Jade não podia mais negar o inevitável... Teria de encontrar Kyle, pois precisava entregar-lhe uma carta que estava em seu poder fazia dois dias.
Ela trocou de roupa ao chegar do escritório. Vestiu uma calça justa de malha e uma blusa de seda cor de violeta. Kyle estava em casa, ela vira seu jipe estacionado ao chegar.
Fazia quatro dias que não o via... Desde a noite na piscina, quando ele a seduzira e depois desaparecera.
Tinha o evitado desde então, pois desconhecia os planos de Kyle e queria prevenir-se.
A vida movimentada dos dois impedira-os de se encontrarem até mesmo no saguão durante os últimos dias. Kyle sempre chegava depois da meia-noite, ela notara. Podia ver sua silhueta através das finas cortinas enquanto ele se despia.
Sentia o corpo quente e extremamente sensível com a lembrança dos momentos vividos entres eles, naquela noite, na piscina. Era loucura. Já se conheciam havia seis meses. Porém, agora sabia do que ele era capaz. A imaginação a levava a juntar-se a ele todas as noites em fantasias que lhe preenchiam todos os sentidos.
Jade calçou os sapatos e saiu do quarto, determinada a esquecer os pensamentos íntimos. Apanhou a carta de Kyle sobre a mesa de jantar e seguiu para o outro bloco de apartamentos.
O interessante é que o remetente no envelope da carta era Christy Stephens, de Detroit, Michigan. Quem seria esta mulher misteriosa? Irmã? Mãe? Ou ex-mulher?
Jade percebeu que conhecia pouco da vida pessoal de Kyle. Apenas que era proprietário do The Black Sheep, um bar da moda.
Até aquela noite sob o luar na piscina, quando, de certa forma, se tornaram íntimos. Ele a tocara no fundo da alma. Como se conhecesse exatamente seus anseios...
Mas o risco emocional era grande. Seria fácil apaixonar-se por Kyle, porém perigoso.
Determinada a deixar claro os limites entre eles, Jade bateu na porta do apartamento dele. Depois daquela noite juntos sob o luar, seria impossível serem menos do que amigos.
Passou um minuto e ninguém atendeu. Experimentou a campainha e esperou. A demora quase a fez colocar a carta por baixo da porta e partir. Mas, ao se abaixar, a porta se abriu e se viu diante dos pés descalços de Kyle.
Com certeza, acabava de sair do chuveiro. Pelo menos ele estava parcialmente vestido com uma calça de jeans preta. O tórax musculoso ainda exibia gotículas de água. Ele parou de enxugar os cabelos com a toalha e a encarou. Os olhos azuis a penetraram com i********e, deixando-a desconcertada. Evidentemente, ele pensava na noite da sedução. Mas Jade preferia seguir por outro caminho.
— Será que vim numa hora imprópria? — perguntou.
— Para você, nunca é imprópria. — Ele colocou a toalha em volta do pescoço e apoiou-se no batente da porta. Estudou-a lentamente com o olhar. Jade sentiu como se fosse uma carícia.
— Você é que sabe. Minha visita será breve...
Ela interrompeu-se quando ele tocou-lhe os cabelos com delicadeza e ergueu as sobrancelhas, satisfeito.
— Você tingiu os cabelos — ele disse, passando os dedos entre os fios. — E também os cortou e penteou de um jeito diferente.
Kyle não deixava passar nada. A tonalidade tinha nuances de ruivo e combinava perfeitamente com o tom da pele de Jade. O corte era chique e clássico, idéia de seu cabeleireiro Pierre. .
— Já faz alguns dias.
Ela mudara o visual depois do incidente na piscina. Precisava reafirmar que ainda controlava a própria vida. Mostrar a Kyle que ele não podia assumir o comando.
Ele virou o rosto para examiná-la de um ângulo diferente e a perturbou como se pudesse enxergar seus segredos e sua alma.
— Quem é a verdadeira Jade? — ele murmurou, tocando-lhe o queixo com os dedos fortes.
Apenas ela sabia e preferia que continuasse assim.
— Não sei se entendi sua colocação — disse, num tom vago.
— Ah, estou certo de que entendeu — Kyle afirmou. — Adorei o novo corte e cor dos seus cabelos, mas isto não muda em nada a pessoa aí dentro. — Antes que ela pudesse responder, ele afastou-se da porta e acenou para que entrasse.
— Por que você não entra para podermos discutir a sua breve visita?
