A fazenda dormia. O vento leve passava entre as árvores, arrastando o som distante dos grilos e corujas. Era uma noite clara, o céu cravejado de estrelas, tão sereno que parecia impossível que algo r**m pudesse se aproximar daquele lugar. Mas no alojamento, Antônio mantinha os olhos abertos. Enquanto os outros peões roncavam, ele observava o teto de madeira e sentia o peso do que tinha para fazer. O relógio marcava pouco depois da meia-noite. O momento chegara. Levantou-se devagar, sem fazer barulho, e saiu pela porta com passos leves. A noite estava fria. Ele puxou o casaco surrado para se proteger, mas não era o frio que fazia seu corpo tremer. A garagem ficava no lado oposto do pátio. A cada passo, Antônio se lembrava das palavras de Rita: “Um parafuso solto, um corte bem feito, e t

