Eu acordei como se alguém tivesse me empurrado pra fora do sono. Não foi o barulho da rua, nem um pesadelo. Foi uma dor física mesmo, daquele tipo que você sente no meio do peito e não sabe se é falta de ar ou falta de alguém. Eu fiquei alguns segundos encarando o teto, respirando curto, tentando entender por que meu corpo tava assim. E aí veio. Victor. Veio a lembrança da voz dele, o jeito que ele falava meu nome como se fosse coisa dele e minha ao mesmo tempo. Veio o cheiro da casa dele, aquele café "com amor de bandido", veio a laje, o mini mirante, a mão dele na minha cintura. Veio o morro inteiro, vivo, barulhento, real. E veio uma saudade tão grande que meu estômago embrulhou de novo, como se o meu corpo tivesse decidido que eu não ia mais fingir que tava tudo bem. Eu virei de

