Capítulo 8

3970 Words
Henrietta já tinha o manuscrito pronto, em uma semana. Ela estava tão concentrada, que se esquecia até de comer. Quando entregou o livro ao seu pai, com o título, Um Coração Indomado, ele acreditou que fosse um livro escrito por Anne. Ela nem ao menos corrigiu ele e disse que poderia entregar o pagamento a ela. Seu pai nem ao menos checou a informação, apenas visando o lucro que teria com a publicação do livro. Afinal, a primeira edição do livro da Srta. Finch havia feito sucesso. Todos queriam ler a história de uma heroína que se sobressaia por cima de um vilão c***l. E o barão havia sido colocado realmente como um homem c***l. O passado dele havia sido revelado naquele livro. Enquanto que Anne havia deixado o vilão charmoso e desculpável, Henrietta havia demonstrando que ele não merecia perdão, pelo fato de não mudar sua atitude e até mesmo enganar a Srta. Finch, apenas para roubar sua fortuna. Contudo, todas as suas mentiras são reveladas antes do casamento dele com a Srta. Finch, dentro da igreja, por nada menos que seu inimigo do passado, o mesmo que teve a irmã morta pelo barão, ao ingerir veneno. Ele faria o mesmo com a Srta. Finch, se não tivesse sido impedido. Ele apenas queria se casar com ela, para se tornar mais rico e poderoso. Pois, todos os bens da família Finch estavam no nome dela, devido a não ter herdeiros masculinos para receber a herança. Depois do casamento que não aconteceu, o sobrinho do barão consegue finalmente ter um feliz para sempre com a Srta. Finch. O barão é envenenado por um leal amigo, recebendo de volta tudo que praticou de m*l em vida. Henrietta ria por dentro, por elaborar aquela trama, pois dentro dela, estavam os segredos do barão, que pareciam muito com a vida de Robert. Ele era visto como um libertino, que deflorava as jovenzinhas indefesas, além de ter um pai igual e uma mãe que enlouqueceu pelos atos nefastos deles. Ela sabia que não deveria tocar no assunto da mãe de Robert, mas nem ao menos deixou claro na história sobre a mãe do barão. Não iria ofender a viscondessa viúva de Klyne, é claro. Apenas queria atingir o filho dela. O livro fora publicado na semana seguinte, depois de ser revisado e editado. As livrarias de Londres estavam cheias. Todas as damas queriam um exemplar do livro, que estava prestes a se esgotar em poucas semanas. Henrietta não se cabia de felicidade. O título colocado para a história, apenas era para despistar Anne. Mas, todos sabiam que era uma continuação da história da senhorita Finch. O Coração Indomado era a própria Henrietta, que não se deixava dominar e fez com que a heroína se assemelhasse a ela. A personagem teve um crescimento pessoal e se mostrou forte e destemida. E apenas aceitou o casamento com o barão por ele ter descoberto que ela amava seu sobrinho. Então, ele ameaçou a vida dele. Henrietta observava do lado de fora da livraria, com sua dama de companhia acompanhada, a senhorita Mary Ann, as damas comprando o livro publicado. Ela sabia que havia sido um sucesso e estava orgulhosa de si mesma. Sentiu um enorme carinho por ter escrito o livro. Nunca imaginou que iria dar tanta repercussão um livro seu ser publicado. Mas, era óbvio, o livro só estava com as vendas altas devido a ser uma continuação do livro de Anne. Henrietta somente saberia se seu livro faria ou não sucesso com a crítica. E com certeza, o jornal Hamilton não iria poupá-la de criticas. Seu estomago retorcia somente de pensar nisso. E ela temia que Anne percebesse que aquele livro era uma continuação. De fato, Anne havia desistido de publicar, pois o vilão lembrava muito Robert e ela não queria desgosta-lo. Então, Henrietta prometeu uma continuação ao seu pai e deveria entregue-la. Foi ali que ela se comprometeu a escrever, contudo com intuito de se vingar