Capítulo 3

1540 Words
Fernando Mendez Os últimos dias se passaram rápidos, apenas eu e Ana, na companhia um do outro. O que me faz lembrar que dois dias atrás ela teve uma forte febre, eu fiquei desesperado, não sabia como agir, apenas a coloquei no carro e a levei para o pediatra que sempre cuidou dela. Mas a febre não era nada demais, foi apenas um susto, e que susto. Mas voltamos para casa, e hoje ela está muito bem, sem nenhuma febre. Vou ter que levá-la comigo ao teatro em que vou ter que fotografar. Julho iria ficar com ela, estava acertando com ele ontem, mas a noite surgiu um trabalho para ele, acho que o destino está brincando comigo, estava tudo certo, mas do nada, ao acaso, alguém precisava que Julho fosse fotografar um casamento. Então acabou de que Ana terá que ir comigo de qualquer jeito, por um lado é bom, mas tempo ao lado da minha menina, por outro, tenho certeza que ela não vai se contentar com apenas um pouco da minha atenção, pois vou estar ocupado e terei de a manter presa no carrinho. Será trabalhoso, mas não posso fazer nada, não tenho outra opção. Uma hora depois, estamos nos dois já vestidos, coloco Ana em sua cadeirinha no banco de trás do carro e sigo para o teatro. Estaciono o carro numa vaga, e coloco Ana no bebê conforto, entro no teatro e me identifico como o fotógrafo, logo o cara que dirige toda a peça, que eu não faço ideia de como se chama, me apresenta tudo, e algumas pessoas que iriam participar da apresentação, faltou apenas o dançarino principal que vai fazer par romântico com uma moça que é a bailarina principal também, ele estava um pouco atrasado. Quem está dirigindo tudo descobri se chamar Juliano. Todos acharam Ana muita fofa, e não pude impedir o sorriso b***a meus lábios. Passado as apresentações, faltava pouco para começar. Preparei minha câmera, e um lugar bom num dos espaços vazios atrás das cadeiras e com uma vista boa do palco, deixei o bebê conforto sobre uma cadeira vazia e me posicionei. A peça começa, uma música clássica começa a tocar, os bailarinos fazendo movimentos lentos e graciosos. Capturo cada cena cheio de admiração pela dança espetacular. Mas as luzes se apagam, e depois volta a se acender, começa a tocar a música Can I be him de James Arthur no instrumental, e a luz foca num único homem de cabeça baixa no centro do palco. Me pego hipnotizado pela cena, dou um zoom na câmera e capturo a sombra de seu rosto, tudo muito misterioso. Mas quando começa um novo acorde mais rapidinho, o homem levanta sua cabeça, seus olhos pretos me pegando de cheio, parece que ele focou em mim, na lente da minha câmera, é como se ele estivesse olhando diretamente para mim, dançando para mim. Seus movimentos calmos e precisos, quando a mulher aparece e eles começam uma dança fascinante juntos. Mas só consigo olhar para os movimentos daquele homem, uma agitação estranha em meu peito, meu corpo se ascendendo com as curvas acentuadas naquela roupa apertada, meu Deus. O que está acontecendo aqui? Quem é esse homem? Ele rodopia a mulher no ar, e a música a acaba com eles se encarando. Engulo em seco ao ver seus cabelos loiros caírem por sua testa suada quando ele se curva para agradecer os aplausos. Tiro mais fotos, agora focando nos dois se curvando. Aproximo minha lente de seu rosto quando ele se levanta, o zoom mostrando seu cabelo sobre seus olhos, olhos esses que estão focados em mim, então eu aperto o botão, eternizando esse olhar maravilhoso. Mas será mesmo que ele está olhando para mim? Eu estou muito longe para que ele possa ter me notado. Será coisa da minha cabeça? Ele deve estar olhando para o público, isso mesmo! Logo os dois saem e começa a última parte da apresentação. Fotógrafo tudo aquilo e tento não lembrar dos olhos pretos que me deixou duro e de coração acelerado. Escuto um chorinho de Ana e amaldiçoo internamente, logo quando eu já estava acabando? Merda! Não posso desviar agora, está no momento chave da apresentação. - Ana bebê, segura só um pouco, não posso parar agora filha. - Falo enquanto ainda estou concentrado com minha câmera em mãos e focando no melhor ângulo para as fotos. Mas minha menina não está disposta a colaborar, seu chorinho parece aumentar. - Não