Dominic se sentou ao meu lado logo em seguida e eu me pergunto se ele está lendo as reações do meu corpo, se ele sabe exatamente o que está fazendo – me parece que sim.
Viro o copo, bebendo todo o conteúdo de uma vez.
Dro.ga!
Whisky é tão quente assim?
O líquido que eu não conhecia desce queimando, forte, esquentando não só minha garganta mas todo o meu corpo. Faço uma careta e começo a tossir, ganhando uma gargalhada dele e um lenço que ele tira de dentro do bolso do paletó.
— Você não tem muito costume com bebidas, não é? — Ele sorri, eu n**o com a cabeça, cobrindo minha boca com o lenço enquanto termino de tossir e limpo qualquer resquício do líquido. — Vou pedir outra coisa para você, quer algo alcoólico ou prefere dar um tempo?
Penso um pouco, eu já tomei algumas margaritas esse noite antes de acabar subindo no palco e agora isso. Estava começando a ter meu juízo no lugar de novo quando novamente me sinto tonta depois desse gole, e agora, acho que é melhor estar com todos os meus neurônios funcionando.
— Prefiro... — Antes que eu pudesse completar a frase, o polegar dele toca meu lábio inferior, fazendo meu coração dar um salto no meu pe.ito que chega doer. Meus olhos crescem e eu paraliso, sem conseguir nem respirar.
Dominic limpa o excesso de gloss que acabou borrando com o lenço que agora eu aperto entre meus dedos. Meus olhos cometem o erro de encontrar os dele enquanto ele desliza o polegar lentamente no contorno do meu lábio, e para completar, ele leva o próprio dedo a boca e ch.upa.
Meu queixo cai, não consigo disfarçar o choque. Engulo seco e sinto uma necessidade absurda de apertar minhas coxas.
— O que? — Ele sorri. Desg.raçado, ele sabe exatamente o que fez.
— Você ch.upou o seu dedo... — Comento.
— Sim, e daí?
— Ele estava... — Não consigo completar a frase, com certeza corada.
— Na sua boca, exatamente. — Ele mesmo completa. — Limpei seu lábio mas não tinha onde limpar meu dedo depois, havia um pouco do seu batom nele. Além disso eu estava curioso para saber que gosto tinha...
— O meu gloss?
— A sua boca.
Eu não sei o que responder a isso. Ele está definitivamente flertando comigo e flertar é algo que eu nunca precisei fazer. Como alguém que namorou desde os quinze, eu acabei pulando essa parte. Além disso, Dominic Navarro não é um garoto bobo de quinze anos – que pelo jeito continuou sendo o mesmo moleque aos vinte.
Dominic é um homem de verdade, tanto fisicamente como internamente.
A fama dele o precede. Um mulherengo de carteirinha. As notícias dele com várias mulheres correm o país.
Dominic é experiente, sabe exatamente o que fazer. Tudo nele é preparado como um combo para abrir qualquer perna que ele desejar, desde seu jeito de olhar, o sorriso de canto, o tom da voz, as palavras escolhidas de forma quase que personalizada. Tudo isso fora a aparência que Deus o abençoou a ter.
— E o que achou? — Devolvo o flerte. Se é para jogar, vamos jogar...
Eu não posso esconder as minhas bochechas coradas, não posso esconder o que ele está causando a mim porque sei que percebe. Então a única maneira para eu não ficar parecendo uma menina id.iota, é deixando que ele veja.
— Acho que preciso de mais para responder a pergunta. — Droga.
— Você perguntou da bebida, eu aceito um refrigerante. — Peço, desconversando e desviando o olhar. Posso senti-lo sorrir ao meu lado.
Dominic chama um dos garçons e pede um refrigerante para mim. Enquanto minha bebida não chega, o silêncio toma conta, não um silêncio de quem não sabe o que dizer mas como se ele estivesse me analisando, tentando me decifrar como a um quebra cabeça que ele está juntando todas as peças.
— Estou curioso... — A ruga entre suas sobrancelhas compravam isso. — Me fale sobre você.
— O que quer saber?
— Primeiro, como entrou aqui? Deve saber que essa boate é bem ... restrita. Eu nunca a vi aqui, nem a sua amiga. — Na verdade eu acabo de descobrir isso, Isa não me falou nada sobre o lugar ser tão seletivo. — Seu sobrenome também é desconhecido.
