Meu mundo, minhas regras!

4012 Words
Minha cabeça girava, girava e girava. A pergunta de Luigi ecoava em minha mente "Você não sabe onde está?" Onde o padre havia me metido? Eu só queria fugir dali, correr para o mais longe, aquele lugar não era para mim. — M-mafia italiana? — não ousava encara-lo. — Claro Bambino, por ora não a matarei, mas não é porque sou piedoso, longe disso. — fala duro — Ainda quero te dar alguns desafios enquanto estiver aqui. — Ele trava a pistola e a devolve para o cós de sua calça. — Posso sair ? — Olho desta vez diretamente em seus olhos. — Não quer que eu responda, quer? — pergunta se sentando. Me apresso em levantar e sair. — Helena? — fala antes de eu alcançar a porta. Olho brevemente para trás. — Está me devendo agora duas transas. Assim que saio, corro tentando ficar o mais longe daquela porta, quando estou prestes a subir a escada ouço o fungar baixo de Marco vindo da cozinha. — Ei. — Falo baixinho. Ao me ver ele se debulha em lágrimas, vem até mim, abraçando minha perna e eu o pego no colo. — Me desculpa, a culpa foi toda minha. — Você não foi culpado em nada. — Pensei que iria perder você também. — fala em meio a soluços. — Estou aqui, não estou? Estamos juntos! Já comeu ? — ele balança a cabeça dizendo que sim. — Então o que você quer fazer? — Podemos assistir tv? Passamos um bom tempo assistindo a desenhos que eu novamente não entendia, depois de um tempo Marco teve aulas de montaria, ele parecia se divertir e ter esquecido o que aconteceu. A hora do almoço havia chegado e eu dava graças a Deus por ser apenas eu e ele ali na mesa. O prato de Marco estava colorido com alguns legumes e salada, a princípio fez cara feia, mas logo que comeu gostou, pedindo para repetir. Agora eu me via sozinha na casa, Marco havia saído para a aula de inglês e francês, já que sua língua nativa era o Italiano, encarei o piano e resolvi me sentar para tocar algo, as notas alcançam meus ouvidos, suaves e melancólicas, havia anos que eu não tocava, mas era como se meus dedos tivessem vida própria, sabendo exatamente o que fazer. Sinto uma mão apertar meu ombro e eu paro de tocar instintivamente, encarando o dono da mão, Igman me encarava com deboche. — O que quer ? — pergunto assustada. — Você! Agora somos apenas eu e você, aqui. — Não, a casa está cheio de seguranças! — Isso não quer dizer nada freirinha, estou louco para estar dentro de você. — passa o polegar em minha bochecha e eu levanto rápido, me afastando dele. — Já pedi pra que pare, não tenho interesse em seja lá o que você tem para me oferecer. — Como não, freirinha? Tenho algo maravilhoso para te apresentar. — fala apertando a calça e andando em minha direção. Minhas mãos tremem e meus olhos se enchem de lágrimas, me afasto usando o piano como escudo, e ele continua vindo até mim. — Para, só vamos nos divertir. — diz com um sorriso estampado no seu rosto. Quando crio forças corro por um corredor, sinto que ele estava vindo atrás de mim. Levanto a baía do hábito e corro o quanto posso, me bato em algumas coisas pelo caminho, olho para trás vendo que ele estava logo atrás de mim. Grito de desespero sentindo o medo tomar minha alma, chamo por Deus e peço para que ele me salve disso. Sinto como se eu tivesse batido em uma parede, caio no chão sentindo minhas costas doer, o nó na minha garganta se faz e as lágrimas escorrem por meu rosto. — Helena ? — Ouço a voz de Luigi. — Você está bem? — Não consigo dizer nada além de chorar e olhar para trás, percebendo que ele já não estava mais ali. Ele me ajuda a levantar e me guia para o lado de fora da casa, não conseguia dizer nada além de chorar, nos sentamos num banquinho em frente à uma fonte, Luigi ficou em silêncio o tempo inteiro, e a única coisa que podia ser ouvida era o meu choro e o canto dos pássaros, aos poucos vou me acalmando e paro de chorar. — Quer me contar o que aconteceu ? — pergunta gentilmente e eu balanço a cabeça dizendo que não. — Tudo bem, ao menos está melhor? — balanço novamente a cabeça dizendo que sim. — Quer ficar sozinha? Posso ir embora. — Não. — me apresso em dizer e ele fica novamente em silêncio, abre a boca algumas vezes e a fecha. — Você também é da máfia? — pergunto o encarando e ele pondera responder. — Sou o sub-chefe. — diz por fim. — Mas o chefe não é o senhor Santoro? — Não, ele é o Don. — Não entendo muito sobre isso, poderia me explicar? — pergunto enxugando o rosto. — O Don