Lopes Narrando
Ela pediu e foi exatamente o que eu fiz.
Meti nela com uma força que fez o banco da viatura gemer, e ela gemeu mais alto ainda, um som rouco e satisfeito que ecoou no espaço apertado. Ela era quente, apertada, perfeita. E o jeito que ela se encaixava em mim, como se tivesse sido feita pra isso, pra aguentar o meu tamanho, a minha força… pørra, é de matar.
Segurei a cintura dela com força, guiando o ritmo, enquanto ela cavalgava em mim com uma urgência que deixava claro: ela queria isso tanto quanto eu. Cada investida minha encontrava o movimento dela, criando um ritmo brutal e perfeito. A viatura balançava levemente, o vidro ficou embaçado com o calor dos nossos corpos, e eu não poderia me importar menos.
— Isso… assim, pørra… — ela gemia, a cabeça jogada pra trás, os seiøs balançando no ritmo do sexø.
Eu não conseguia tirar os olhos dela. Carolina. A morena do short de couro, da moto vermelha, da atitude que desafiava qualquer autoridade, inclusive a minha. A mesma que horas antes tinha me olhado com um sorriso malicioso e perguntado se eu era policial novo. Agora estava aqui, debaixo de mim, ou melhor, em cima de mim, me levando ao limite com uma naturalidade que era assustadora.
Quem é essa mulher?
A pergunta martelou na minha cabeça entre um gemido e outro. Ela era do morro, isso era óbvio. O endereço da CNH, o jeito de falar, a coragem de andar sozinha de madrugada. Mas não é só mais uma. Tinha dinheiro – a moto era nova, a roupa, apesar de curta, são de marca. Tem postura. Quando ela me encarou na blitz, não foi com medo ou submissão. Foi com desafio. Como alguém acostumado a mandar, não a obedecer.
E isso me deixou ainda mais louco por ela.
— Pensando no serviço, doutor? — a voz dela, rouca e provocante, me puxou de volta.
Ela tinha desacelerado os movimentos, agora rebolando lentamente, profundamente, me fazendo sentir cada centímetro dela de um jeito torturante. Seus olhos estavam fixos nos meus, cheios de malícia e uma centelha de curiosidade.
— Tô pensando em como uma mulher como você tá aqui comigo — respondi, a verdade escapando antes que eu pudesse filtrar.
Ela sorriu, um sorriso lento e perigoso.
— Mulher como eu como?
— Linda. Destemida. Problema ambulante — listeio, as mãos apertando os quadris dela.
Ela riu, um som genuíno e aberto que fez algo estranho acontecer no meu peito.
— Problema é a minha especialidade. E você, cabo? Não é um pouco problemático também, transandø com uma civil dentro da viatura em serviço?
A provocação dela acertou em cheio. É exatamente o pensamento que eu tentava afastar. A quebra de conduta, o risco, a merda colossal que seria se alguém descobrisse.
— Eu devia estar me preocupando com isso — admiti, minha voz saindo mais grave. — Mas com você aqui, assim… fica difícil pensar em qualquer outra coisa.
Ela parou de se mover por um segundo, estudando meu rosto. A expressão dela mudou, a malícia deu lugar a algo mais sério, quase vulnerável.
— Então não pensa. Só sente.
E ela começou a se mover de novo, e dessa vez foi diferente. Mais lento, mais profundo, mais… íntimø. Foi como se a provocação inicial tivesse dado lugar a uma conexão real, crua e perigosa. Meus dedos encontraram os dela, entrelaçamos as mãos contra o banco de vinil. O som dos nossos gemidos misturados, da pele batendo na pele, do metal rangendo sutilmente, era a única música.
Eu a vi se aproximando do limite de novo, os músculos do rosto tensionando, os lábios entreabertos. Eu também estava lá, a pressão na base da espinha avisando que não aguentaria muito mais.
— Vem comigo, Carol — grunhi, perdendo o pouco controle que ainda restava. Minhas mãos foram para a bundä dela, puxando-a com força contra mim, afundando até o talo a cada investida.
— Lopes… pørra, Lopes… — ela gritou meu nome, e foi a gota d’água.