Ela hesitou, pois poderia entregar a carta ali mesmo. Contudo, o olhar desafiador de Kyle a fez querer provar que podia resistir ao encanto dele. Mesmo sob o mesmo teto.
Ela entrou e foi envolvida pela inebriante fragrância masculina. Mistura de calor e almíscar.
— A que devo o prazer? — ele perguntou.
A palavra "prazer" soou como uma carícia e a fez lembrar das emoções daquela noite. Ele ainda não mencionara o incidente, o que a fez pôr em dúvida a veracidade dos fatos. Teria sido um sonho? Talvez ela tivesse imaginado a fantasia e*****a.
Jade entregou-lhe a carta.
— Recebi esta carta endereçada a você.
Ele apanhou o envelope sem interesse, decepcionado.
— E eu achei que tivesse sentido minha falta. Ela sorriu e reuniu coragem para enfrentá-lo.
— Estou certa de que deve ser terrível para o seu ego, mas a ausência traz o esquecimento.
Ele riu, o ego intocado por aquelas palavras.
— Então terei de agir para remediar isso.
Kyle retirou a toalha do pescoço e a colocou sobre o banco diante do balcão da cozinha, então caminhou até a sala de estar. Jade o seguiu, mantendo uma certa distância, enquanto observava a decoração do ambiente.
Diante do sofá de couro marrom, ele abriu o envelope. Sentia a presença de Jade, o perfume de pêssego como um afrodisíaco. Era um milagre ela ter entrado em seu apartamento. Não queria afugentá-la agindo precipitadamente.
Podia ver a inquietação em seus olhos.
Jade esperava por um comentário sobre a noite anterior, contudo Kyle não tinha a intenção de estragar aquela experiência magnífica. Não exporia segredos tão profundos abertamente. Ele lhe dera a fantasia, e em troca fora seduzido por sua doçura e vulnerabilidade. Embora pudesse jurar que ela jamais o admitiria.
Jade parecia cautelosa e reservada, mas nada o deteria. Ela tornara-se uma febre que o consumia. Nenhuma mulher o fizera sentir-se daquela maneira.
Sem dúvida, Jade o excitava sexualmente, porém a compatibilidade intelectual era ainda mais avassaladora. Conversar com ela era como as preliminares do s**o, uma sedução dos sentidos, travessa e muito excitante.
Ele abriu a carta e ficou surpreso ao ver diversas fotografias caírem ao chão.
Kyle abaixou-se para apanhar as mais próximas, mas duas caíram ao lado de Jade, que as examinou com interesse antes de devolvê-las. Eram de uma mulher jovem.
— E a sua irmã? Ele sorriu.
— Não, é minha filha Christy.
Jade foi tomada de espanto.
— Você tem uma filha deste tamanho?
— Sim. — Ele examinou uma das fotografias de Christy. Era idêntica à mãe: cabelos loiros, olhos castanhos e um sorriso de partir corações. Ele suspirou.
— Uma filha de dezessete anos, louca por rapazes e que precisa de um carro urgente.
Jade examinou a expressão dele.
— Você não parece ter uma filha de dezessete anos.
Kyle sabia que ela estava calculando sua idade quando a filha nasceu.
— Estou com quase trinta e cinco anos — ele disse. Antes que ela fizesse as contas, emendou: — Christy nasceu quando eu tinha dezoito anos.
— Parece-me um pouco cedo para formar família — Jade falou, atônita.
— É mesmo — ele admitiu, especialmente por a filha estar quase com aquela idade. — Infelizmente eu não pensava com a razão naquela época. Os hormônios falavam mais alto. Christy foi resultado de um namoro de verão depois da formatura do colegial.
Jade aproximou-se de uma parede coberta de outras fotografias emolduradas.
— Ela vive com a mãe?
— Sim, em Detroit. — Ele guardou a carta e as fotografias no envelope e colocou sobre a mesa de centro. Adorava ler as cartas da filha, sempre vinham repletas de novidades. Os dois eram grandes amigos e confidentes.
Jade lançou um olhar curioso para Kyle.
— Detroit fica distante da Califórnia.
Havia momentos em que ele sentia cada quilômetro.
— É minha cidade, e também da mãe de Christy. — Ele apontou para um retrato da filha entre dois adultos.
— Esta é a mãe de Christy, Jamie Ann e seu padrasto, Tony.
Jade suspirou incrédula.
— Você emoldurou um retrato da sua ex-mulher e do novo marido dela?
