Capítulo 53 Babau

1228 Words
Babau Narrando Putä que pariu, viado. Que adrenalina do c*****o, mermão. Eu já sabia que a trocação ia ser grande. Já sabia que essa invasão ia vir pra arrebentar. Nós já estávamos esperando por ela antes mesmo que o informante do Zeus avisasse. Pensa na p***a de uma invasão esperada. Eu, o Neguinho e a Carol sempre trocava ideia sobre isso. Sempre falava: "Um dia eles vêm. E quando vierem, tem que ser pra matar ou morrer." Aqui dentro, a gente cresceu sabendo dessa rivalidade entre o Zeus e o arrombado do juiz. Até quando não tivesse do que nos acusar, ele ia nos acusar. Ele nunca superou alguma treta do passado dele com o Zeus. E olha, não tô falando de treta de 2 anos não. Tô falando de treta aí de mais de 30 anos. Essa p***a ainda vai dar morte. Se não for do nosso lado, melhor ainda. Só que quando os fogos estouraram no céu, que geral já correu cada um pro seu posto, o rádio chiou e a Carol já desceu no veneno. O Zeus, como sempre, nunca deixou só na mão da gente. Meu coroa e o coroa do Neguinho também marcaram presença na linha de frente. Aí, viado, o trem ficou feio. Foi aquela trocação sinistra. A Carol mirava como se quisesse acertar um único alvo. E eu sabia qual era. Aquele filho da p**a do Lopes. O problema é que eles também tinham um alvo, e era o Zeus. E eles iam fazer de tudo pra tirar ele do morro, vivo ou morto. E a Carol ia fazer de tudo pra defender ele. Quando ela chegou perto da casa alta, eu e o Neguinho tava dando cobertura. Vimos tudo. O bagulho saiu do helicóptero e atingiu o prédio. Nós gritamos, tentamos avisar, mas não deu tempo. Vimos o Zeus puxar ela pra dentro junto com ele. Só que a explosão jogou ele pra fora. E o prédio desabou todinho em cima dela. — NÃO! — eu gritei, mas minha voz se perdeu no meio dos tiros. Foi aí que os filhos da p**a levaram ele. Ele tava caído, chamando por ela, e eles levaram. A voz da tia Janete no rádio chamando pela filha foi de cortar o coração. Dava pra sentir o desespero dela de longe. Não podíamos mexer nos escombros enquanto os ratos ainda tivessem dentro do morro. Então ficamos na trocação. Ficamos atirando até colocar o último pra fora. Quando o carro capotou, eu jurei que o Zeus ia morrer. Ou no capotamento, ou baleado pelos ratos, porque eles tavam na porta. Quando os fogos estouraram no céu anunciando o fim, eu e o Neguinho voltamos correndo. Já pedimos pra reagrupar geral. Uns pra fazer o limpa no morro, outros pra poder procurar pela Carol. Começamos a levantar concreto, tijolo, móvel. E parecia que quanto mais nós mexia, mais vinha a certeza de que ela tinha sido esmagada. Deixa eu passar a real pra vocês. Meu nome é Baltazar, diferente né? Mas isso não importa, ninguém nunca me chamou pelo meu nome de batismo. Até meus pais me chamavam pelo meu vulgo, já que foi minha mãe quem me deu ele, e por incrível que pareça o Zeus e a Carol fizeram questão de intensificar a ideia. Então esse é meu vulgo é Babau. Tenho 25 anos, 1.85 de altura. Não sou brancø e nem negrø, sou pardo. Não sou um tanque, mas também não sou um frangote. Meu pai era um dos braços direito do Zeus. Cresci junto com a Carol e o Neguinho. Comecei cedo, então aos 15 eu já tava na guerra. Fui treinado pelos melhores. E agora tô aqui, cavando, tirando entulho, tentando