Planos futuros

1921 Words
6° Capítulo Hugo Stark (Matteo) Minha vontade naquele momento, depois de ter soltado aquela blasfêmia de que trabalhava arrancando órgãos de pessoas para vender e poder ter o prazer de presenciar a moça, ainda sentada no banco do carro e olhando para cima, para mim com os olhinhos vivos e trêmulos. — Devo confessar que me surpreendeu saber que ela é altamente inteligente mas, a surpresa dissipou porque é decepcionante a sua ingenuidade — Eu queria na verdade rir do seu semblante estarrecido, medonho e atordoado com os próprios pensamentos. Pobre moça... Mau sabe que está na mais horrenda guilhotina. Que eu por pouco não tirei sua vida e por interesse em seus serviços a trouxe de volta. Ela irá me ajudar com meus assuntos. Tornara-se minha mercenária. Afinal, é bonita e será facilmente infiltra-la em joalheria, museu de artes, leilões em hotéis, bancos e cassinos. De nada me serve sua vida a não ser para por a prova, ficará a querer dela sobreviver a isso ou não. Mas antes precisamos nos divertir um pouco. Em mãos desdobro meu terno. — Estou gozando com a sua cara. _Falei e estendi o terno. — Venha para que eu poça cobrir-la da chuva. — Gozando... Tipo debochando e Zombando ? _Me olhou e então, se retirou do carro. — Exatamente. _Passei o terno em volta dos seus ombros e em seguida fechei a porta do carro, pousando a mão em suas costas. A mesma se espantou e olhou para trás. Emendei. — Só pretendo guia-la até dentro do meu recinto. _Em redenção, ergui as mãos para o alto, demonstrando paz. — Por que me trouxe para cá ? _Questionou. — Porque seria desumano da minha parte sabendo do acidente, deixa-la a espera de um ônibus. _Precisei ser cínico para soar convincente. — Achei que houvesse me dito que não tinha empatia pelas pessoas. Olhei a volta, começando a me desfazer da camisa molhada. — Nesse caso eu tive que ter. _Dei de ombros, tendo a camisa em mãos a pousei no meu ombro e encarei a mulher a minha frente. Me impressionou bastante a ver molhando os lábios enquanto levemente elevava o olhar com expectativa para minha barba e boca, chegando com o olhar nos meus olhos ela fez novamente algo que me animava, a sua descortesia ao entrar em pensamentos e despertar, olhando-me quando tinha sua mão perto dos olhos e a balançar rapidamente, como se imaginasse coisa e necessitava ter certeza que seria o que imaginava. Percebo o gesto ser seu modo de recepção quando me vislumbrava atentamente. Restava saber se a agradava ou não o meu corpo. — O senhor tem esse costume de tirar a camisa normalmente e jogar nos ombros em qualquer lugar ? _Sua voz por está intrigada estava ainda mais arrastada, suave e baixa. Calorosa na medida certa. Se tivesse saído da boca suja das meninas da boate que sou sócio com meus primos, certamente abaixaria minhas calças e testaria se sua boca era aveludada. No entanto, era a Kiara. A qual tinha meu sangue circulando no corpo. Isso era motivo suficiente para não imaginar impropriedade, dela eu desejava distância para conseguir o que quero. — Se te incomoda, tire a sua também. _Andei na sua frente e segui até a porta, aguardando-a não muito paciente. — O senhor é um afrontoso. _Ouvi seu resmungo de longe. Empurrando a porta, a olhei e gesticulei para dentro. — A menos que se sinta i********e com a minha pouquíssima nudez, não entendo sua reação, senhorita Badin. _Confessei ao ter seu corpo parando em frente o meu. Isso não era bom. — O senhor não me intimida. _Rebateu. Não sendo muito confiante sua afirmação. — Ok. Entre, iremos providenciar toalhas, roupas secas e um