Eu explodi dentro dela com um rugido abafado, e senti o corpo dela tremer violentamente em resposta, outro orgasmø a atingindo em onda. Ela desabou sobre meu peitø, ofegante, suada, tremendo. Eu a envolvi com meus braços, segurando-a ali, enquanto a respiração aos poucos voltava ao normal.
Por um longo minuto, não dissemos nada. O silêncio era quente, pesado, carregado do que havíamos feito. A realidade começava a voltar, lenta e inexorável. Eu estava num beco escuro, numa viatura da PM, com uma mulher que eu não conhecia, depois de ter jogado meu código de conduta pela janela.
E, pela primeira vez em anos, eu não me importei com as regras.
Ela se moveu, saindo de cima do meu paü. Se sentando de lado no meu colo, o corpo ainda relaxado contra o meu. Peguei minha camisa do chão e a usei para limpar suavemente a testa e o peito dela. Ela observou, um sorrisinho cansado nos lábios.
— Policial cavalheiro? — provocou, mas a voz era suave.
— Só não gosto de ver uma obra de arte toda bagunçada — respondi, e ela riu.
A luz fraca da rua entrava pelos vidros embaçados, iluminando o perfil dela. Ela era linda de um jeito que dava raiva. E, olhando para ela agora, com a guarda baixa, uma ponta de dúvida entrou na minha mente.
Quem é ela, realmente? O que uma mulher com esse fogo, essa inteligência, estava fazendo no Dendê? É apenas uma moradora? Uma empresária? Ou algo mais?
Algo mais… como a filha, ou a mulher, de algum chefão do tráfico.
O pensamento caiu como uma pedra no meu estômago. Meu pai, o juiz Otávio Mendonça, passava dias e noites montando operações para derrubar justamente os caras que controlavam morros como o Dendê. E eu aqui, me envolvendo com alguém de lá.
— Tá longe? — a pergunta dela me tirou da espiral.
— O quê?
— O pensamento. Você tá a quilômetros daqui.
Olhei para ela, para os olhos escuros que me fitavam com uma curiosidade genuína. Era minha chance. Perguntar. Investigar, mesmo que de leve.
Mas as palavras não saíram. Eu não queria saber. Neste momento, neste espaço fora da realidade que a gente tinha criado, eu não queria que ela fosse Carolina Batista, possivelmente ligada ao tráfico. Eu só queria que ela fosse a morena da blitz. A mulher que me fez sentir vivo de um jeito que eu já não lembrava ser possível.
— Só tava pensando que você devia ir — menti, a voz rouca. — Antes que alguma patrulha passe e resolva dar uma olhada mais de perto.
A expressão dela mudou. A vulnerabilidade sumiu, substituída pela máscara dura e desafiador de antes. Ela assentiu, deslizando do meu colo e começando a se vestir com movimentos rápidos e eficientes.
Eu também me vesti, cada peça de roupa parecendo colocar de volta um pedaço da minha identidade de policial, um peso sobre os ombros.
Ela estava pronta primeiro. Parou na porta, a mão no puxador. Olhou para mim por cima do ombro.
— Então é isso, doutor? Cada um pro seu lado?
A pergunta tinha uma camada de desafio, mas também de… esperança? Eu não sabia.
Me aproximei, passando a mão pelo rosto dela, sentindo a pele macia sob meus dedos ásperos.
— Isso nunca vai ser só isso, Carol — disse, e vi seus olhos se arregalarem um pouco. — Você sabe disso.
Ela mordeu o lábio, mas não respondeu. Abriu a porta. O ar fresco da noite invadiu a viatura, dissipando o calor e o cheiro de sexo.
— Até a próxima blitz, então — ela disse, e saiu, desaparecendo na escuridão do beco.
Fiquei parado ouvindo o som dos passos dela se afastando até sumir. Então sentei no banco do motorista, as mãos no volante, olhando para o nada.
O que eu tinha feito?
Mais importante: o que eu ia fazer?
Porque uma coisa é certa. Aquilo não tinha sido um erro. Tinha sido um ponto de virada. E Carolina, quem quer que ela fosse, tinha acabado de entrar na minha vida para bagunçar tudo. E a parte mais füdida? Eu não queria que ela fosse embora.
Continua...