Robert estava à beira de um colapso nervoso. Havia prometido não ser um problema para Anne quando decidiram serem amigos novamente. Quando pensou em manter a paz entre ele e Henrietta, pensava em deixar de lado as desavenças entre os dois e fingir que nada aconteceu entre eles. Iria trata-la com cortesia, apenas para que Anne não ficasse aborrecida com ele, incluindo Henry, que parecia ter uma amizade por Henrietta. Então, a trégua era movida para não perder a afeição deles, além do fato de já estar cansado daquelas brigas sem sentido com Henrietta. Estava na hora de se tratarem como adultos. Mas, a forma como ela o provocou deliberadamente, dizendo que ele não havia mudado e que estava tentando mais uma vez conquistar Anne com aquele gesto de trégua, o deixou furioso. Ele não podia simplesmente ignorar aquela acusação injusta.
Então, forçou-a a entrar na carruagem. Iria lidar com ela ali, onde ninguém pudesse vê-los. E ao invés de leva-la para casa, ele pediu para que o cocheiro pegasse um caminho longo e somente seguisse para a residência dela, quando ele desse uma batida no teto da carruagem. Ele estava disposto a retrucar o que ela disse em frente à casa de Anne, mas ao vê-la tão irritada, com o semblante afogueado e os lábios rubros, sentiu a vontade de prova-la. Era uma atitude irracional, que sempre o acompanhava quando ela estava por perto. Queria beija-la e prova-la há bom tempo. Fazia tanto tempo, desde a última vez que a teve em seus braços.
Quando sentou do lado dela e puxou sua nuca, sentiu-a enrijecer em seus braços, mas forçou seus lábios sobre os dela, de forma leve, mas ainda assim, estava a forçando. Ele desenhou os lábios dela com sua língua e ela estremeceu em seus braços, entreabrindo sua boca. Ele a beijou de forma voraz, sentindo todo seu corpo vibrar por sentir seu gosto. Ele estava delirando apenas por ter uma mulher em seus braços. De fato, fazia meses que havia terminado com sua amante e não encontrara nenhuma para substitui-la. Estava simplesmente sem libido, contudo, aquela jovem despertava a sua fome e ele queria saciar provando-a. Tocou seus s***s de forma calma, esperando que ela reagisse ou o afastasse, afinal, se ela o fizesse, ele iria, mesmo a custo se afastar. Mas, Henrietta não fez isso. Ela apenas soltou um suspiro em sua boca e ele se sentiu encorajado, deitando-a sobre o banco acolchoado da carruagem. Ele parou de beijar sua boca, apenas para fazer uma trilha de beijos em seu rosto e em seu queixo, descendo para seu pescoço, enquanto uma mão se apoiava no banco e puxava o tecido do vestido dela e tocava sua coxa. Ela suspirou, de olhos fechados e ele sorriu para ela, sentindo que toda a raiva que tinham era paixão reprimida. De fato, não era a primeira vez que a tinha em seus braços.
- Olhe para mim – ele murmurou.
Ela entreabriu os olhos. Seus olhos eram como duas pedras preciosas. E ele se sentiu deleitado de vê-la com a expressão nublada pela paixão. Ele a beijou novamente nos lábios, sugando o seu lábio inferior. Deslizou sua mão por entre a coxa dela, chegando a sua parte intima, sentindo-a úmida, demonstrando que ela estava pronta pra ele. Contudo, a carruagem trepidou e ele se desequilibrou, caindo no chão deitado. Ela veio em seguida, caindo sobre ele. O ar faltou em seus pulmões e ele sentiu como se tivesse partido algum osso. A dor era excruciante.
- Henrietta... – ele murmurou, com a entrecortada, tentando retira-la de cima dela. Seus olhos lacrimejavam pela dor.
A jovem estava atordoada. Levantou-se rapidamente e se sentou em seu lugar. Ele respirou fundo e fez o mesmo. Todo o seu corpo estava dolorido. A libido havia baixado e o que ele sentia era grande humilhação. Sentou-se em frente a ela e tentou encontrar palavras para se desculpar pelo que fizera, mas não havia desculpas. Não era a primeira vez que fazia isso. Ele sempre a atacou em algum lugar escuro ou escondido, para depois, vir a se arrepender de seus atos. Na verdade, estava sentindo que não conseguia mais suportar vê-la e não toca-la. E talvez, esse fosse o motivo do seu grande mau humor e para as provocações que fazia a ela.