se preocupe, eu cuido dela. Vejo que está ocupado. - A voz grossa e baixa me faz entrar em alerta, e não por algo r**m, não mesmo, sinto a mesma sensação de quando vi o rosto e os olhos do homem que estava naquele palco a minutos antes. Porra, não pode ser ele. O quanto azarado sou para o mesmo cara que me fez ficar com uma ereção como nunca antes fiquei, e isso apenas olhando em seus olhos e seu corpo gostoso, me fazendo sentir o mesmo, mas agora apenas com sua voz? Estou ferrado, muito ferrado. A apresentação termina, mas por pouco eu não perdia alguns momentos únicos pois estava distraído com as risadas de Ana e do homem que não sei o nome. Respiro fundo e me viro, olhando desde os pés até a cabeça do indivíduo, e p**a merda, mil vezes mais bonito e gostoso de perto. Seus olhos se encontram com os meus e sinto um fogo tão grande que posso jurar que ele sente o mesmo. Seus olhos escuros me analisam dos pés à cabeça, mas tenho certeza que ele já tinha me olhado quando eu estava de costas. Um sorriso surge em seus lábios e me vejo olhando para eles, querendo eles nos meus. Que nesse momento estão ressecados, passo a minha língua para umedecê-los e o cara acompanha meu movimento. Não sei de onde consegui tirar minha voz, mas conseguir falar sem gaguejar. - Obrigado por cuidar dela. - Aceno para Ana, que agora dorme toda largada em seu colo, e só sinto inveja da minha filha, queria saber qual a sensação de ter aqueles braços ao meu redor. - Não foi nada, ela é um anjo. - Ele me olha. - Mas porque trouxe ela? E a mãe? - Pergunta com claro interesse em seus olhos. E como um i****a, eu acabo falando demais. O que merda é isso? Não me abro assim com estranhos. c*****o, mas gostaria muito de me abrir para ele em outra ocasião. Tá, estou indo longe demais. E quando vejo, já estou falando demais. - Bom, é uma longa história, a mãe dela morreu, e o pai também, meu irmão. Só somos nós dois. - Ele arregala os olhos. - Oh, sinto muito, não quis levar você a se lembrar de coisas ruins. - Ele fala, e se levanta, colocando Ana deitada novamente. - Sem problemas. - Hoje não dói tanto falar sobre eles. Ele me olha de novo e morde seus lábios. - Ela não tem babá? - Não, mas estou pensando em contratar uma, pensei que daria conta, pois trabalho em casa na maioria das vezes, mas em outras ocasiões como hoje, preciso sair. - Cara, porque estou contando meus problemas para ele? Ele parece pensar por uns segundos, até que fala. - Hoje é seu dia de sorte. Estou procurando um segundo emprego, e acho que quando você precisar eu posso tomar de conta dela. - A oferta não é r**m, pelo que vi nesses minutos anteriores, ele se deu bem com Ana. - Bom, podemos ir nos falando? Talvez eu precise mesmo de você. - Porque sinto que essa última frase saiu com um duplo sentindo? - Certo, me dá seu celular. - Estranho mais logo ele rir. - Vou te passar meu número. - Ele pisca. - Talvez eu te chame para um encontro também. Então...? - Me sinto perdido agora, ele acabou de dizer que tem interesse em mim? Céus... Lhe estendo meu celular e ele logo anota seu número. O pego de volta e fico olhando para os números ali. E me dou conta de que nem nos apresentamos. - Seu nome...? - Ele solta uma risada gostosa e me vejo acompanhado. - Nossa, nem disse meu nome, sou Bruno França, o dançarino, e agora babá nas horas vagas, prazer. - Ele me estende sua mão, a qual eu aperto, sentindo um frio na barriga, e seus olhos ficam com uma intensidade tão grande ao olhar para nossas mãos juntas que solto um suspiro. - Sou Fernando Mendez, o fotógrafo, pai da Ana Júlia, a que está dormindo ali. - Ele solta minha mão devagar, arrastando seu dedo pela minha palma, agarrando meu dedo médio e o soltando lentamente, que sensação gostosa. Ele rir e olha para Ana. - Acho que vou gostar muito de cuidar dessa princesa. Não demore a me ligar, vou esperar ansioso para nós acertamos. - Ele pisca seus olhos negros e se vai, sem me dar chance de uma resposta, a qual eu não teria, já que não sinto minha língua. Parece que a mesma está presa. Só posso seguir seu quadril e suas costas largas se afastarem. E p***a, não é uma visão r**m. Não mesmo.
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