Henrique Ela fingiu que não me conhecia. Quando Cidinha apresentou sua “sobrinha Isabela”, e ela me olhou como se fosse a primeira vez que via meu rosto, me cumprimentando com educação e um leve sorriso, tive vontade de rir. Mas também de jogá-la nos meus braços ali mesmo e lembrar como ela gemia meu nome naquela cabana. Fingir. Ela estava me provocando. A forma como disse “prazer em conhecê-lo” me deixou em chamas. O vestido florido, leve, balançando com a brisa noturna. Os cachos soltos, o cheiro doce de baunilha que invadiu meu nariz e me levou direto para aquela noite. As coxas torneadas. O sorriso contido. A boca que eu já tinha sentido na minha, quente e desesperada. E agora, ela dançava. Rodava com a prima no meio dos empregados, rindo como se a vida fosse simples. Como se eu