de Robert. - Senhorita, podemos ir? - perguntou à senhorita Mary Ann, ao lado dela - Essa noite terá um baile na mansão Derby. Henrietta assentiu e deu uma última olhada na livraria. Nunca sentiu tanto orgulho em toda sua vida, mesmo que fosse um plano para se vingar de Robert. * Com Anne em Sussex, na mansão da família Collins, Henrietta precisou enfrentar sozinha ao baile na mansão Derby. Cumprimentou lady e lorde Derby, assim como os filhos deles, Colin, Jonathan e Antonietta. Os três irmãos eram belíssimos e encantadores. Dois deles já estavam casados e com filhos. Então, seu pai já estava sem esperanças de casa-la com eles, pois Jonathan Harris, filho do lorde Derby era um homem de comportamento libertino e não havia qualquer chance de se casar. O pai de Henrietta desejava que ela tivesse um título, mas não iria medir esforços para encontrar um marido para ela, nem que ele só fosse rico. Contudo, não a casaria com um homem de má reputação, mesmo que a família tivesse prestigio. Na verdade, o pai de Henrietta já estava cansado de ter que cuidar dela, pelo fato de que já estava ficando velho para isso. Assistir aos bailes ao lado dela lhe era penoso. Ele apenas desejava que ela se casasse bem. Aquela noite em especial não pediu que sua irmã, Penélope, acompanhasse sua filha, pois, iria encontrar um cavalheiro rico, sem títulos, para apresentar a filha. Ele era dono de um clube de cavalheiros e um clube de apostas, assim com o White’s. Era um local requintado, que se estabeleceu há quase um ano em Mayfair. O homem que havia fundado o clube tinha apoio de alguns nobres e tinha muito dinheiro. Seu nome era John Miller. Ninguém sabia da origem dele, apenas que ele recebeu uma grande fortuna de um parente distante e montou seu negócio em Mayfair, com a ajuda de nobres. Então, era óbvio que seu clube estaria tão cheio quanto o White’s. E Richard o conheceu quando foi convidado a entrar naquele clube, afinal, por não ter um título nobiliário, não poderia entrar no White’s. O clube Miller aceitava qualquer cavalheiro, independentemente de suas origens, desde que ele tivesse dinheiro para pagar suas apostas. - Querida, quero apresentar você a um conhecido – o pai de Henrietta disse, puxando-a pelo cotovelo. Ela o seguiu, desconfiada do que poderia ser. Com certeza ele iria mais uma vez apresenta-la a um cavalheiro elegível, para se casar. Contudo, sempre que recebia uma proposta, ela declinava. Seu pai enlouquecia e não falava com ela por semanas, mas esquecia do assunto rapidamente a tratando com carinho. Ele poderia ser um pai ocupado com seus negócios, mas ela sabia que ele a amava muito. Eles entraram no salão de baile dos Derby e ela se deparou com muitas pessoas. Inclusive, com pessoas que não tinham uma origem nobre. A família Derby não se importava em ter relação apenas com a nobreza, por isso, havia famílias de comerciantes no salão de festas. Ninguém ousava questionar o conde Derby por ter relação com as classes trabalhadoras, afinal, ele tinha influencia na sociedade. Era uma das famílias mais poderosas da Grã Bretanha, juntamente com a família de Pembroke e Klyne. A música no salão era ambiente. Os músicos apenas tocavam o violino, violoncelo e a harpa, de forma que o som dissipasse, sem atrapalhar a conversa. Mas, em breve se seguiria o baile e os convidados começariam as danças. Enquanto havia tempo, Richard procurou o senhor Miller para apresenta-lo a filha. Ele havia dito ter interesse em se casar com a nobreza e por eles terem parentesco com lorde Melton, ela seria sim, da nobreza. E Miller era um cavalheiro jovem e bem apessoado. Não haveria motivos para sua filha recusar a se casar com ele. E ele tinha mais dinheiro do que Richard, então, com certeza poderia sustenta-la. - Ah, ali está ele – Richard disse, vendo