*Ethan PoV*
O som que escuto a seguir me deixa revoltado. É um tapa. Abro a porta totalmente e a vejo com uma mão no rosto ainda mascarado, seus lábios tremem e percebo seus olhos marejados.
Que tipo de animal bate em uma mulher que se recusa a se prostituir?
ㅡ Área restrita, senhor. ㅡ Diz o ser deplorável que bateu nela.
Percebo vários brutamontes se aproximarem. Robbins, meu segurança, ficou do lado de fora a meu pedido, muito contra à vontade. Não queria arriscar que o contato do Michael o visse e fugisse. Porém, agora, percebo estar em uma desvantagem enorme. Resolvo agir politicamente para evitar um atrito desnecessário. Ajeito o nó da gravata e o terno de forma desinteressada.
ㅡ Devolva o dinheiro ao cavalheiro. Serei eu a ter os serviços de sua exótica dançarina.
Ela me olha furiosa.
ㅡ Eu não sou...
ㅡ Cale a boca, Medusa!
O depravado ergue a mão para bater nela novamente, contudo, eu seguro seu braço.
ㅡ Não estrague a mercadoria. Quero ver um lindo rosto por trás dessa máscara. Não algo desfigurado por hematomas.
O outro homem que ofereceu dinheiro por ela entra em circuito.
ㅡ Cougar, nós tínhamos um acordo!
ㅡ Bom, agora parece que tenho que fazer um leilão, pois Medusa despertou o interesse desse outro senhor muito refinado, Régis. ㅡ Ele direciona sua atenção para mim. ㅡ Quanto oferece por ela?
Seu tom diabólico me causa náuseas.
ㅡ Quanto quer por ela?
Não sei os valores que circulam em um local como este, por isso é melhor deixá-lo falar. Ele coça o queixo um momento.
ㅡ O Régis está pagando cem dólares pela hora.
Que ridículo!
ㅡ Pagando uma ova! Não concordei com nada disso!
Ela esbraveja contra o tal Cougar, que com certeza é o caf&tão do lugar. Ele se limita a suspirar, passando uma mão pelo rosto, e estala os dedos na direção de um dos seguranças.
ㅡ Mantenha essa v@dia quieta!
O brutamontes a pega por trás, tapando sua boca com uma mão, enquanto ela esperneia desesperada. O tal Régis resolve se meter a esperto.
ㅡ Aumento para cento e cinquenta!
Estou acostumado a leilões. Promovo vários em minhas festas beneficentes. No entanto, aqui tenho que encerrar a discussão de uma vez.
ㅡ Vinte mil em dinheiro vivo, pelo resto da noite, é claro.
Os olhos do caf&tão se abrem tanto que parecem querer pular para fora das órbitas. Ele encara meu oponente miserável, que se limita a dar de ombros e se retirar. Então, seu olhar me questiona.
ㅡ Espero que tenha a grana que ofereceu.
ㅡ Está com meu agente do lado de fora do seu estabelecimento. Posso chamá-lo?
Ele faz um gesto com a mão consentindo. Puxo o celular do bolso externo do meu terno e ligo para o meu segurança.
ㅡ Robbins. Vinte mil em cash. No aguardo.
Temos um jogo de palavras para indicar se estou em perigo ou não. “No aguardo” significa “situação complicada, porém sob controle”. Ele vai entender que não precisa invadir o lugar com um monte de agentes para me dar apoio. Em poucos minutos, ele surge com uma maleta. Ele observa a sala onde estamos e entra cautelosamente. Jace Robbins é meu braço direito no quesito segurança. Homem experiente pelo seu tempo de serviço nas forças especiais, que lhe rendeu uma cicatriz no rosto.
ㅡ Aqui está o que pediu, senhor.
Ele coloca a maleta sobre uma mesa e a abre, revelando as notas que fazem nascer um sorriso no rosto do caf&tão.
ㅡ Pode levar.
Viro-me para Medusa, que é solta pelo segurança, e lhe estendo a mão.
ㅡ Eu não concordei com isso...