é responsável pelas decisões maiores, é o topo da pirâmide. Tem o consigliere, que é o braço direito, e opina sobre as decisões do Don, logo mais você conhecerá ele, depois vem a mim, sou responsável por executar as decisões de Dante, e fazer com que os outros também façam, coordeno os soldados e os subordinados. É muita coisa para entender! — É uma especie de hierarquia. — Sim, uma hierarquia, onde ninguém deve passar por cima de Dante, as consequências são grandes. — Deu pra sentir, mas não concordo com ele. — Não está aqui para dizer o que concorda ou não, apenas obedeça e será melhor. Caso contrário estará cavando a própria cova. — seu celular toca e ele se afasta para atender, depois de algum tempo no telefone volta. — Preciso ir, parece que Marco acabou de chegar. — Aponta com a cabeça para o carro que estava entrando na propriedade. — Onde está todo mundo? — A maioria está organizando um evento numa cidade vizinha, provavelmente você irá. — Eu? Por que? — Acompanhará Marco. — diz saindo sem dar mais nenhuma palavra. — Luigi? — chamo e ele se vira. — Obrigada — ele assente e segue seu caminho. Vou pelo lado de fora até a entrada da casa, Marco desce do carro vindo até mim. — Oi, Helena — Meus amigos me chamam de Hele, se quiser, pode me chamar assim também. — Somos amigos? — seu sorriso se abre, era lindo vê-lo sorrindo. — Com toda certeza. — Você estava chorando? — Hum... não, acho que estou ficando resfriada. Mas não é nada demais. — toco em seu nariz. Passamos o restante da tarde brincando e correndo pela casa, fazia cócegas em Marco quando fomos interrompidos. — Quero vocês arrumados em 30 minutos. — sua voz irrompe meus ouvidos. — Papà — Marco corre até ele pulando em seu pescoço. — Como foi seu dia garotão? — Foi ótimo, Hele e eu fizemos muitas coisas hoje. — Que bom amigão, agora vai pro banho. Helena irá logo atrás! — beija sua testa colocando ele no chão, Marco era uma criança muito obediente e dedicada, era incrível ver sua disciplina. — É realmente necessário que eu vá? — É necessário que o Marco vá, você é a babá, tem que estar presente para cuidar dele. E pelos deuses você não irá com esse trapo. — olha para meu hábito com repulsa. — Me sinto confortável com minha roupa, isso significa muito para mim. — p***a, estou pouco me importando com isso. Irá vestir o que eu quiser e acabou! Quer descurtir mais algo? — ele faz menção de pegar algo atrás das costas o que eu presumo ser sua arma. — Não, senhor. — Ótima garota, aqui deve ter algum vestido perdido, não consegui me planejar sobre você. Quando voltarmos para a cidade iremos comprar roupas novas. Pedirei a Dana que traga algum! — diz curto e grosso saindo do quarto. Respiro fundo indo para o banheiro vendo Marco se divertindo debaixo do chuveiro. — Já acabou? — ele balança a cabeça e desliga o chuveiro. Pego a toalha e o ajudo a se secar, assim que volto ao quarto Dana entra com algumas sacolas. — Olá, menina. — sorri docemente. — Não tínhamos roupa para você então consegui algumas com minha sobrinha, deve caber certinho. — me entrega as sacolas. — Marco, que tal deixarmos Helena escolhendo a roupa dela e vamos ver a sua? Ela estende a mão para ele que a segue para o closet. Remexo as sacolas vendo alguns vestidos mais ousados e extremamente curto. Vejo um preto longo, de manga até o pulso e me interesso por ele, mas o que me incomodava era o decote. Vou para meu quarto e me apresso para se arrumar, de banho tomado coloco o vestido que marca minha cintura e me mostra curvas que eu nunca havia notado, o vestido continuava justo até o joelho, ficando solto até os pés. Tento a todo custo esconder meus s***s mas era em vão, mas havia conseguido deixar de uma maneira que eu ficasse confortável. O cabelo era um grande problema, não sabia o que fazer e saber que muitos o veriam me deixava apreensiva, me sentia nua sem meu hábito e o véu. Os penteio e faço um coque baixo como fiz por todos esses anos, vou ao espelho ficando absorta com o que vejo, aquela imagem no espelho era realmente eu? Percebo a luxúria em meus olhos e eu me viro de costas para o espelho não querendo me ver mais, era por isso que nós olhávamos por pouco tempo. Me ajoelho perto da cama pedindo perdão a Deus por isso, oro o ave-maria algumas vezes até que ouço baterem na porta. Me levanto e a mesma é aberta, Dana me olha com um sorriso largo nos lábios. — Você é ainda mais linda vestida assim. — se aproxima estudando o vestido. — Onde pensa que vai de chinelo? — ela levanta um par de saltos e eu n**o. — Não sei andar com isso. — É fácil, e esse não é tão fino, te dará mais estabilidade. — me assegura.