observei enquanto ela saía mandando um beijinho no ar para mim antes de fechar a porta.
Eu não sabia porque diabos tinha aceitado fazer aquilo, com toda certeza seria horrível bancar o namorado de alguém e eu passaria a noite toda tentado a largar a Dulce sozinha e ir embora. Mas já que eu aceitei, teria que fazer esse sacrifício.