Geovanna
— E quem é esse cara, filha? — meu pai insistiu.
— O dono do morro — respondi de uma vez. Meus pais se entreolharam, o choque estampado em seus rostos.
— Olha, você pode até ter um relacionamento com ele, mas nada de morar lá — meu pai decretou.
— E se ele realmente quiser que você mude para lá, ele que venha aqui pedir formalmente para a gente — minha mãe completou.
Apenas assenti, sentindo uma pontada de dor de cabeça.
— Vou subir, não estou me sentindo muito bem.
Deitei e logo o celular tocou. Era o PG.
📞 Ligação
PG: Que voz é essa? Tá bem, morena?
Geovanna: Só um pouco cansada. Falei com meus pais.
PG: E o que eles disseram?
Geovanna: Que podemos namorar, mas nada de eu morar aí por enquanto.
PG: E se eu for falar com eles?
Geovanna: Acho uma boa. Eles disseram que você tem que vir pedir.
PG: Segunda-feira estou aí. Vai vir aqui hoje?
Geovanna: Não sei, Matheus... não estou bem.
PG: Por que você não vai ao médico? Já faz dias que você está assim.
Geovanna: Segunda eu vou.
PG: Quer que eu vá junto?
Geovanna: Não precisa, cuida do morro. Eu dou conta.
Domingo, 07:30
Acordei com o estômago revirando. Corri para o banheiro e coloquei tudo para fora. Lavei a boca, tomei um banho e tentei me concentrar: hoje era o dia da formatura. Mandei mensagem para a Luana e combinamos de ir ao salão ao meio-dia.
Quando a Luana chegou em casa, eu ainda estava de bobeira.
— Ainda não está pronta? — ela perguntou, indignada.
Tentei levantar do sofá, mas a vista escureceu.
— Você está bem? — ela me segurou rápido.
— Estou... só uma tontura. Vou me trocar.
No salão, passamos por uma transformação completa: penteado, unhas e uma make de parar o trânsito. Estávamos impecáveis. Colocamos nossos vestidos de formatura, subimos no meu carro e fomos para a cerimônia.
Receber o certificado foi emocionante, mas meu corpo pedia cama. No baile da formatura, enquanto todos dançavam, eu m*l conseguia ficar de pé.
— Vem dançar, amiga! — Luana me puxava.
— Agora não, Lu, meus pés estão doendo.
Fui ao banheiro duas vezes para vomitar. Às 2 da manhã, não aguentei mais.
— Lu, vou embora. Avisa o PK para te buscar.
Cheguei em casa, marquei um horário com o médico da família para às 7h da manhã e desabei no sono.
Segunda-feira, 07:00
O Dr. Júlio me atendeu e, após ouvir meus sintomas, pediu um exame de sangue urgente. "Volte à tarde para o resultado", ele disse. Saí de lá e a saudade do PG falou mais alto. Fazia três dias que não sentia o beijo dele.
Subi o morro, fiz o toque com o PK e fui direto para a sala do patrão. Assim que abri a porta, vi Matheus sentado, relaxado, fumando seu cigarro. O cheiro invadiu minhas narinas e, no mesmo segundo, meu estômago deu um nó insuportável.