POV Líam
Líam estava cada vez mais distante da aldeia destruída. Seus passos, antes firmes e inabaláveis, agora carregavam uma sensação de hesitação que ele não conseguia entender. O vazio que ele sentia era profundo, mas ele sabia que não poderia se permitir fraquejar. Ele não podia. O poder estava em suas mãos, e nada mais importava além disso. Nada. Ao menos era o que ele se dizia enquanto o vento cortante da floresta o envolvia.
No entanto, havia algo de novo em seu coração — um desejo mais sombrio e distante, mais antigo do que a própria busca por poder. Ele não tinha um companheira, nem filhos, precisava de herdeiros. E, em sua mente, isso era algo que deveria ser corrigido. Ele precisava de um herdeiro, alguém para herdar sua supremacia e continuar sua linhagem. Era isso o que ele queria. Mas como poderia continuar seu império se não tivesse uma descendência?
Foi quando, ao caminhar em silêncio pela floresta, ele lembrou de Max, o guerreiro de seu exército. Max sempre foi leal e forte, e, mais importante, sempre foi capaz de cumprir qualquer missão que lhe fosse dada, sem hesitar. Líam havia confiado em Max em várias ocasiões, mas dessa vez, ele tinha uma missão ainda mais importante.
Líam parou de andar. A noite estava mais escura, as árvores pareciam se fechar ao seu redor, como se estivessem esperando algo, algo mais forte que ele. Ele sentiu a necessidade de agir rápido, sem perder tempo. Sabia o que precisava fazer.
“Max...” Líam sussurrou, como se chamasse o vento. Em sua mente, ele conjurou o nome do guerreiro. Era hora de mudar os rumos de sua vida. A presença de Max logo surgiu diante dele, como uma sombra. O guerreiro estava com os olhos fixos em Líam, aguardando suas ordens com a devoção que sempre demonstrou.
Líam olhou para ele, um sorriso malicioso tomando seus lábios. - Max, tenho um novo objetivo para você. Há uma matilha a leste. Quero que invada esse local mete todos e traga de lá a filha do alfa. Eu preciso dela... para garantir que minha linhagem continue. Não quero que ela me veja atacando sua matilha, por isso, quero que você mate o alfa.
Max, com seu olhar calculista, refletiu brevemente, mas logo se curvou. - Entendido, Líam. Eu farei isso. - Max era o único que podia me chamar pelo meu nome.
Mas Líam, com seus olhos penetrantes, não estava satisfeito apenas com isso. Ele sabia que havia mais nessa missão do que uma simples invasão. Ele queria algo mais. Algo que Max não questionaria, mas que o deixaria ciente de sua importância. Ele queria o amor de uma companheira.
- Max, - Líam disse com uma voz grave. - Leve-a daqui. Ela será minha companheira. E o que mais quero de você, é garantir que o casamento aconteça. Que ela se una a mim, para que eu possa finalmente ter um herdeiro. Depois disso... o resto será o menor dos meus problemas.
Max, sempre impassível, fez uma leve reverência. Ele sabia que, para Líam, nada era mais importante que manter seu poder, e agora, ele estava sendo encarregado de garantir que a linhagem do alfa fosse perpetuada, o que significava que essa missão era de extrema importância.
- Sim, Líam. A esposa será trazida. O casamento será realizado. - Max disse, sua voz profunda e imperturbável.
Com isso, o guerreiro partiu. Líam ficou sozinho novamente, com seus pensamentos obscuros e sua mente cheia de planos. Ele sabia que uma vez casado, a filha do alfa seria sua – e isso, ele pensava, iria consolidar ainda mais sua autoridade e força. Ele tinha que ter um herdeiro. Ele precisava garantir que sua supremacia se estendesse por gerações. O poder e a linhagem eram tudo o que restava para ele. Mas algo naquelas palavras ecoava em sua mente: “- O preço do poder.”
O lamento da mulher que ele havia matado, a p******o de sua filha, vinha agora atormentando-o como um fantasma. Líam sacudiu a cabeça e afastou esses pensamentos. Ele não poderia permitir que tais sentimentos o distraíssem. Esses sentimos não podem existir em seu vocabulário.