procurar o corpo não só da minha chefe, como da minha melhor amiga. O Neguinho tava do meu lado, a cara fechada, os olhos vermelhos. A gente não falava nada, só cavava. A cada pedaço de concreto que a gente tirava, o coração apertava mais. Será que ela tava ali? Será que ela tinha resistido? — Vamo desistir? — o Neguinho perguntou, a voz rouca. — Amanhã a gente continua. Tá escuro, não tamo vendo nada. Olhei pra ele. A exaustão estampada no rosto. O sangue seco nos braços. A gente tava há horas ali. — É... amanhã a gente... Foi quando a gente ouviu. Um gemido. Baixinho. Fraco. Mas existia. — CARALHØ! — gritei, largando o pedaço de concreto que eu tava segurando. — NEGUINHO, CÊ OUVIU? Ele parou. Ficou em silêncio. A gente prendeu a respiração. Mais um gemido. — CAROL! — o Neguinho gritou, a voz ecoando no vazio. — CAROL, CÊ TÁ AÍ? CAROL! Corremos na direção do som. Começamos a cavar com as mãos, sem pensar, sem raciocinar. Só cavar. — CAROL! RESPONDE, PØRRA! — eu gritei, as lágrimas já misturadas com o suor e a poeira. — A GENTE VAI TE TIRAR DAÍ! SÓ NÃO APAGA! O gemido veio de novo. Mais fraco. Mas veio. Ela tá viva. A Carol tá viva. — TRAZ PÁ! TRAZ ENXADA! QUALQUER p***a QUE LEVANTE ESSAS PAREDES! — eu berrei, a voz rasgando minha garganta. — TEM ALGO GRANDE AQUI EM CIMA DELA! VAMO, CARALHØ! Os cria vieram correndo. Um tropeçando no outro. Mão sangrando. Olho arregalado. — CUIDADO PRA NÃO DESABAR MAIS! — o Neguinho gritou, mas ninguém queria saber de cuidado. A gente queria tirar ela dali. Eu enfiei os dedos debaixo de uma laje rachada. Pesada pra caralhø. Senti a unha rasgar, senti o sangue escorrer, mas não soltei. — LEVANTA JUNTO! NO TRÊS! — gritei. — UM… DOIS… TRÊS! A gente fez força. A laje subiu alguns centímetros. Foi o suficiente pra outro cria enfiar a enxada e fazer alavanca. — MAIS! MAIS UM POUCO! O concreto rangeu. Parecia que ia cair tudo de novo. — SEGURA! SEGURA ESSA PØRRA! O som da respiração dela vinha fraco. Engasgado. — Babau… — foi um fio de voz. Tão baixo que quase não ouvi. Meu coração despencou. — EU TÔ AQUI, CAROL! — eu gritei, ajoelhando perto do buraco que a gente abriu. — OLHA PRA MIM! NÃO FECHA O OLHO! O rosto dela apareceu no meio da poeira. Sangue na testa. A perna presa debaixo de um pedaço de viga. O Neguinho olhou e virou o rosto por um segundo, segurando o choro. — A gente vai tirar você daí, patroa. Fica quietinha — ele falou, mas a voz tava tremendo. Ela tentou mexer a perna e gritou de dor. — Não… não mexe! — eu falei rápido. — A gente vai levantar isso aqui. — Eu… eu não vou aguentar… — ela sussurrou, os olhos perdendo o foco. — Babau… eu não vou aguentar… Aquilo me atravessou como bala. — VAI AGUENTAR SIM! — eu gritei, segurando o rosto dela sujo de poeira. — FICA CALADA! RESPIRA! NÓS VAMO TIRAR VOCÊ DAÍ! — Você vai aguentar, Carol! — o Neguinho reforçou, enxugando o rosto com o braço sujo. — Tu é mais forte que isso! Os cria voltaram a fazer força. A viga começou a subir devagar. Eu encostei minha testa na dela. — Não apaga. Não me deixa, não. Ela respirou fundo. Tremendo. — Eu… não vou aguentar… — Vai sim — eu falei firme, mesmo sentindo meu mundo desmoronar junto com aquele prédio. — Fica calada. Nós vamos tirar você daí. Continua...
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