o cavalheiro em questão. O homem se aproximou deles, com um sorriso calmo, que não chegou aos seus olhos. Ele tinha olhos azuis claros e cabelos escuros. Uma cicatriz descia de sua testa, cruzando sua sobrancelha. Ele parecia ser jovem. Suas roupas caiam impecavelmente e ele estava de smoking, com uma gravata borboleta. As damas olhavam para ele com curiosidade e Henrietta podia ouvir os comentários pouco lisonjeiros sobre ele. - Ele não é ninguém. Como se atreve a aparecer aqui? – Henrietta escutou lady Cavendish reclamar com lady Ashbourne, perto da mesa de refrescos – Ele acredita mesmo que é bem-vindo? - Com certeza, os anfitriões não sabem com quem estão fazendo amizade – lady Ashbourne disse, se abanando com um leque. Imediatamente, com aquele comentário, Henrietta, se sentiu atraída pelo homem em questão. Ele andava pelo salão com firmeza e agilidade. Não parecia um dândi. Na verdade, ele tinha um rosto de feições endurecidas, mesmo com a barba feita. Henrietta observando seu semblante havia percebido que já o vira em algum lugar, mas não tinha certeza. Ele se aproximou dela e de seu pai no salão e fez uma leve reverência que foi imitida por Henrietta e o pai dela. - Senhor Harrison, boa noite – ele cumprimentou o pai dela, com um aperto de mão firme. Sua pele do rosto era bronzeada. O que não era comum para um cavalheiro. E decididamente, o deixou ainda mais atraente aos olhos dela. E ele percebeu seu olhar, devolvendo com um ar penetrante. Ela engoliu a seco. Deveria parar de encarar tão abertamente as pessoas, sabia disso. - Senhor Miller, é um prazer revê-lo – o pai dela disse, efusivamente – Gostaria de apresentar minha filha, senhorita Henrietta Harrison. Querida, esse é John Miller. O senhor Miller puxou a mão dela para beija-la. Foi de forma demorada e Henrietta queria rir da forma como ele a fitava. Era um paquerador. Sentiu-se lisonjeada pelo olhar dele, mas sabia que estava lidando com um libertino. Não era tola. Ele soltou sua mão e disse: - É um prazer conhece-la. - O prazer é meu – ela disse não como forma de cortesia, mas falando a sério. Ele parecia ser interessante. Ele sorriu para ela, de forma jovial. Ela pode ver seus dentes amarelados, mas na que tirasse seu charme. Devia ser devido ao fumo, como seu pai. Por isso, os dentes eram daquela cor. - Poderia reservar uma dança? – ele perguntou, olhando para ela e depois para Richard, que apenas assentiu. Afinal, era o plano do pai de Henrietta, sem que ela soubesse, que os dois se conhecessem. Ele já havia dito a John que queria que ela se casasse e ele disse que iria conhecê-la, primeiramente. E se realmente se dessem bem, iria firmar um compromisso. Era somente o que Richard esperava, pois vários cavalheiros sua filha rejeitou, nos seus cincos anos de debute. Não havia mais cavalheiros elegíveis para casa-la. E John parecia ser diferente dos dândis de Londres. Talvez, pudesse atrai-la. O que ele não estava errado, pois Henrietta foi até John, como uma abelha vai até a flor, para beber seu néctar. Não era que ela estivesse apaixonada, apenas deslumbrada pela beleza rustica do cavalheiro. E quando a música se iniciou, eles valsaram no salão, e foi ali que ela soube, ele era diferente. Não era afetado, nem elogiou seu olhos, não os comparou as florestas, nem comparou seus cabelos ao sol flamejante, nem ao menos comparou seu vestido de cor azul royal, as sedas mais caras do mundo. Ele simplesmente conversou com ela. E ao conversar com ele, notou seu sotaque estrangeiro. Ele não era inglês. Seria escocês? - O senhor faz o que? – ela perguntou. - Sou dono de um clube de apostas, muito respeitável – ele respondeu a fitando de forma charmosa. Ela tinha que admitir que ele sabia como envolver e dançar com uma dama. Era um pouco escandaloso, um pouco perto