chá quente com biscoitos. _Se continuasse assim, sua confiança seria a primeira das batalhas vencida. — Quando a chuva amenizar irei para casa. _Deixou claro e entrou na casa, de repente sendo visível sua fascinação, ela ficava boquiaberta. Sabendo do que tinha em mente e meus negócios a resolver na Itália, logo providenciei de comprar uma casa por aqui. Seria meu passatempo a longo prazo e longe de todos. Depois que terminasse tudo partiria, regressaria para casa. Fechando a porta, me ponho ao seu lado procurando ver o que ela via de tão fascinante. Seria a cor preta ? — Eu lhe apresento minha morada. _Guardei as mãos no bolso e toda deslumbrada ela me fitou. — É incrível. _Seus olhos era brilhantes. Sorrio, abaixando a cabeça. Porque incrível mesmo era aquela sua expressão maravilhada. Ela teria noção do quanto é atraente fazendo essas coisas simples, como por exemplo se encantar por a casa de um homem solteiro ? — Siga-me. _Vaguei ao banheiro do corredor debaixo e lhe estendi toalha e um roupão. — Pegue, se aqueça com ele. _Desviei o olhar para sua roupa colada no corpo. Ela era pequena e seu físico parecia ser exclusivamente pensado nela. Realmente era um espetáculo de mulher. — Acho que a secadora pode dar um jeito nisso. _Revelei e voltei a pegar uma nova toalha para mim. — Agradeceria muito se isso acontecesse. _Riu, olhando para si. Me retirei do banheiro. — Quando terminar estarei na cozinha, no corredor a direita. _Avisei e ela assentiu, trancando a porta. Respirando profundamente aliso a toalha em meus cabelos úmidos. — Estou parecendo um babaca agindo dessa forma. _Concluo, não orgulhoso. O esperado seria joga-la contra a parede e dizer que eu a doei sangue, que eu foi quem gravei seu noivo com prostitutas e o mais terrível, a atropelei, dando a ela um sono profundo. Por algum infortúnio, eu não seguia por esse caminho. Chegando no quarto atirei minhas roupas no cesto e coloquei rapidamente um moletom. Sem camisa desci para a cozinha e enchia a chaleira de água, ligando o fogo e preparando um chá. — Onde as coloco ? Ouvindo sua voz calma, virei-me, engolindo em seco. Ela estava descalça, sua perna desnuda até a metade da coxa e pensando o que ela tinha abaixo do meu roupão imediatamente ergui o olhar para seu rosto, seu cabelo molhado suspenso me dava pleno acesso a todo ele. E definitivamente não errei, ela era simplesmente mais que bonita. — Bom. _Pigarreio. — A secadora está no cômodo ao lado. Ela atendeu e seguiu até, voltando minutos depois. — Hortelã ? _Perguntou. Não a olhei. — Gosta ? — É o preferido da minha mãe. _Confidenciou. — Devo comentar que ela tem bom gosto. _De relance ligeiramente a observo. Ela não estava muito distante de mim, mas seu cheiro vicioso chegava em meu nariz mais rápido que o sachê de hortelã junto a água fervente. — Sente-se. — Aqui está bom, senhor. Obrigado. A encarei. — Não me chame de senhor, me faz parecer mais velho do que sou. Me chame de Matteo. _Dei a ela meu nome falso. Se fosse o verdadeiro seria muito fácil encontrar-me e conhecer quem verdadeiramente sou. Matteo era meu lado obscuro que me vi afundando e o aprimorando mais e mais. Desconhecido por toda a minha família e conhecido por todos os mais cruéis mafiosos. Sim, eu tinha duas faces, um que deixava passar e outro que ia e fazia vingança. Uma vida oculta, meu melhor lado onde eu podia por em prática aquilo que o bom discriminava. — Matteo. _Testou em sua voz, parecia apreciar como eu fiz com o seu mais cedo. — Um brasileiro com nome Matteo, como é isso ? Não a olhei e segui até o armário, pegando