- Henrietta...eu...- ele tentou dizer, mas ela o fitou com raiva.
- Não tem que me explicar nada – ela cortou. Sua forma de falar o desencorajou a dizer o que pensava – Não quero suas desculpas. Apenas quero que me leve para casa.
- Eu não iria pedir desculpas – ele se adiantou. Ela arqueou a sobrancelha, surpresa, até mesmo parecendo indignada – Eu iria lhe fazer uma proposta.
- Que proposta? – ela perguntou, ficando pálida. Seus lábios que normalmente eram rosados, ficaram brancos.
- Eu iria...- ele engasgou com as palavras e apertou os punhos – Eu iria pedir para ser minha amante.
Ele queria bater a cabeça contra a janela da carruagem depois que dissera aquilo. O semblanete dela que era pálida, deixou visível o seu espanto por ouvir aquela proposta em segundos.
- Pelo o que milorde me toma? – ela esbravejou.
Ele se encolheu pela primeira vez ao ver uma dama em acesso de fúria, mas respirou fundo, tentando recuperar sua dignidade. Afinal, ela retribuiu seus beijos e também o desejava. Não era como se ele estivesse se aproveitando dela.
- Ora, não me diga que também não me deseja – ele disse, com ironia – Afinal, a senhorita aceitou de bom grado meus avanços. E já é claro que nos desejamos. Estamos a meses nos provocando. E isso nada mais é do que paixão. Não posso negar que a senhorita me enlouquece e esse é um dos motivos para estarmos sempre nos provocando. Talvez, assim, se for minha amante, esse sentimento passe e eu possa esquecê-la.
Sua intenção de fato era provar dela, não arruína-la, é claro. Quando estivesse saciado, se afastaria dela. Acreditava que só assim perderia o interesse. Contudo, sua sinceridade produziu um vinco na testa da dama em questão de segundos e ela o fulminava com os olhos esmeraldas. Ela parecia estar prestes a esgana-lo. Ele se arrependeu amargamente por ter dito suas intenções pouco honrosas.
- Então, você deliberadamente esta querendo me usar, como se fosse uma meretriz e me descartar assim que cansar de mim? - Ela trovejou, demonstrando toda sua indignação. Ele engoliu a seco e percebeu que sua proposta era indecente e realmente ele a estava tratando com pouco respeito. Apenas apertou a nuca, tentando encontrar palavras para se desculpar e para que ela esquecesse sua proposta.
- Eu não acredito que a senhorita seja uma meretriz - ela arqueou a sobrancelha ruiva, de modo sarcástico, o que o deixou ainda mais inseguro - Eu...me perdoe.
Ela o fitou com escárnio, apertando as saias com as mãos, com força.
- Você é um desgraçado, Robert. É isso que você é! – ela gritou, o deixando sobressaltado – Quero descer. Peça para o cocheiro parar agora mesmo!
- Não – Ele negou com a cabeça. Precisa consertar o seu erro, de alguma forma e não deixa-la sair enquanto não resolvessem aquele assunto.
- Não? – ela perguntou, com ódio flamejando em seus olhos belos – Se não fizer isso, sou capaz de mata-lo.
Ele não tinha duvida de que ela tentasse. Mas, ela era como um gato selvagem. Iria deixa-lo com arranhões. Contudo, ele lidaria com ela bem, afinal, era bem mais forte.
- Não, Henrietta. Eu a levarei para casa. Suas vestes estão amarrotadas e é visível que tivera um preludio amoroso – ele justificou e bateu no teto, dando o comando para que o cocheiro os levasse para casa dela. Decidiu que o melhor era conversar em outro momento, quando ela estivesse mais calma.
- Preludio amoroso? – ela zombou, balançado a cabeça – Está mais para você ter me atacado, como um sem vergonha!
- Eu não a vi reclamar. Na verdade, você suspirou em meus braços, Henrietta. Não negue isso – ele argumentou, sem qualquer traço de ironia – E nos desejamos em igual medida. Por que negar isso? - ele tentou argumentar.
- Você...- ela tentou dizer, mas parecia espumar de raiva.
Ela cruzou os braços sobre o peito e evitou olha-lo. Ele se sentiu abalado, de repente. Não esperava pela recusa dela. Ele sentiu o desejo dela, enquanto a beijava. E agora que havia entendido os motivos para detestar tanto aquela mulher, percebeu que precisava tê-la de alguma forma.
- Henrietta, eu sinto muito – ele pediu sincero – Por favor, pode me perdoar?