demais, mas nada que afetasse sua reputação. E ela estava gostando disso. - Entendo. Então, o senhor é apenas um comerciante? – ela perguntou, sem querer ofende-lo. - Sim, sou. Perdi respeito aos seus olhos, senhorita? – ele perguntou, em tom de zombaria, fazendo-a girar no salão. Ao longe, ela podia ver outras damas, de cores variadas de vestidos, fazendo o mesmo movimento com seus parceiros. A música era agradável. E o salão estava com as cortinas brancas abertas, mostrando os janelões no estilo francês e uma sacada estava aberta. Ali, ela pode ver Robert parado, fumando um charuto e parecia olhar para ela. Henrietta não tinha certeza, pois logo estava nos braços do seu parceiro. E John a envolveu de forma que ela se esqueceu de Robert. Ele tinha olhos azuis metálicos. E mais uma vez ela se perguntou se o viu antes. Manifestou sua pergunta, em voz alta. - Não, creio que não – ele respondeu, sem transparecer nada – Eu jamais me esqueceria da senhorita. Tem cabelos muito bonitos, mas já vi muitas mulheres com esses cabelos em minha terra natal. - Eu sabia que o senhor não era daqui – ela deixou escapar e mordeu os lábios, envergonhada. Ele deu uma risada. E seu riso era grave, fazendo Henrietta se arrepiar por inteira. - Eu sou da Irlanda – ele respondeu, com o sotaque carregado – Algum problema com estrangeiros? Henrietta ficou um pouco desconfortável com o olhar intenso que ele lhe oferecia, além da pergunta. Ela sabia muito bem que os ingleses eram preconceituosos com os irlandeses e escoceses. Mas, ela não era como seus pares, que olhavam para as classes mais baixas e para os estrangeiros de forma desdenhosa. - Não tenho qualquer problema, senhor – ela garantiu. Ele sorriu, mas seus olhos demonstravam frieza e ela se sentiu incomodada. - Poderia roubar a dama, por alguns instantes? – ela escutou a voz de alguém que não esperava ver. Robert se aproximou, sem ao menos ela perceber, na pista, logo que a dança havia terminado. - Não há problema, milorde – John respondeu, se afastando dela e fazendo uma reverência aos dois – Espero vê-la novamente, senhorita Harrison. - Espero o mesmo, senhor – ela respondeu, de forma educada. Robert a puxou pelo cotovelo e um minueto começou. Eles precisaram trocar de pares várias vezes, até que conseguiram trocar algumas palavras. - A senhorita está bem? – ele perguntou. - Perfeitamente – ela respondeu, de forma ríspida, sem querer olha-lo. Naquela semana, recusara recebe-lo em todas as ocasiões, fingindo não estar em casa. E ele parecia implacável. Parecia querer vê-la a qualquer custo. Seria possível que a tivesse seguido até o baile dos Derby? Ela trocou de parceiro novamente e quando ela foi emparelhada com Robert novamente, ele disse: - A senhorita deveria perguntar se estou bem – ele disse, com um sorriso prepotente. - Ah, mas eu tenho certeza que milorde está essa noite – ela respondeu, de forma sarcástica. Cavalheiros e damas olharam para ela, com olhares cheios de julgamentos. Robert a fitou com um sorriso pequeno, mas ele não parecia bravo. Parecia estar, de fato, se divertindo com ela. Então, Henrietta pisou no pé dele, de propósito. Ele ficou impassível, sem demonstrar nada. - Me perdoe – ela disse, sem nenhuma sentir culpa, absolutamente. - Seus pés são como plumas – ele disse. E ela não sabia se ele estava sendo sarcástico. Quando a música acabou, ela tentou sair sem a escolta dele, mas ele a puxou pelo cotovelo. - Devemos sair juntos, ou seremos alvos de especulação – ele disse, em voz baixa, perto do ouvido dela. Ela o seguiu e pode perceber o quanto estavam sendo julgados. Ela pode até mesmo ver lorde Carlisle, com sua nova amante, em canto do salão, olhando para eles. O pai de Henrietta não estava em nenhuma parte e ela pode ver John Miller parado, do outro lado do