Ele Sabia o quanto soava estranho tudo isso. Mas Jamie Ann fora uma das poucas pessoas que o compreendera e jamais tentara prendê-lo. Kyle sempre a teria em alta conta.
— Ela não é minha ex-mulher — ele disse. — E nós três somos grandes amigos.
Kyle podia ver que o triângulo deixava Jade confusa.
— Você não é nada convencional.
— Receio que não — ele respondeu. — E acho que nunca serei. Gosto de ser solteiro.
Jade concentrou-se nos retratos, a fim de digerir aquela última declaração.
Kyle também aproveitou para conferir os vários estágios da vida da filha. Mesmo sem ter se casado com Jamie Ann, apaixonara-se por Christy no instante em que a vira pela primeira vez.
Visitava a filha pelo menos uma vez por ano, falava-lhe ao telefone semanalmente e trocavam correspondência com regularidade. Jamais atrasara o pagamento da pensão alimentícia, mesmo em tempos de crise.
Mas, não se iludia, estava longe de ser um pai ideal. E o arrependimento que o perseguia à medida que se tornava mais maduro era difícil de suportar. Podia ser o pai biológico de Christy, mas Tony assumira o papel de "pai".
— Sua filha se parece mesmo com a mãe — Jade observou, trazendo-o de volta ao presente.
— Fisicamente — ele disse, sorrindo — , mas o temperamento é do pai.
— Como?
— Infelizmente para Jamie Ann, Christy tem minha natureza selvagem e impulsiva.
— Se você é de Michigan, o que faz na Califórnia? — Jade perguntou, mudando de assunto.
— Camp Pendleton — ele disse, dando o nome da base militar de San Diego. — Eu me alistei nos fuzileiros três meses depois da formatura e vim para a Califórnia. Então decidi que seria melhor ver o sol, o ano todo. Fiquei por aqui.
Ela examinou-lhe a tatuagem no bíceps esquerdo.
— Então esta sua tatuagem é de verdade?
Ele riu.
— Não. É um souvenir permanente de uma louca noite regada a tequila.
Ela riu diante da confidencia. Então meneou a cabeça e riu mais alto.
Kyle gostaria de saber o motivo daquela reação, porém sabia que não dispunha de tempo. Relutante, dirigiu o olhar para o relógio da parede.
— Adorei a sua visita, mas preciso estar no The Black Sheep dentro de meia hora. Passei o dia ajudando o empreiteiro a derrubar as paredes do novo restaurante e estava tomando banho antes do meu turno no bar quando você chegou.
Jade arregalou os olhos. Nem percebera a passagem do tempo.
— Também preciso ir. Só queria entregar-lhe a carta.
— Adorei o serviço de entrega pessoal — ele disse e a conduziu até a porta.
Ela saiu do apartamento e virou-se.
— Bom trabalho esta noite.
— Ah, obrigado. — Seria uma noite maravilhosa agora que passara mais de vinte minutos com Jade. — Até logo. — Ele encostou o ombro no batente da porta e a observou partir. Então foi terminar de se vestir.
Avançara mais um estágio com ela naquele dia. Jade chegara toda tensa e cheia de idéias preconcebidas, mas partira relaxada e sorrindo.
Kyle abriu um largo sorriso. Ele flertara, era consequência natural da química entre eles, mas também haviam conversado sobre amenidades. E, melhor, aumentara a empatia entre eles.
Com o diário de fantasias e a lenta persuasão, ele esperava conquistar a pequena tigresa.
Jade virou seu carro esporte Mazda Miata vermelho na vaga do estacionamento. Ouviu uma buzina e, ao virar-se, deparou-se com Kyle logo atrás.
Ele dirigia um jipe azul-marinho. O veículo aberto combinava com a atitude rebelde de seu ocupante.
Ela acenou através da janela antes de estacionar e ele passou em direção à própria vaga. Uma vez estacionado o carro, Jade desceu com a pasta e a bolsa.
Encontraram-se no passeio principal que levava ao saguão do condomínio.
— A minissaia e os sapatos de salto deixam suas pernas ainda mais bonitas — ele elogiou. — Porém me admira como consegue andar tão depressa.
— Anos de prática. — Ela sorriu e admirou-lhe os cabelos claros revoltos pelo vento. — Podia jurar que planejou este encontro.
Ele não pareceu ofendido com a suspeita.
