O sol se despedia devagar atrás das casas amontoadas, e o ar quente do fim da tarde carregava o som distante de risadas, vozes e motores subindo o morro. Eu caminhava distraída pela calçada estreita, segurando uma sacola com algumas frutas. Tentava agir normalmente, mas desde que soube que Erik tinha colocado alguém pra me vigiar, nada mais parecia normal. Eu o sentia por perto. Mesmo quando não o via, era como se o ar mudasse. Era uma presença silenciosa, mas poderosa — uma que fazia meu coração bater mais rápido sem que eu soubesse explicar o porquê. O vento soprou, e então eu o vi. Ele vinha caminhando pela outra calçada, cercado por dois homens. Estava de camisa preta, calça escura, e o rosto parcialmente sombreado por um boné. O jeito dele era inconfundível — firme, seguro, como

