David Quincy
Sábado às 16:49 no Sanatório Blackwood, Oxford (Inglaterra).
No entardecer do sábado, onde o cantarolar dos pássaros se confundem com o bater das folhas entre si, envolvendo todos os males presentes.
Foi na despedida do dia ensolarado que idealizei minha retirada. Revisei os detalhes com a ajuda de Ariel. Coloquei em teoria tudo que poderia dar exato ou impreciso.
As inúmeras tentativas de escapar, sempre deram errado. Algo minucioso ou talvez a força do destino, contrariando minha vontade.
Neste horário a vigilância do sanatório é reforçada. Os mastins cobrem cada metro quadrado do local, é praticamente impossível escapar. Porém, me chamo David Quincy e particularmente significa muito, principalmente o meu direito de liberdade.
No jardim do sanatório, onde uma esbelta árvore de cerejeira e suas folhas rosas, colorem toda a tenebrosidade. No outono, observamos sua queda. Todos os pacientes param para deslumbrar seu encanto, uma forma esférica entre eles, apreciando o evento anual.
No banco enferrujado, trabalhamos o meu plano de escapatória. Ariel prometeu seduzir um dos guardas e furtar as chaves do portão principal. Se eu tiver sorte, conseguirei colocar algum veículo para funcionar.
— Não acredito que estou te ajudando, e se te pegam novamente? — Liberou seu pânico.
— Eu sei, aquelas sessões de torturas estão cada vez mais dolorosas. Por que ninguém descobre sobre o que está acontecendo? — Indaguei com cólera.
— Estamos abandonados, não será melhor desistir de vez? Poderíamos nos acostumar com esta realidade. — Ariel está certa, normalmente às pessoas fariam isso, mas apenas não me conformo com o nosso fadário.
— Não posso permitir que desista. Você teve sua vida roubada, assim como a minha. Aquele canalha merece vingança e eu posso te ajudar! — Inclinei-me, pressionando suas delicadas mãos.
Injustiças acontecem o tempo todo e Ariel sofreu com intermináveis dias. Ela coabitou os corredores anteriormente a minha chegada.
Fantasio escapar em algum momento, e levá-la comigo para minha linda casa no condomínio mais caro de Oxford. Seríamos como os amigos unidos pela represália de alguns.
— Não sei o que poderia acontecer comigo se você não estivesse aqui. — Me gratificou.
— Teria chutado a b***a desses marmanjos que te perseguem. — Expôs seu sorriso para mim, que reluz no debilitado sol.
Durante a nossa conversa os mastins se aproximam, exigindo a entrada para os cômodos do lado interno. Não é permitido a mobilidade durante o crepúsculo. Está na hora de nos separarmos e cumprir ambas as partes do plano.
Acatamos as ordens, seguimos para diferentes lados. À noite no sanatório Blackwood é silenciosa. Normalmente os pacientes estão dormindo nas primeiras horas do anoitecer.
É nesse período, onde retiro boa parte do tempo, para lamentar os acontecimentos em meu diário, rasurar as linhas, testemunhar todo desalento corriqueiro.
Não sei ao certo quantos dormitórios são ao todo, mas em cada espaço, dormem quatro pessoas com camas individuais . No silêncio, observo os bramido dos inocentes, pelos poucos sortudos que sobram.
Com o fim do trajeto até o dormitório, apenas a minha cama está vazia, esperando normalmente por seu desejado amigo. Me estiro sobre ela, com os músculos das pernas esticados para frente. Cruzo meus braços por baixo da minha cabeça, observando o teto vazio no breu da noite.
Daqui a algumas horas, será o momento de executar o plano. Espero que Ariel consiga sair ilesa e sem consequências das minhas mirabolantes ideias, mas nem o Sr. Albert segura àquela leoa e muito menos sua força de vontade.
Nesta mesma noite, onde os corvos estão assombrando os arredores.
Não haveria adormecido com o passar das descrentes horas. Observo o ponteiro do relógio, preso na parede ao meu lado esquerdo e já está no momento, combinamos de nos encontrarmos no saguão.
Saio sorrateiramente com pegadas vazias, calço minhas sandálias e vou ao encontro de Ariel. Ao sair do dormitório, me deparo com o passadiço dos guardas apostos, poucas luzes acesas, e o escuro domina grande parte do corredor.
