Capítulo 7

1443 Words
POV ORION -Olha quem temos aqui, se não é o meu querido amigo...- Ele fala comigo, e sua voz é arrastada como quem já está bebendo a pelo menos metade de um dia. Uma olhada muito rápida e eu só consigo ver uma garrafa de vodca barata na mão e a camiseta suja como a de um sem teto. Ele também fedia a vômito. Eu o encaro sem me importar de responder, não sei quem ele é e nem quero saber, mas acho que se ele for esperto, só percebendo o meu humor de agora vai correr sem olhar pra trás. -O'brien...O filhotinho tá perdido? HAHA - Ele definitivamente não é esperto. Penso nas pessoas ao nosso redor e paro por um momento para pensar nos prós e os contras de arrumar confusão aqui dentro. -Continua me olhando assim, vai! Não vai falar nada não, oh i*****l?? - Contras: eu não quero dar a chance de mais gente me reconhecer. -olha pra esse caco de homem que sua familiazinha fez, por que não me xinga e arranca minhas calças também? faltou levar essas aqui. - Ele segura forte no cinto num gesto que era pra ser sujo e ofensivo, que com certeza vai fazer ele perder uma das mãos. Prós: não tenho mais motivos pra voltar nesse lugar mesmo, não é como se fosse fazer diferença uma expulsão. - Seu desgraçadinho de merda, me responde! anda! -Ele levanta o braço, mas antes que termine o que quer que pretendia fazer com aquela mão vindo em direção ao meu rosto, eu seguro, e ele é arremessado pela pista cheia de gente. Não tenho tempo de pensar em mais prós ou contras, não me importa mais p***a nenhuma. Eu preciso socar alguma coisa e essa alguma coisa veio até mim. Ele deu azar e teve mais de uma chance de sair correndo, agora não vai ter desculpa, nem misericórdia da minha parte. Eu vou atrás de onde ele ficou caído igual a um pedaço de merda e vejo a multidão de pessoas se abrindo ao nosso redor. Ele cospe em uma das minhas botas e eu dou socos e mais socos nele. Os seguranças começam a aparecer um após o outro, algumas pessoas gritam mas eu não me importo. Só quando chegam 5 homens ao meu redor, me separando do homem no chão é que eles têm algum sucesso. Eles me arrastam pelos braços e eu não resisto muito. Vejo as pessoas ainda horrorizadas na pista de dança depois dessa cena. -Apareçam aqui de novo e não sejam enxotados com balas da próxima vez xará. Os seguranças nos empurram pela porta dos fundos e fecham na nossa cara. Eles definitivamente não são do tipo que se importam com o que eu vou fazer com ele do lado de fora, só queriam limpar a barra do estabelecimento. Eu também duvido muito que eles me impedissem de entrar se eu quisesse, mas isso só se eu fizesse uso da cartada certa, e não tem motivos pra eu fazer isso só pra um lugarzinho como esse. Eu olho pro cara que foi arremessado próximo a uma lata de lixo, ele mexe a cabeça de um lado pro outro e solta gemidos de dor. Seus olhos estão fechados e eu desconfio que mesmo que ele quisesse, talvez não conseguisse abri-los devido ao inchaço. Ele perdeu pelo menos dois dentes só nessa brincadeira, e o sangue dele escorrendo já forma uma poça ao seu redor no chão. Limpo o sangue das minhas mãos na calça e sigo andando pela rua. Ele já teve o suficiente por hoje, mas eu definitivamente não. Está na hora de ouvir a vozinha na minha cabeça responsável pelos meus desejos, e deixar ela me comandar por hoje. ◆◇◆◇◆◇◆◇◆◇◆◇◆◇◆◇◆◇◆ Eu paro na frente da janela dela, bem na pequena sacada com vista pra rua. Não foi difícil subir aqui em cima, na verdade fácil até de mais. Ela deveria ter mais cuidado com a segurança da casa dela. Essa pode até ser uma cidade pequena em que pouca coisa acontece independente se é o bairro mais rico ou o mais pobre, mas a verdade é que muita coisa acontece aqui sim, só que longe dos holofotes. Glancester é uma cidade pequena comparada a grandes metrópoles. Na verdade, está mais pra cidade dormitório. Whitebridge é a cidade