— Minha amiga Isadora me trouxe, e sim, nosso sobrenome não é tão conhecido. Mas em compensação ela tem muitos amigos na faculdade, Isa é bastante popular e pode ser bastante persuasiva. Já eles sim tem sobrenomes conhecidos e conseguiram a entrada dela. — Explico tudo que sei. Dominic assente, pensativo, acompanhando o raciocínio.
— Você a apresentou como irmã, agora a chamou de amiga... — Comenta, não em tom de julgamento mas de curiosidade.
— Nós não somos irmãs de sangue, crescemos juntas. Somos inseparáveis desde os sete anos. Então, eu costumo apresenta-la como minha irmã. — Ele parece entender melhor agora e se preparar para mais perguntas. — Minha vez. Por que me chamou aqui?
Dominic é bastante sorridente, eu já percebi. Mas ele usa o sorriso para expressar o que está pensando sem precisar dizer uma palavra. As vezes ele sorri porque está se divertindo, achando engraçado. As vezes ele sorri quando sente que venceu uma rodada. As vezes ele sorri porque está gostando do rumo de alguma conversa. As vezes sorri como provocação.
Agora por exemplo, ele está sorrindo como se estivesse prestes a começar uma competição.
— Eu gostei da sua performance. — Dá de ombros, como se a resposta fosse óbvia.
— Gostou?
— Sim.
— Costuma chamar todas as pessoas que sobem no palco e você gosta da performance para sua área vip? — Instigo.
— Sim, todas que sobem no palco sem ser da equipe de dança. — Ele se aproxima de mim, me fazendo congelar quando o movimento rápido e inesperado faz seus lábios quase tocarem o lóbulo de minha orelha. Fecho os olhos, tentando controlar os batimentos acelerados do meu coração. Respiro fundo e sou invadida por notas de cerejas negras e álcool, exatamente como um Cabernet muito caro. Ele cheira a perigo e intenções questionáveis. Dominic ocupa tanto o espaço que me deixa levemente tonta, é como se eu tivesse bebido uma taça inteira rápido demais. Meus dedos tremem, ainda segurando o lenço que ele me deu. — E você foi a única que fez isso, Amélie.
Quando ele fala meu nome, a voz poderosa sussurrando em meu ouvido unida ao seu cheiro, a sua respiração contra a pele do meu pescoço, e o calor vindo de seu corpo, eu não controlo a forma pesada que o ar escapa entre meus lábios. Algo acontece entre minhas coxas, eu estou mol.hada, sem ele precisar nem mesmo me tocar – algo que nunca aconteceu na minha vida.
Me pergunto como posso responder isso, eu claramente estou em desvantagem.
Por isso, agradeço quando o garçom volta com o meu refrigerante e nos interrompe alguns instantes. Pego o copo em que ele me serviu e bebo quase tudo de uma vez, olhos fechados, precisando do líquido gelado para tentar esfriar o meu corpo.
O encarando novamente, vejo que Dominic pegou o lenço que eu larguei e está guardando de volta no bolso do paletó, mesmo com marcas do meu gloss rosado sujando o tecido branco e macio. Eu até penso em perguntar algo sobre, mas escolho ficar calada.
— Minha vez. — Volta a falar. — Você é solteira?
— Sim. — Agora, perto de Dominic , Xavier parece tão pequeno e medíocre que eu não me lembro mais porque eu estava chorando por alguém como ele. — Por que?
— Estou avaliando minhas chances.
— Chances de que?
— De terminar a noite com você nos meus braços. — Ele é bem claro, explí.cito, fazendo meus olhos crescerem no mesmo momento. Bebo mais um pouco de refrigerante. — Você parece tão jovem... É maior de idade?
— Sim, tenho dezenove. — Eu sei que Dominic já está nos trinta.
— Então é vir.gem? — Ele me deixa incrédula, precisando lubrificar meu lábio inferior. As perguntas dele vão aumentando de nível, como se ele realmente estivesse testando suas chances, testando se eu vou correr ou se o desejo também.
— Não, eu tive um namorado. Por acha que eu seria vir.gem?
— Você é maior de idade, mas ainda bem jovem. Porém, meninas da sua idade não costumam mais ficar tão tímidas com relação a se.xo. Imaginei que não teria muita experiência juntando a idade com suas reações sempre que eu deixo claro o que quero fazer com você.