— Acho melhor calçar logo, se não estará atrasada, e não será uma boa ele subir aqui para te buscar. — Não tem medo dele? — pergunto colocando os saltos. — Medo? Eu acho uma palavra muito supérflua para definir o que eu sinto, é muito mais que isso, sinto pânico. O senhor Santoro não é de fazer ameaças, ele só vai e faz, não é atoa que seu apelido é ceifador. — engulo em seco com suas palavras. Ela me ajuda a levantar e eu dou alguns passos me acostumando com o salto, não era difícil como eu achava, e até era confortável. — Onde está Marco? — Lá embaixo com o senhor Santoro. — Ok, então acho melhor descer logo. — Sim, querida. Boa sorte! — Obrigada, Dana. Saio do quarto acompanhada por ela, e ela me ajuda a descer as escadas. Lá embaixo consigo ver os dois, Marco vestia uma camisa branca de linho e um calça marrom claro também de linho, nos pés um tênis branco dando todo o charme, ele realmente estava uma graça. Dante estava no celular e malmente havia me olhado, mas o que eu estava querendo mesmo? Ele estava muito bem vestido, com um terno cinza e gravata azul clarinho, seus cabelos estão desorganizados porém parecia perfeito. — Hele, está bonita. — Marco vem até mim e segura a minha mão. — Papà, já podemos ir. Só então ele tira os olhos do celular e me olha por um tempo, seus olhos pareciam queimar minha pele, era como se ele pudesse me enxergar por debaixo daquela roupa, me encolho um pouco e ele tira os olhos de mim. — Claro, vamos. — sai na frente e vamos seguindo ele logo atrás. Ao entrar no carro Marco senta no suporte de elevação e eu o ajudo a colocar o cinto, Dante senta do outro lado, ficando nos três atrás e o motorista que foi o mesmo que me trouxe quando cheguei na frente. O telefone do senhor Santoro toca e ele atende, falando ao telefone. — Hele? — Marco me chama. — Oi — Você não sente saudades de casa? — pergunta de repente. — Sim, muita! — Como é o convento? — pergunta curioso. — Moramos em um mosteiro, que é quase igual ao convento. Porém temos mais contato com a natureza. — Que legal, queria visitar um algum dia. — Podemos fazer isso. — sorrio. — Papà não deixa, ele não gosta de você porque mama também gostava da tia Maria. — Quem é tia Maria? — pergunto confusa. — A da oração, mama me ensinou a orar pra ela. — ele fala e eu prendo o riso, Marco realmente era um menino que me fazia rir. — Você é incrível. — digo para ele passando a mão em seus cabelos. O senhor Santoro não trocou uma palavra comigo nem com o garotinho, a única coisa que era ouvida eram os comentários que Marco fazia pelo caminho. Ao chegar no evento a porta estava cheia de gente, sentia meus nervos tremerem, como um mafioso se exporia a esse tanto de gente? Ele sai do carro calmamente, e o motorista abre a porta para mim, desço juntamente com Marco, que aperta os meus dedos com sua mãozinha, ele também está nervoso. Vamos para o lado do senhor Santoro e Marco também segura a sua mão, fazendo nos três estarmos interligados. Passamos pelas pessoas que tiram algumas fotos e comentam sobre algumas coisas, ao entrar no grande salão podia se ver uma variedade de pessoas, exalando riqueza e poder, assim que as pessoas nos vê, começam a bater palmas. O barulho das mãos se chocando umas contras as outras é alto, como se fosse um único som, acho estranho mas fico parada. Algumas pessoas vem nos cumprimentar, e eu os cumprimento de volta, Marco parecia perdido no meio de tanta gente, ele olha para mim e levanta os braços pedindo colo. Sem pensar muito pego ele, me afastando da multidão de gente. — Também não gosto, me sinto sufocada. — digo tentando acalma-lo. — Queria ser igual ao Papà. — fala triste. — É normal termos medo, ele provavelmente na sua idade tinha receio de algo. — Será? — pergunta curioso. — Com certeza! — Até hoje? — Sim, todo mundo tem medo de algo. — Do que você tem medo? — Tenho medo de envelhecer e descobrir que não fiz nada para ser diferente. — Não entendi. — uma grande interrogação estava em seu rosto. — Baratas, tenho medo de baratas. — Eca, é nojento também tenho. — faz careta e eu caio na gargalhada. Vejo o senhor Santoro vir até nós, ele é um homem bastante atraente, seus olhos verdes claros chamam atenção de uma forma inexplicável. Ele