Agachado e em movimento, faço a passagem até o saguão, tento ser o mais discreto possível. Meu coração não está nos seus batimentos normais, acelerado e ansioso ao clima atual.
Cruzo o último corredor, passando pelo refeitório. Esse lugar é o menos vigiado, possibilitando acesso livre até o saguão. Me locomovo, mas não consigo encontrá-la no escuro da noite gélida.
Colado a parede branca, estou a sua espera. Os guardas se movimentam aleatoriamente, sem perceber minha presença.
— Cadê você, Ariel? — Aproximei meus dentes debatendo entre si, impactado pelo intenso frio.
Alguém se aproxima com leves pisadas no solo. Fiquei estarrecido, até confirmar a presença de Ariel. Me entrega as chaves. Ela conseguiu como havia pressentido.
— Foi difícil? — Estou entusiasmado.
— Prometi coisas que nunca vou cumprir, mas resolvo esse probleminha depois. — Não demonstrou importância. — Agora você precisa ir! — Comunicou ressentida.
Abracei Ariel na emoção da despedida, estou agradecido por sua ajuda e sempre lembrarei disso. Espero voltar em breve para buscá-la, assim como eu, ela merece recuperar os dias perdidos.
— Obrigado! — Me despeço.
Saio do saguão, seguindo o caminho à esquerda. No local possui dois guardas, sorrateiro, fico à espera das mudanças de posições. Instantes depois, surgiu uma oportunidade. Passei despercebido por eles, atravessando a sala do diretor que está ao lado.
No portão principal têm mais dois seguranças. Não tem como passar por eles, mas não posso desistir agora, preciso encontrar uma solução.
— Vamos, David! — Sussurrei na escuridão.
A procura de algo, encontro uma pequena pedra no chão com distância de um metro, pela minha análise. Agachado, consigo segurá-la em mãos, chamando a atenção dos guardas para longe. A passagem está liberada, preciso apenas transitar entre ela e estarei livre.
Caminho despreocupado em direção a saída, até que uma voz ecoou pelo salão escuro. Meu ar parou e todas minhas articulações tremeram, fui descoberto.
— Aonde acha que vai, bonitão? Pensou que fugiria tão facilmente? — Fiquei inerte ao ouvir a voz de j**k Scooter.
O que ele está fazendo aqui? Será que Ariel está bem? Nunca estive tão perto de conseguir minha liberdade. Ele não me deixará ir tão facilmente. Seu olhar demonstra o quão forte quer estragar meus planos.
— Deixa eu ir j**k, pensa bem, você não vai precisar mais lidar comigo, estaremos livres um do outro! — Tento uma abordagem alternativa.
— E o que eu ganharia te ajudando? Não quero te ver livre. Este lugar não seria o mesmo sem você, preciso ter atormentar, entende isso, não é? — Zombou das minhas súplicas.
— Vai se f***r, i****a! — O insultei, chamando atenção dos mastins.
— Eu sinto muito, cara, mas hoje não é seu dia de sorte. — Tentou sair dos aposentos.
Somos encontrados pelos vigias, nos seguram por trás, fazendo uma breve interrogação:
— O que estão fazendo aqui? — Um dos seguranças ordena uma explicação plausível.
— Ele estava tentando fugir. — j**k me dedurou.
— Isso é verdade? — Questionou o guarda.
— Sim e ele me ajudou. — Menti.
— Não é verdade. Ele está mentindo! — j**k se desespera.
— Não adianta fingir, j**k, fomos descobertos! — Posso até ir para a solitária, mas vou amar, levá-lo comigo nem que seja por uma noite, ele merece.
Somos arrastados até o quarto branco. j**k gritou durante todo o percurso, acordando às pessoas do sanatório. Enxerguei Ariel a metros de distância e ela me olha desiludida. Outra tentativa falha de fugir daqui, diminuindo cada vez mais a nossa esperança.
Nos jogam para dentro do recinto. j**k encontra-se desesperado e provavelmente não acostumado com o quarto do silêncio. Minha companhia aumenta ainda mais sua tortura. Farei esta madrugada ser longa e dolorosa para ele. Quero descontar toda minha cólera no culpado de prolongar meus dias no sanatório.