que costuma receber todos os holofotes por aqui, e onde estão todos os ricaços e magnatas. Fica bem perto, menos de 40 minutos de carro, por isso as pessoas vêm e vão com facilidade. A maioria das pessoas daqui procuram trabalhos por lá e voltam só no fim do dia pra ter um lugar confortável e silencioso pra deitar suas cabeças. Em Whitebridge as pessoas não costumam dormir muito, como toda cidade que é grande demais. É agitada, turbulenta, festeira. Todos andam muito rápido e tem coisas demais para fazer. Mas ao contrário do que todos pensam, é na cidade pequena onde mais acontecem coisas. É pra onde as pessoas não estão olhando. Se alguém vai sumir do mapa, ser sequestrado ou aparecer sem a cabeça, é sempre desse lado da estrada. A essa hora as ruas daqui estão totalmente desertas como se o fim do mundo tivesse enfim chegado. Me aproximo da porta de vidro fechada que dá acesso a sacada. Pelo menos ela se lembrou de trancar. Consigo ver ela dormindo de forma serena, e é tão fácil de se imaginar que talvez realmente sejamos as últimas pessoas da terra. Mesmo que não seja verdade, pra mim ela é a única agora. A única que importa. Cassy. Sussurro quase que involuntariamente, deixando meus pensamentos escaparem pela primeira vez essa noite. Eles tomam posse de mim como um demônio faminto, e eu entro pela porta de vidro que eu tão facilmente destranquei para olhar mais de perto o meu prêmio. Seguro firme a máscara que levava na minha mão e passo o elástico pela cabeça, prendendo ela no meu rosto. Ela ainda não vai saber quem eu sou, vou brincar mais um pouco com ela primeiro. POV CASSY Estou sonhando, sei que estou sonhando pois é bom demais pra ser verdade, e também por não ser a primeira vez que sonho com isso Estou sonhando, sei que estou sonhando pois é bom demais pra ser verdade, e também por não ser a primeira vez que sonho com isso. Eu sinto suas mãos em mim, deslizando por todo o meu corpo e eu solto gemidos. Penso o quanto eu queria saber o seu nome agora, pra gritar bem alto entre todos os sons que estou fazendo, como se fosse uma prece. Eu não quero acordar, mas eu acordo como nas outras vezes. Pelo menos eu achei ter acordado, pois tenho a sensação de ser despertada, e sinto meus olhos se abrindo, mas quando de fato abro eu olho em volta, como se meu sentido aranha imaginário estivesse querendo me dizer algo. Minha visão ainda está embaçada, mas eu consigo identificar a figura parada na frente da p***a que leva a minha sacada, me encarando Eu sinto um tremor forte bem dentro do meu núcleo, e é então que minha mente grita que ainda é um sonho, eu não acordei de verdade. Já tive varias vezes sonhos em que se acorda sem acordar de verdade, e dou graças aos céus se isso significar que posso continuar sentindo suas mãos em mim, mesmo que não sejam de verdade. É terrível, eu sei. Mas é uma coisa que só está acontecendo dentro da minha cabeça, então ninguém precisa ficar sabendo. Eu não contaria isso nem pra minha terapeuta, se eu frequentasse uma. Os sonhos sujos de uma garota não precisam ser da conta de ninguém, exceto dela mesma e dos íncubos escondidos no quarto dela. Isso só está acontecendo na minha cabeça, e eu posso fazer o que eu quiser. Eu olho pra figura na minha frente, parada usando capuz e a mesma máscara de palhaço com um sorriso medonho. Eu mordo meus lábios sem medo algum. Eu sei por que ele está aqui. -Voltou pra me tomar de novo?- Ele inclina a cabeça pro lado, que me lembrou uma expressão confusa ou coisa parecida, mas começou a se aproximar de mim ficando frente a frente da cama em que estou deitada. -O que foi? Estava esperando um grito de pavor? Eu coloco a mão dentro da minha camiseta fina que uso pra dormir e começo a esfregar os meus m*****s duros na sua frente. -Por favor, seu monstro c***l e maníaco, não me mate.
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