21° Capítulo: O Brilho e o Enjoo

518 Words
​Geovanna ​— E quem é esse cara, filha? — meu pai insistiu. — O dono do morro — respondi de uma vez. Meus pais se entreolharam, o choque estampado em seus rostos. — Olha, você pode até ter um relacionamento com ele, mas nada de morar lá — meu pai decretou. — E se ele realmente quiser que você mude para lá, ele que venha aqui pedir formalmente para a gente — minha mãe completou. ​Apenas assenti, sentindo uma pontada de dor de cabeça. — Vou subir, não estou me sentindo muito bem. ​Deitei e logo o celular tocou. Era o PG. ​📞 Ligação PG: Que voz é essa? Tá bem, morena? Geovanna: Só um pouco cansada. Falei com meus pais. PG: E o que eles disseram? Geovanna: Que podemos namorar, mas nada de eu morar aí por enquanto. PG: E se eu for falar com eles? Geovanna: Acho uma boa. Eles disseram que você tem que vir pedir. PG: Segunda-feira estou aí. Vai vir aqui hoje? Geovanna: Não sei, Matheus... não estou bem. PG: Por que você não vai ao médico? Já faz dias que você está assim. Geovanna: Segunda eu vou. PG: Quer que eu vá junto? Geovanna: Não precisa, cuida do morro. Eu dou conta. ​Domingo, 07:30 ​Acordei com o estômago revirando. Corri para o banheiro e coloquei tudo para fora. Lavei a boca, tomei um banho e tentei me concentrar: hoje era o dia da formatura. Mandei mensagem para a Luana e combinamos de ir ao salão ao meio-dia. ​Quando a Luana chegou em casa, eu ainda estava de bobeira. — Ainda não está pronta? — ela perguntou, indignada. Tentei levantar do sofá, mas a vista escureceu. — Você está bem? — ela me segurou rápido. — Estou... só uma tontura. Vou me trocar. ​No salão, passamos por uma transformação completa: penteado, unhas e uma make de parar o trânsito. Estávamos impecáveis. Colocamos nossos vestidos de formatura, subimos no meu carro e fomos para a cerimônia. ​Receber o certificado foi emocionante, mas meu corpo pedia cama. No baile da formatura, enquanto todos dançavam, eu m*l conseguia ficar de pé. — Vem dançar, amiga! — Luana me puxava. — Agora não, Lu, meus pés estão doendo. ​Fui ao banheiro duas vezes para vomitar. Às 2 da manhã, não aguentei mais. — Lu, vou embora. Avisa o PK para te buscar. ​Cheguei em casa, marquei um horário com o médico da família para às 7h da manhã e desabei no sono. ​Segunda-feira, 07:00 ​O Dr. Júlio me atendeu e, após ouvir meus sintomas, pediu um exame de sangue urgente. "Volte à tarde para o resultado", ele disse. Saí de lá e a saudade do PG falou mais alto. Fazia três dias que não sentia o beijo dele. ​Subi o morro, fiz o toque com o PK e fui direto para a sala do patrão. Assim que abri a porta, vi Matheus sentado, relaxado, fumando seu cigarro. O cheiro invadiu minhas narinas e, no mesmo segundo, meu estômago deu um nó insuportável.
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