— Que posso dizer? O tempo está a meu favor. Além disso preciso falar com você. Assim não vou precisar ir à sua casa.
Por mais que tivesse gostado do outro dia, preferia um território neutro como o saguão do que o apartamento.
Uma loira alta e curvilínea saiu do prédio e veio na direção deles. Trajava um short curto e uma mini blusa reveladora. Ela sorriu e jogou os cabelos para trás de forma sedutora ao ver Kyle.
— Oi, Kyle — disse e o examinou dos pés à cabeça, irritando Jade.
— Olá, Lynette — Kyle respondeu.
Jade reconheceu a inquilina e supôs que era amiga de Kyle. Ou talvez algo mais, ao notar a maneira faminta como o encarava.
— Vai trabalhar esta noite? — a outra mulher perguntou.
Kyle sorriu.
— Vou ficar até fechar.
Lynette pareceu satisfeita.
— Pode contar comigo. — Ela passou o dedo pelo braço dele e então acrescentou: — Guarde um lugar para mim no bar.
O comportamento dos dois provocou a ira de Jade, embora não tivesse qualquer compromisso com Kyle.
— Vejo que tem seu fã-clube no The Black Sheep — ela resmungou, incapaz de se conter assim que Lynette se afastou.
Ele sorriu com sensualidade.
— Está com ciúme?
— Claro que não! — ela negou com veemência e estendeu a mão sobre a maçaneta da porta do saguão. Antes que pudesse puxá-la, a mão dele fechou-se sobre a dela.
Sentiu o coração disparar com aquele toque. Com nenhum outro homem sentira aquilo. Aterrorizava-a saber que Kyle exercia aquele tipo de influência sobre ela.
Jade retirou a mão e virou-se. Ele devia estar deliciado com sua reação por causa de Lynette. Mas não, viu apenas uma sincera e saudável dose de desejo naqueles olhos azuis. Por ela.
— Não tem motivos para ter ciúme — ele disse e espalmou a mão na porta, impedindo sua a******a. — Tenho sido fiel a você desde o dia em que a conheci.
Ela o encarou, atônita e incrédula, certa de que era uma brincadeira, mas a sinceridade daquelas palavras refletia-se nos olhos de Kyle.
— É um sacrifício nobre, porém desnecessário.
— Não tenho escolha. — Ele suspirou como se suportasse um imenso fardo. — Charlie não sente atração por outra a não ser você.
— Charlie? — Ela desatou a rir, encantada por Kyle, a imagem da virilidade e s*x-appeal, ter dado um nome àquela parte masculina do corpo.
Ele estremeceu, visivelmente constrangido.
— Ele é muito exigente.
Ela recobrou o controle.
— E você é louco.
— Por você.
Disposta a resistir ao charme de Kyle, ela lhe devolveu um sorriso maroto.
— Não faça nenhum voto de castidade por minha causa. A espera o levará a um mosteiro.
Ele ergueu a sobrancelha.
— Está disposta a aceitar este desafio, tigresa?
Ela sentiu um frio na espinha. Como poderia desafiar Kyle, que tinha por missão seduzi-la?
Saber que ele guardava toda aquela energia s****l para ela a deixou tonta, porém deu-lhe um prazer excitante, mais do que gostaria de admitir... contudo não podia aceitar o desafio.
— Acho que não — Kyle disse, vencendo a disputa. Ele abriu a porta para ela e Jade entrou no prédio.
— Obrigada. — Os dois seguiram até o saguão acarpetado.
— Sobre o que precisava falar comigo? — ela perguntou.
Ele lançou-lhe um olhar amistoso, como se nada tivesse acontecido.
— Como está sua empresa de decoração?
"Ah, trabalho era algo que podia aceitar", ela pensou. Pararam diante das caixas postais.
— Movimentada.
— Pode aceitar um novo cliente?
— Eu nunca recuso clientes. — Ela colocou a pasta no chão e pegou a chave da caixa postal.
— Eu garanto que será um bom negócio — ele disse, enquanto examinava a correspondência. — Há alguns meses comprei o prédio ao lado do The Black Sheep e vou precisar de alguém para decorar o novo restaurante e modernizar o visual do bar.
Ela examinou as próprias cartas.
— E quer contratar a Casual Elegance?
Kyle enfiou as cartas no bolso traseiro da calça e trancou a caixa postal.
— Não, eu quero contratar você.
Jade o olhou com interesse. Kyle parecia determinado, mesmo sem nunca ter visto seu trabalho.
