O MESMO SOL, O MESMO OLHAR

1524 Words

Eu nunca imaginei que aquele dia seria diferente. O sol nascia igual, o cheiro do pão fresco invadia as vielas e o som das vozes misturava-se com o barulho dos motores velhos e das crianças correndo. Era só mais uma manhã no Morro do Horizonte — simples, barulhenta, viva. Eu estava sentada no degrau da vendinha da Dona Cida, com a sacola de compras ao lado, observando a rua sem realmente ver nada. Até que um som diferente cortou o ar. O ronco de um motor potente. Grave, firme, quase ameaçador. No instante em que o carro virou a esquina, meu coração falhou uma batida. Era preto, brilhando sob o sol, destoando completamente daquele lugar. Um carro assim não passava despercebido por aqui. E quando ele parou, bem em frente à vendinha, o tempo pareceu parar junto. Ele desceu. Erik Ferraro.

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