salão, conversando com os outros cavalheiros. Entre eles, lorde Beaumont. - Para onde estamos indo? – ela perguntou a Robert, enquanto ele parecia arrasta-la para a sacada. As portas estavam abertas e havia outros convidados ali. Ele a soltou, assim estavam do lado de fora. Ali podia se ver os jardins e árvores ao redor da propriedade. Havia outros casais e as conversas eram ouvidas em fragmentos. Ela não conseguia ver claramente Robert devido à escuridão, mesmo com as lâmpadas a gás do lado de fora. - O que a senhorita estava fazendo com Miller? – ele perguntou, com a voz baixa, apenas para que ela ouvisse. Havia raiva contida em sua voz. Ela quis rir. Ele estava com ciúmes? - Estou percebendo algo aqui, milorde – ela disse, com zombaria – Está com ciúmes? - Jamais. Apenas quero avisa-la de que Miller não é um homem confiável – ele disse, com a voz sombria – E não será bom para a senhorita. - E o senhor seria bom? – ela provocou. Ela pode perceber que assim que o provocou, as mãos dele se apertavam em punhos, ao lado dos seus quadris. - Não me provoque – ele a advertiu. - Ora, e o senhor não me amole – ela revidou, se afastando dele. Sabia que estava fazendo uma grande cena, mas não se importava. Apenas se afastou dele, com raiva e rumou para o salão, onde poderia ser vista. Rumou para a mesa de bebidas logo encontrou suas amigas. As senhoritas sufragistas estavam perto da mesa, e algumas estavam sentadas. Algumas delas evitavam dançar, outras não dançavam, pois não chamavam a atenção dos cavalheiros. - Olá – Henrietta cumprimentou feliz por vê-las. - Olá, Henrietta – disse Amy Stuart, entusiasmada – Viu meu irmão hoje? Ele me deixou aqui é desapareceu com Thomas. Era comum que o irmão de Amy, Joshua Stuart e seu amigo Thomas Murray, ficassem sempre nos salões de jogos. Se eles acompanhavam Amy, era apenas para que ela ficasse sozinha, depois de um tempo. Os pais de Amy e Joshua era o conde de Devon. Lady Katherine sorriu para Henrietta, sempre amável. A senhorita Jane Appleton, Lucinda James e Claire Simon, filha do visconde de Stratford, também estavam presentes. E todos foram amáveis com Henrietta. - Realmente não o vi, Amy – Henrietta respondeu. - Essa noite parece interessante – comentou lady Katherine, batendo o leque vermelho sobre o rosto de porcelana. Seus cabelos loiros emolduravam seu belo rosto - A senhorita está sendo perseguida por dois cavalheiros distintos. Lorde Klyne e o senhor Miller. Isso realmente é interessante. Henrietta ficou vermelha. - Mas, nem conhecemos o senhor Miller. Nunca ouvi falar dele – Jane Appleton comentou. - Ora, mas deve ser novo na cidade – Lucinda James argumentou. - E tem sotaque irlandês. Isso é estranho – comentou Claire Simon. - Eu dancei com ele e parece tão perigoso – Amy comentou, com as bochechas afogueadas. Henrietta via as damas conversarem, como se fosse um jogo de ping e pong. Não sabia em quem se concentrar. Lady Katherine riu para ela. - Ah, Henrietta, a senhorita tem sorte. É isso que lhe digo. Se agarrar Klyne, já será uma viscondessa – ela disse como se fosse motivo de orgulho. - Mas, nosso grupo e justamente para damas que não querem se casar – Jane argumentou, com um olhar feroz para Katherine, que foi a única casada ali e era viúva. Ela encolheu os ombros pequenos - Ora, não amole Kate – Lucinda a defendeu – Jane, você é m*l amada. - Eu? – a dama disse, indignada. Seus cachos escuros saltavam sobre o rosto, conforme ela balançava a cabeça, negando – Eu sou honesta. E não precisamos dos homens. - Eu não veria problema em me casar – Amy argumentou. - E eu preferia morrer solteirona – Jane disse feroz. Lady Katherine suspirou. Estava enfadada daquela conversa. Por ser viúva, ela sabia como era as regras na sociedade. Jane teria que ter sorte para não se casar e ter um dote