— O que quer fazer comigo? — Eu vou me arrepender de perguntar. Dominic me dá outro daquele maldito sorriso, o provocativo, o sorriso de quem está prestes a dizer alguma barbaridade.
— Quer que eu seja explí.cito? — Me encara nos olhos e eu o incentivo a continuar, acenando com a cabeça. — Tudo bem, lembre-se que foi você quem pediu. Para um homem como eu, Amélie, ver uma mulher linda, atraente, mas inexperiente como você só aguça mais minha curiosidade. — Seus dedos tocam o meu joelho, lentamente subindo pela minha coxa exposta pela f***a até alcançar a renda da minha meia e brincando com ela, devagar. Prendo a respiração. — Eu realmente quero fod.er com você, no sentido mais explí.cito e animalesco dessa palavra. Mas antes quero te chu.par inteira, sentindo o gosto de cada pedacinho desse corpo cheio de curvas, sentir teu mel na minha boca. Inicialmente é isso que eu faria, começar provando você com minha boca, mas a parte principal é provar você com meu p.au! Quero meter meu pa.u nessa bu.ceta apertada e sentir ela me envolver inteiro, eu quero te fo.der com tanta força que seria como a sua primeira vez. Eu quero sentir como é estar dentro de você, Amélie, porque algo me diz que seria como a primeira vez para mim também.
— Você é um grande mulherengo libertino, Sr. Navarro. — Retruco, tentando de manter o mínimo de dignidade que me resta depois de ouvir cada palavra que saiu da boca dele.
Eu ouvi, respirando lentamente, sem conseguir respirar normalmente mas tentando disfarçar por puxar o ar devagar. Ouvi com as bochechas queimando de vergonha e ao mesmo tempo... tes.ão. Acho que nunca me senti isso de verdade, desejo, te.são, exci.tação. Nunca estive tão molhada...
Os dedos dele lentamente na minha coxa me fazem imaginar como seria se ele cumprisse o que disse, se ele tocasse meu corpo inteiro.
Nunca desejei tanto algo assim.
Eu não tive oportunidade. Sempre foi o Xavier, e nunca houve desejo ou qualquer coisa que ele fizesse que fosse para o meu prazer. Ele tirava a roupa, eu tirava a minha, íamos para a cama e ele me.tia em mim por alguns poucos minutos até go.zar. Nunca ouve toques, cheiros, beijos apaixonados, nada. Eu estava acostumada e achei que isso era normal, era a única coisa que eu conhecia.
Mas estou descobrindo que posso ter mais.
Aquele i****a ainda teve a coragem de me trair, de destruir o futuro que eu estava me preparando para termos. Ele abalou minha confiança, meu amor por mim, me colocou em dúvida de que tipo de mulher eu sou, se eu posso ou não ser desejada.
— Sim, eu sou, mas cada palavra que falei é verdadeira. Não estou te prometendo nada, Amélie, nada além de te dar a melhor noite da sua vida. — Oferece. — Se você quiser, é claro.
Penso alguns segundos.
O homem sabe que é bonito, grande, sedutor. Dominic Navarro nem precisaria ser quem é para conseguir qualquer mulher, e sabe nem usar todas as armas que tem.
Eu posso negar, ser a pessoa que pensa em princípios machistas. Mas eu quero, eu realmente quero isso.
Meu corpo inteiro está pedindo por isso, por Dominic, para que ele me ensine o que é pra.zer de verdade. Sim, eu quero ser fod.ida de forma animalesca.
Devo ser julgada por isso?
Não. Definitivamente não. Eu sou jovem, acabo de levar c.hifre de um relacionamento que eu achei que seria para sempre como nos filmes. Eu vim aqui para viver, no pleno sentido da palavra. Essa noite é para mim, para eu fazer o que tenho vontade. Para resgatar a mulher que Xavier quebrou. E qual maneira melhor de fazer isso além da cama de Dominic Navarro.
— Eu quero. — Aceito. Pego o copo de whisky na mesa a frente dele e bebo novamente de uma vez só. Dominic sorri, espontaneamente, se divertindo mas ao mesmo tempo empolgado por eu ter aceitado. — Eu quero que faça comigo tudo que prometeu.
Ele sorri.