Ela o fitou, parecendo enojada. E isso o abalou profundamente.
- Eu jamais irei perdoa-lo, Robert. Você me usou, como fez anos atrás. Acaso, não tem vergonha dos seus atos pouco honrosos? Não sente vergonha?
Ela o acusou cruelmente e isso o deixou com a raiva inflamada. Como ela se atrevia a expô-lo daquela maneira? Quem ela pensava que era?
- Eu nunca a enganei, Henrietta – ele disse, com um tom sério – Jamais a usei deliberadamente. A senhorita veio até mim, há cinco anos, no baile dos Melton, me procurando de forma incansável. Eu somente dei o prazer que a senhorita buscava – ele explicou, de forma lenta, debochando dela. Pode ver seus olhos escurecendo e demonstrando toda raiva que sentia dele. E ele não se importava mais com isso – Então, se alguém deveria se sentir envergonhado aqui é a senhorita, por me provocar tanto aquele dia. Eu sei que se não me desejasse, em todas as vezes que a toquei, poderia ter me empurrado e não retribuído como fez antes.
Ela o fitou com os olhos dardejantes e respirava rapidamente.
- Milorde me culpa por tudo, mas veio me procurar em todas às vezes – ela frisou - E minhas reações são apenas meros reflexos do meu corpo. Tenho certeza que posso me controlar. Já milorde, eu não sei se pode. Age como uma b***a diante de mim.
Ela zombou deliberadamente dele, mas isso não o ofendeu. Ele sabia que agia de forma irracional quando estava diante dela. Na verdade, o que ela disse o fez sorrir. Ela podia dizer que sua reação a ele era mero reflexo do corpo, mas ele sabia que ela estava apenas mentindo deliberadamente. Então, ao invés de revidar com as palavras, ele sentou-se de novo ao lado dela e a agarrou pela cintura, deixando os lábios há centímetros uns do outro. Ela suspirou e arregalou os olhos.
- Tem certeza que não sente nada por mim, Henrietta? – ele provocou, tocando a bochecha dela, que estava em chamas – Duvido que seu coração esteja batendo rápido por medo. Sente paixão por mim, assim como sinto por você.
Ela negou com a cabeça e tentou se afastar dele. Robert inclinou o rosto e a beijou novamente, de forma rápida e se afastou. Ela o fitou atônita. A carruagem parou em seguida e ele ajeitou o vestido dela, rapidamente, dando um beijo em sua testa.
- Vamos conversar novamente – ele disse, em seu ouvido e abrindo a porta ao lado dela – Agora, vá para casa.
Ela saiu da carruagem, sendo ajudado pelo lacaio. A porta foi fechada. Pela janela, ele pode vê-la entrar pelos portões de sua residência e estava claro que ela devia estar atordoada pelos últimos acontecimentos.
Robert estava decidido. Ele iria persegui-la e torna-la sua. Não sabia o que estava pretendendo com isso, pois o único modo de fazê-la sua era casando com ela. Mas, não precisava necessariamente dormir com ela. Havia várias maneiras de se divertirem juntos, sem que houvesse uma relação s****l.
Ele sabia que estava sendo perverso ao fazer isso com ela, mas seria discreto. Jamais iria arruinar sua reputação.
*
Henrietta adentrou seu quarto, respirando profundamente, com raiva de Robert. Deitou na sua cama de dossel, socando o travesseiro e gritando de raiva. Como pode se deixar levar pelas caricias dele, mais uma vez? Só havia uma coisa a fazer. Terminar o livro e publica-lo. Iria ferir os sentimentos dele, deliberadamente. Iria acabar com ele. Ela não era uma dama que seria usada por ele e descartada. Não, não mesmo. Ele iria pagar por tudo que fez a ela e as outras damas.
Mesmo que as fontes do que ouviu sobre ele não fossem cofiáveis, estava pouco se importando se o transformaria em um vilão. De fato, iria até mudar o nome do livro. Deixaria implícito que o livro era uma continuação do Barão Enlouquecido, mas seria uma história própria. Iria mostrar o passado do barão, como se fosse o passado de Robert e iria dar um fim c***l para ele. Ele morreria envenenado por um de seus inimigos e sua fortuna passaria para seu sobrinho que se casaria com a senhorita Finch, o personagem que o barão estava perseguindo no outro livro escrito por Anne.
Henrietta não estava se importando com as consequências dos seus atos. Ela queria acabar com Robert e iria fazer isso, sem pensar duas vezes.