CONTINUAÇÃO DO FLASHBACK
Ao se aproximar da geladeira, Bryan ficou frente a frente com Axel, que segurava a long neck com firmeza, os olhos azuis fixos nos dele.
Bryan riu, um riso debochado e frio, percebendo o clima tenso que se formava, mas ninguém mais parecia notar. O ar entre eles estava carregado, pesado, eletrificado.
Axel, que não conseguia mais conter a raiva e o ciúmes, se inclinou discretamente e murmurou, baixo, apenas para Bryan ouvir:
— Pode sorrir agora, irmão... mas quando ela vai dormir, é nos meus braços que ela deita. E naqueles momentos é meu nome que ela geme quando está chegando ao clímax.
Bryan congelou por um instante. A provocação foi como um estalo elétrico, e em um impulso cego de raiva, ele desferiu um soco potente em Axel. Axel não caiu com o impacto; em vez disso, seus olhos brilharam de raiva e ele devolveu o golpe com a mesma intensidade.
Os dois se atracaram, o som de madeira rangendo, copos quebrando e pratos caindo misturando-se aos gritos contidos de Mia: "parem com isso". A mesa tremeu, as cadeiras tombaram, e parte da decoração luxuosa da área externa foi quebrada no caos. Cada golpe, cada empurrão, cada gesto era carregado de raiva, desejo e possessividade, uma disputa silenciosa sobre Mia e o que cada um acreditava que tinha direito sobre ela.
Mia se manteve entre eles tentando apartar a briga, o coração acelerado, dividida entre medo, excitação e culpa. Ela sabia, com cada fibra do corpo, que aquele conflito não era apenas físico — era a guerra silenciosa pelo seu coração, pelo seu desejo, pela posse que cada um sentia de uma maneira diferente.
O vento do mar parecia aumentar a tensão, balançando as palmeiras ao redor, enquanto Bryan e Axel continuavam, irracionais, quase selvagens em sua disputa silenciosa, e Mia era a verdadeira razão de toda aquela explosão de raiva e desejo.
Os pais e familiares os separaram, mas aquela cena era mais comum do que o sol nascendo no horizonte. Eles brigavam constantemente desde crianças, então ninguém estranhou o momento.
Mais tarde naquele dia, quando Mia finalmente conseguiu se livrar da presença de Bryan, ela se encontrou com Axel em uma área mais distante da mansão, onde os olhares não estavam presentes e ela podia, finalmente, estar com ele.
Axel a esperava sentado, sem camisa, os músculos à mostra, as tatuagens destacando-se sob a luz suave, o cabelo n***o impecavelmente cortado. Ele sentiu a presença dela assim que se aproximou, observando cada movimento de Mia. Ela havia tomado banho, tentando amenizar o cheiro de Bryan que ainda pairava sobre ela — uma lembrança incômoda de toda a tensão do dia.
Ele estava sentado em uma espreguiçadeira longa e acolhedora. Ao vê-la se aproximar, afastou-se levemente, convidando-a a sentar. Assim que Mia se acomodou, Axel a envolveu com os braços. Ela respirou fundo, a cabeça pesada, os pensamentos a consumindo.
— Eu sinto muito, Ax... toda essa situação... — sussurrou, com a voz quase quebrada.
Ele beijou o alto da cabeça dela e respirou profundamente, sentindo o cheiro dela:
— Tá tudo bem, KitKat. Eu sei como é... eu aceitei. Você não tem culpa de nada. Só vamos aproveitar cada segundo juntos.
Mia levantou a cabeça do peito dele, os olhos marejados, a testa franzida:
— Eu não quero ficar te colocando no meio disso... queria poder desfazer o vínculo com ele...
Axel a olhou com aqueles olhos azuis intensos e profundos:
— Mia, eu não me importo com isso. Eu também estou no meio disso. Desde que você nasceu, mesmo sendo destinada a ele, eu sempre te amei. E eu vou aproveitar o que puder. Cada segundo é meu, KitKat.
Desde que eram crianças Axel a chamava de KitKat em referência ao nome dela.
Ela se inclinou e o beijou de leve, sabendo que o amor de Axel era sincero, profundo e verdadeiro. No fundo, ela não entendia como sua própria alma sentia a mesma coisa. Tudo com Axel era natural, leve; a química e a sintonia entre eles era forte, algo que não precisava ser explicado, Mia desejava que ele fosse seu companheiro destinado.
Enquanto se beijavam, os braços dele a envolviam, quentes e protetores, e Mia sentiu que queria estar ali apenas com ele. Com os outros trigêmeos, ela não conseguia se entregar daquela forma, ela os amava mais ainda assim parecia que no ápice do momento algo a impedia; e ela sentia a frustração deles de Niel e Gael, mas com Axel a sintonia fluía naturalmente.
Ele se levantou sobre ela, sorrindo:
— O que você acha de nadar?
Axel a puxou, e caminharam juntos pela areia quente e clara até a beira do mar. Tiraram as roupas de forma natural, e a visão de Mia, totalmente nua sob o brilho da lua, fez Axel quase sem fôlego:
— Você parece que foi desenhada por inteligência artificial de tão perfeita.
Ela riu, corando, e tentou fugir para a água:
— Você vai ter que ser mais rápido.
Ele riu e a acompanhou, entrando com ela no mar calmo e morno. Riam, jogavam água um no outro, até que Axel finalmente conseguiu segurá-la. Mia envolveu a cintura dele com as pernas, os braços ao redor do pescoço, a testa grudada na dele. Em meio ao sorriso natural dos dois, se beijaram intensamente, as línguas se encontrando em perfeita sintonia, corpos e almas conectados, livres da presença de Bryan — ao menos por aquele momento.
FIM DO FLASHBACK
Mia se levantou do colo de Bryan, a leveza do momento anterior desvanecendo-se instantaneamente. O desconforto por toda aquela cena, a exposição pública de suas feridas e a intromissão de Axel, a fez sentir-se invadida. A raiva começava a borbulhar em seu peito, mas ela se forçou a manter a calma, pelo menos por um instante. Seus olhos cinzentos fixaram-se nos três irmãos, cada um deles uma parte de um passado complexo, cada um com sua própria dor refletida em seus rostos.
Ela respirou fundo, tentando parecer mais forte do que se sentia por dentro. Ficar revivendo traumas e dores do passado era mais desgastante do que passar uma semana inteira patrulhando e lutando para proteger o território da alcateia.
Ela se aproximou deles, o corpo tenso, mas a postura ereta, a voz baixa, mas carregada de uma autoridade que exigia atenção. O som das chamas da fogueira pareceu intensificar-se ao redor deles, e a música suave da celebração continuava ao longe, criando um contraste quase irreal com a cena que se desenrolava.
— Vocês querem saber por que eu não perdoei vocês? — A pergunta de Mia flutuou no ar, mais uma declaração do que uma questão, carregada de uma dor antiga e uma verdade crua.