Enquanto isso, Max seguiu para a aldeia do alfa. Ele sabia que sua missão era arriscada, mas ele era treinado para isso. Nada poderia detê-lo. Quando chegou, a aldeia estava tranquila, e Max se misturou às sombras, aguardando a hora certa para agir. Ele precisava encontrar a filha do alfa, como Líam ordenara, e levá-la de volta sem que ninguém suspeitasse. Seu trabalho era claro.
Mas, o que Max não sabia, era que a filha do alfa estava mais do que disposta a ser esposa de Líam. Com um golpe traiçoeiro, matou o alfa e levou sua filha.
Finalmente, o casamento chegou. A filha do alfa, uma jovem de cabelos negros e olhos como tempestades, foi levada até o altar. Ela sabia o que estava acontecendo. Não havia dúvida em sua mente de que seu destino estava selado. A pedido do Líam usou roupas de noiva, roupas que estavam pesadas sobre seus ombros, e ela se sentia como uma peça sendo movida em um tabuleiro de xadrez.
Líam estava ali, observando-a com uma expressão de poder, mas algo dentro dele sentia um vazio. Ele tinha tudo agora. Ela era sua. Ele sorriu. Mas não podia ignorar a sensação que apertava seu peito. Ela o olhava com uma serenidade assustadora, como se soubesse de algo que ele não sabia.
Após a apresentação da futura luna a todos. Os olhos dos presentes estavam fixos no novo casal. Eles sabiam o que estava em jogo. Líam tinha agora o que queria: uma esposa e um herdeiro em potencial, apenas a marca ficou em pendência para ser realizada na noite de núpcias.
Naquela noite, algo inesperado aconteceu. A filha do alfa, em um impulso de desespero, trancou-se no quarto e deu fim à sua própria vida. Rasgou sua garganta com suas próprias garras. Ela não podia suportar ser forçada a se casar com um homem que representava tudo o que ela mais temia. No momento em que Líam descobriu o que acontecera, ele ficou paralisado.
O poder, que ele tanto desejava, lhe escorregou pelas mãos, como areia fina. Ele não sabia o que fazer com a perda da mulher, mas o vazio dentro dele cresceu. E, pela primeira vez, ele questionou o que realmente estava construindo. O que ele tinha conquistado? O que restava para ele?
A dor de perder aquela mulher – mesmo que ela não fosse sua por muito tempo – marcou Líam de uma maneira que ele não conseguia compreender. Ele havia destruído tudo, inclusive a chance de encontrar algo mais do que o vazio do poder. Ela, a jovem alfa, tinha sido sua chance de encontrar um propósito maior. Mas agora, a morte dela era a sua punição. E ele sabia, com uma clareza angustiante, que talvez nunca encontrasse a resposta que procurava.
No final, o poder tinha o preço da alma. E ele, Líam, estava pagando essa conta, mais cara do que jamais imaginou.
Líam... - Max falou, sua voz amigável, mas carregada de um tom grave. Líam levantou a cabeça, um gesto simples, mas que indicava que estava ouvindo e concedia permissão para que Max continuasse. O guerreiro estava acostumado à frieza de Líam, mas dessa vez havia algo diferente em seu tom, algo que parecia esconder uma revelação importante.
- O que há, Max? - Líam questionou, seu tom agora carregado de curiosidade. Ele se inclinou ligeiramente para frente, sinalizando que estava interessado no que o seu guerreiro tinha a dizer.
- Durante minha caçada à filha do alfa, descobri algo... interessante. - Max começou, sua voz mais baixa, como se o segredo que estava prestes a compartilhar fosse de extrema importância. Ele fez uma pausa, avaliando a reação de Líam antes de continuar. Quando finalmente falou, suas palavras estavam impregnadas com uma sensação de urgência e mistério. - Nos rumores que ouvi, fala-se de uma mestiça chamada Yani, que pertence à matilha da lua de sangue. E o mais intrigante de tudo é que acredito que ela possa ser sua companheira.
Líam, ainda calado, franziu a testa. É claro! um mestiço como eu deve ser companheiro de uma mestiça.
- Yani... - Líam repetiu o nome, como se saboreasse a palavra. Seus olhos brilharam com uma intensidade nova, algo entre desejo e ambição. - Se ela for mesmo minha companheira, a minha linhagem se tornará inigualável.