Entretanto, a idéia de decorar um bar e restaurante era sedutora, pois seria a primeira vez para Casual Elegance, que se especializara em escritórios e residências. Aquele projeto seria um desafio.
Jade guardou as cartas na pasta e virou-se para ele.
— Sua oferta é generosa, e sua confiança na minha habilidade, lisonjeira, já que nem conhece o meu trabalho. Como pode julgar se sou realmente boa no que faço?
Ele cruzou os braços e a percorreu com o olhar. A blusa verde, de seda transparente, deixava ver os s***s fartos envoltos em renda. Lentamente, ele fez o caminho inverso até encontrar-lhe os olhos.
— Não tenho dúvida — Kyle falou, comum tom de voz grave e sensual. — Você é boa.
Ela ignorou a duplicidade de sentido e a sensação que as palavras lhe provocaram.
— O dinheiro é seu e pode gastá-lo como quiser.
— Você é uma mulher de negócios. — Ele sorriu. — Já esteve no The Black Sheep?
— Faz diferença?
— Não. Apenas curiosidade.
— Não. Nunca estive — ela disse, procurando ser franca desde o princípio. — Não é o tipo de lugar que frequento.
Ele pareceu pensativo.
— Como sabe se nunca esteve por lá? Ela corou ao perceber o que dissera.
— Já ouvi falar — ela disse. — E um típico bar country. Kyle não contestou as palavras dela.
— E você prefere o Roxy’s e seus clientes mais sofisticados.
Ela deu de ombros. Não estava disposta a defender sua escolha de diversão noturna.
— Considerando que meu maior concorrente é o Roxy's, eu gostaria de sofisticar o meu estabelecimento. — Ele cruzou as pernas, realçando seu contorno magnífico, além de outras partes de sua anatomia. — Quero manter o ambiente descontraído e casual, porém com mais classe.
— Quando o restaurante vai ficar pronto? — perguntou.
— Mais umas quatro ou seis semanas.
— Então precisamos começar a trabalhar um esquema de cores e tecidos, e um projeto que se encaixe no tema.
— Já tenho uma idéia do que quero — ele disse, com um sorriso — , mas espero que possa me ajudar definir e combinar tudo.
— É este o meu serviço. — Ela devolveu-lhe um sorriso, enfiou a mão na bolsa e tirou um cartão comercial. — Você pode me ligar no escritório e marcar a entrevista inicial. Então decidiremos o que quer, o custo e faremos um contrato preliminar.
Ele olhou para o cartão e depois para ela.
— E se surgir uma emergência e eu precisar falar com você em casa?
— Eu não dou meu número de casa aos clientes. — Queria manter o relacionamento no nível comercial. — Meu serviço de bip e o número do telefone celular estão no cartão. Já pensou em um dia para nos encontrarmos no bar?
Kyle franziu a testa ao pensar na agenda da semana.
— Que tal segunda-feira à tarde? O empreiteiro vai embora por volta das três e meia. Qualquer horário após este é perfeito para conversarmos no restaurante.
— Ótimo. — Jade fechou a bolsa. — De qualquer maneira, eu ligo para confirmar.
— Certo. — Kyle aproximou-se dela. — Tem uma caneta para anotar meu telefone?
Jade lhe entregou uma. Foi então que se deu conta que ele não tinha um pedaço de papel à mão.
Pelo olhar perigoso de Kyle, imaginou suas intenções.
A proximidade dele a entorpeceu. Sem cerimônia, ele abriu-lhe o primeiro botão da blusa, afastou a gola, e escreveu o número do telefone sobre os s***s de Jade. Espantada, ela notou que os m*****s tornaram-se túrgidos.
Com as faces rosadas e chocada com a reação do próprio corpo, ela suspirou, atônita demais para estar zangada.
Depois de terminar, ele tornou a fechar-lhe a blusa.
— Ligue a qualquer hora — ele murmurou, um sorriso de predador nos lábios.
Sabia que Kyle não desistiria, indiferente ao profissionalismo que ela gostaria de exibir.
Ele se foi, deixando-a com as pernas bambas e o desejo latente a consumi-la.
Ela queria Kyle Stephens.
Com as mãos nas faces coradas, Jade estremeceu. Aquele homem era perigoso. Ameaçava-lhe todas as barreiras. Seduzia-lhe a mente e o corpo sem cerimônia. Sabia de suas necessidades físicas e mentais. Quanto tempo ainda conseguiria resistir?