ENTRE A MIRA E O CORAÇÃO

1383 Words

O sol começava a se pôr sobre o morro, tingindo o céu de tons alaranjados que pareciam incendiar os telhados de zinco. Do alto da varanda do meu refúgio, observava a paisagem com aquele silêncio pesado que precede a noite — o tipo de silêncio que só quem já viveu entre o perigo entende. Era o momento em que a cidade trocava de rosto: os trabalhadores desciam, os negócios da rua morriam, e os meus homens acordavam para o turno da sombra. Mas eu... Eu não estava pensando em nada disso. Desde aquele encontro breve, aquela conversa curta no meio da rua, Samanta não saía da minha cabeça. O jeito que ela me olhou, meio sem jeito, com aquele sorriso tímido e os olhos curiosos, me atravessou como uma bala de prata. E olha que eu já levei tiro de verdade. Mas aquele olhar — aquele olhar me a

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