ㅡ Entendo, porém, se quer sair daqui ilesa, sugiro fortemente que me acompanhe, senhorita.
Ela dá uma rápida olhada ao redor e suspira. Segura minha mão e eu a guio para fora do estabelecimento, com Robbins logo atrás de nós. Caminhamos uma quadra até chegar no local onde meu segurança estacionou a limusine. Ele também é meu motorista particular. Confio minha vida totalmente a ele. Quando vê o veículo, ela fica boquiaberta. Robbins normalmente abre a porta do carro, dessa vez, me adianto para fazer essa cortesia para ela.
ㅡ Esse carro é seu?
ㅡ Sim. Damas na frente, por favor.
Ela entra, eu fecho a porta e vou para o outro lado, cuja porta já foi aberta por meu motorista. Quando ele assume sua posição ao volante, me pergunta:
ㅡ Destino, senhor?
Olho para minha “acompanhante” que suspira desanimada sem me encarar, enquanto aperta nervosamente sua bolsa.
ㅡ Eu suponho que o senhor deseje uma compensação pelo dinheiro que gastou comigo.
ㅡ De forma alguma, só fiz o que um cavalheiro deveria fazer em uma situação de abuso como aquela. Na verdade, eu estava me perguntando o que uma mulher virtuosa e talentosa como você fazia em um antro abominável como aquele.
ㅡ Não sou prostituta, porém tenho que pagar as contas, esse foi o único lugar que achei para trabalhar depois de perder meu último emprego.
ㅡ Você é dançarina profissional?
ㅡ Não. Eu trabalhava em uma imobiliária como administradora de imóveis.
Que interessantemente.
ㅡ O que você fazia?
ㅡ Tudo, para ser sincera. O dono era um aproveitador barato, mas pagava bem. Eu fazia a folha de pagamento dos funcionários, catalogação dos imóveis, entrava em contato com os clientes... No entanto, a empresa fechou. ㅡ Rio de forma irônica não intencional e ela percebe. ㅡ A culpa não foi minha, tá legal? O proprietário tentou burlar o fisco e foi pego. Todos os seus bens foram confiscados pelo governo. Eu sequer recebi indenização e me vi com aluguel e contas para pagar de uma hora para outra sem ter um trabalho para me sustentar. Uma garota que fazia dança comigo me indicou esse lugar aqui. Eu me fiz clara que seria apenas dançarina, porém esse cafajeste do Cougar tinha outras intenções. Agora tenho que procurar outro emprego, caso contrário, vou ser despejada.
É uma de muitas histórias tristes que já ouvi ao longo da vida, contudo, por alguma estranha razão, me sinto compelido a ajudá-la. Retiro o talão de cheques de um bolso interno do terno.
ㅡ De quanto você precisa para o aluguel?
ㅡ Não posso aceitar. O senhor já gastou demais comigo hoje.
ㅡ O dinheiro que entreguei àquele caf&tão foi uma doação em prol de uma boa causa. Este agora é um adiantamento. Tem uma vaga de secretária no setor de Recursos Humanos na minha empresa. Se o seu currículo for tão bom quanto diz, vai tirar de letra.
De repente, ela desaba em lágrimas e eu fico completamente sem saber o que fazer. Olho para Robbins, que dá de ombros e se vira para frente. Nunca tive que confortar alguém em uma situação como a dela. Resolvo pegar uma caixa de lenços do compartimento à minha frente e lhe entrego.
ㅡ Obrigada! Desculpe! Eu... Eu realmente não sei como agradecer! Estava ficando desesperada!
Eu sorrio de sua sinceridade e faço meu pedido.
ㅡ Mostrar seu rosto e se apresentar seria uma forma de me agradecer, senhorita...?
Ela limpa as lágrimas com um lenço de papel e passa as mãos pela face. Acho que só agora se deu conta de ainda estar usando a máscara. Ela sorri timidamente e a remove, revelando um rosto lindo como uma escultura, com sardas que dão um toque especial à sua beleza.
ㅡ Mayra. Meu nome é Mayra Hills.
ㅡ Encantado, senhorita Hills. Sou Ethan McGregor.