duas xícaras. Voltando e as servindo de chá. Vagando para seu lado, depositando a sua xícara no balcão onde ela encostava. — Tudo indica que minha mãe era apaixonada por algum delinquente de filme. Só assim explica meu nome de bicheiro. _Menti divertidamente. Ela instantaneamente, gargalhou me fazendo também sorrir. — Sciocco... _Indagou uma palavrinha italiana que significava, se não me engano bobo e tentou se controlar. Me agraciando com sua leveza no humor. — Matteo " dom de Deus", "presente de Deus", "dádiva de Deus". Acredito que não seja de filme e sim as crenças, deve ser uma mulher que acredita em Deus acima de tudo. Matteo é variante de Mateus, nome cuja origem é hebraica. Sabia disso ? Atento a ela e seu modo de tomar minha concentração, beberico meu chá, momentaneamente a fitando. Ela tinha uma pintinha imperceptível na ponta do nariz. — Não. e o seu nome. Qual a explicação para ele ? — Que significa “clara”, “brilhante”, “ilustre” ou “n***a”, “obscura”. Em português, Kiara é a variante para o nome Clara, e tem origem na forma italiana Chiara. A raiz etimológica deste nome está no latim clarus, que significa “claro”, “brilhante”, “famoso”. Negra, obscura. Coincidência ou não é ... — Tudo que me tenta. _Sou sucinto e ela se queima ao tentar tomar o chá em vários gole. — Sei que está uma delícia, mas vá com calma. _Tocando suas mãos que segura a xícara a desço para baixo. — O senhor... Você, Matteo. _Falhou a voz. — Diz cada coisa sem sentido. — Não deveria se importar se é sem sentido. Ela olhou para os lados, avaliativa. — Cadê os biscoitos? — Está.... _Pouso a xícara na mesa e procuro o pote que deixei em algum lugar. — Aqui. _Encontrando, segui para o balcão e a entreguei. — Você tem quantos anos ? _Foi direta ao abrir o pote e tirar uma mão do meu delicioso biscoito amanteigado. — 26 e você ? — 22. _Mastigou. — E o homem na universidade, quem era ? _Quis saber da sua boca aquilo que eu já sabia. Ela me olhou, talvez por novamente perguntar por ele e seus lábios separou denunciando que responderia. — Meu noivo... _Fechou os olhos. — Ex noivo. — Ex ? — Sim. Ele foi um ordinário. Mas isso não vem ao caso. Quer dizer que o mandou para escanteio? Ótimo. — Ele é um i*****l. — Sim. Porém ele está no canto dele e não pega bem eu ficar aqui o xingando para você. _Comentou. — Tem medo dele descobrir que é um b***a mole e até um desconhecido lhe tratou melhor que ele a anos ? _Perguntei, afastando nossas xícaras e me aproximando dela. — Do que está falando ? _Desentendeu, projetando-se para trás. — Não sabe, mesmo ? _Persisti a andar e ela bateu os quadris na mesa ao esbarrar. Olhar um tanto perdido. De pressa, visei seu ombro direito e não demorou para espalmar minha mão nele. Tendo ela olhando assustada para minha mão, apertei a causando aflição e porque não dor. — Infelice! _Gritou e eu choquei abruptamente nossos corpos, fazendo ela inclinar a cabeça para trás quando juntei nossas testas quentes e a fiz me olhar no olho. Por ela ser pequena era fácil se está no comando. — Foi ele o causador dessa cicatriz ? _Tomamos uma longa e embargada respiração do mesmo ar. Nossos hábitos se perdendo ao se encontrarem por nossas bocas estarem entreaberta. — Como pode pensar...uma coisa dessas? Contudo, grudei uma mão em sua nuca, a trazendo para mais perto, raspando nosso nariz no caminho. — O d***o está nos detalhes. _Declarei e fui empurrado para trás, ela corria em direção a porta que ecoava o alerta da secadora. Será emocionante meu encontro com seu ex fortão.
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