gordo para viver sozinha. Lady Katherine não teve um bom casamento, de fato. Casou-se com um homem que era viciado em apostas e morreu em um duelo. A reputação de Katherine ficou em frangalhos por causa disso. E o atual lorde Ashbourne, o enteado, era tão pior quanto seu marido. Ele até mesmo tentou se casar com ela, mas acabou contraindo matrimonio com outra dama, que o fisgou. A senhorita Elisa Melvins conseguiu o casamento, apenas por estar sozinha com ele em uma biblioteca. E havia armado contra ele, é claro. Katherine gostou disso, pois assim se viu livre do atual lorde Ashbourne. Mas, ainda era da família e precisava vê-lo. E ele fazia questão de tentar fazer dela sua amante. - Senhoritas – o senhor Langford se aproximou delas – É um prazer vê-las essa noite. Elas o cumprimentaram, contudo, Jane fingiu não vê-lo. - Eu gostaria de solicitar uma dança com lady Katherine, se não for incomodo – ele a fitou com os olhos escuros e quentes. Fazia meses que Langford estava a cortejando. E Katherine fugiu dele. Sabia que ele era um libertino e que, para piorar, ela amigo de lorde Beaumont, que tentara várias vezes a arrastar para uma sala de música e tentar ter relações nada apropriadas com ela. Atualmente ele estava cortejando outra dama. E pobre dela. Era visível que Katherine queria recusar e por isso, Lucinda disse: - Sinto muito, senhor, mas lady Katherine não está bem. Estava indisposta essa noite. Ele a fitou com pesar. - Ó sinto, muito. Mas, tenho certeza que uma das damas está disposta. Senhorita Henrietta? – ele a fitou, com um olhar esperançoso. Nesse momento, o senhor Miller estava se aproximando, pois já era seu intento dançar com a Henrietta mais uma vez. - Creio que a dança é minha, senhor – ele disse. Langford o fitou com os olhos dardejantes. - É claro. Então, a senhorita Lucinda, gostaria de dançar comigo? Não está indisposta, eu presumo? – ele perguntou, em tom irônico. - Não – Ela respondeu, com um muxoxo. Seus olhos violetas demonstravam desagrado – Aceito a dança. Eles rumaram para o meio do salão, assim como Henrietta e John. - O senhor veio para me resgatar? –ela perguntou, enquanto valsavam. Ele lhe deu um sorriso presunçoso. - Se acredita que a salvei, então, me sinto lisonjeado, senhorita. - Bom, devo ficar agradecida – Henrietta respondeu, com um sorriso e olhou para o lado. Langford estava perto demais de Lucinda. Ela temia que ele tentasse algo inapropriado e não prestou a atenção na dança, pisando nos pés de John. - Ai – seu parceiro reclamou. - Peço seu perdão – ela pediu sincera. E envergonhada. - Não há nenhum problema – ele disse, mas seu belo rosto era uma carranca, quando ela levantou os olhos para encara-lo. Quando a dança acabou, ele a deixou com suas amigas, assim como Lucinda fora deixada por Langford. Ela estava tremula. Henrietta a abraçou. - O que houve? – ela perguntou, em voz baixa. - Aquele homem é odioso. Não parava de olhar para meu decote – Lucinda murmurou, parecendo que iria chorar. - Meninas, eu irei levar Lucy para se acalmar – Henrietta disse a as amigas. Elas assentiram. Todas com pena de Lucinda. Então, as duas amigas saíram do salão e rumaram por um correto, decorado com afrescos e quadros bucólicos. Henrietta testou algumas portas do térreo e encontrou uma sala de música. Entrou com Lucinda e disse que já voltaria. Traria um refresco a ela. Depois, conversaria com o seu pai para ir embora e levar Lucinda para casa. - Tranque a porta por dentro, sim. E abra para mim somente quando eu bater. Ela saiu de perto de ouviu o clique na porta. Lucinda estava chorando, antes de Henrietta sair. Henrietta suspirou triste pela amiga e seguiu pelo corredor e para seu azar, encontrou Robert, vindo em sua direção, de forma decidida.
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