tem um olhar perigoso. Repreendo meus pensamentos quando ele para a minha frente e peço perdão a Deus. — Tem uma mesa reservada para nós, venham. — Sua mão vai para a minha cintura e eu sinto uma sensação estranhamente boa. O que está acontecendo comigo? Ele nos guia por entre as pessoas e puxa a cadeira para mim quando chegamos a mesa, tinham outras pessoas ali também, coloco Marco sentado ao meu lado e os cumprimento com um aceno. O senhor Santoro senta do outro lado fazendo Marco ficar ao meio, uma moça grávida está sentada do meu lado, vejo o carinho que ela faz em sua barriga e de alguma forma isso me confortava. Ela olha para mim e sorri! — Então você é a nova pretendente? — Ela pergunta. — Pretendente? — Sim, de Dante. — a moça morena de cabelos cacheados pergunta. — Ah não, só estou cuidando de Marco. — digo e ela sorri novamente. — Com quantos meses está? — Seis meses. — Uau, está bem grande. — Está mesmo, quer tocar? — Acho melhor não — digo sem graça. — Sei que você quer, me dê sua mão. — constrangida levando minha mão e ela a pega colocando em sua barriga. — Se tiver sorte ela chutará. Passo a mão delicadamente por sua barriga sentindo a rigidez, quando estou prestes a tirar sinto seu chute. — Parece que ela gostou de você, não é todo mundo que ela faz isso. — ri — Me chamo, Caliandra. — Sou uma pessoa de sorte — sorrio de volta. — Sou Helena. Obrigada por me deixar tocar sua barriga... — A palestra vai começar! — afirma ficando em silêncio. O homem a frente do palco fala algumas coisas que eu não presto muita atenção, o garçom passa oferecendo suco e eu pego para mim e para Marco que está quietinho ao meu lado entretido com um pedaço de papel e caneta que Dante havia lhe dado. A palestra era basicamente sobre o desempenho anual dos empresários, e das suas empresas, haviam categorias e prêmios. — E para empresário do ano, eu chamo ao palco o senhor Dante Santoro. — O palestrante chama e o pessoal bate palmas, bato palmas não entendendo muita coisa. Então além de ser o don da máfia ainda é empresário? Ele vai até o palco, pega seu troféu e agradece a todos. — Marco? Preciso ir no banheiro... — digo e ele se levanta vindo comigo. Pergunto a um garçom onde era e ele me aponta uma ala separada. Vamos até lá e entro com Marco. — Não sai daqui, só vou fazer xixi na cabine. — Certo, Hele. — deixo ele sentado na pia do banheiro e corro para a cabine. Marco cantarola enquanto estou dentro da cabine, volto e ele continua sentado no mesmo lugar, enquanto lavo as mãos duas mulheres entram tagarelando e rindo sobre algo. — Olha ela aqui. — a moça estava muito elegante, exibia um colar de pedras que eu ousaria dizer que são diamantes, seus cabelos avermelhados estão soltos num penteado com tranças. — Está falando comigo? — pergunto não entendendo. — Por que deixariam essa aberração entrar num evento tão importante e ainda com essa roupa de esquina? — Ela comenta com a outra que parece desconfortável com seu comentário. — Aberração? Consigo ver daqui o quanto é amarga por dentro e só consegue se sentir bem quando está pisando nos outros, então por favor, se isso te faz ser melhor, então faça mais. Estou aqui ouvindo! — digo algo que parecia estar entalado por anos na minha garganta. Lembranças da madre superiora vem a minha mente, elas eram iguaizinhas. — Que atrevida, você sabe com quem está falando? — se aproximando de mim. — Eu realmente não sei, mas você chegou me insultado. Não me interessa saber quem é você! — pego Marco no colo pronta para sair, mas ela me empurra fazendo com que eu perca o equilíbrio e bata com as costas na parede, ouço Marco choramingar ao bater com o cotovelo na parede. — Antonella, para. — a menina repreende. — Machucou o garotinho, vamos sair daqui. — Irresponsável — grito para ela e ela sai do banheiro rindo do meu desespero. — Está bem? — olho seu braço, alisando onde havia batido. Ele deita sua cabeça no meu ombro chorando baixinho. Saio do banheiro encontrando o senhor Santoro de cara fechada. — Onde vocês estavam? — pergunta raivoso. — Fui ao banheiro. — Papà... — chama chorando. — Uma moça nos empurrou no banheiro e disse coisas bem feias. — fala fungando. — Quem foi Helena? — vejo suas mãos se fecharem e os nós de sua mão ficarem brancos. — Foi uma bruxa do cabelo de fogo. — Marco fala antes que eu diga algo. — Podemos ir embora? — pergunto. — Não, antes vamos resolver isso. Qual o nome dela? — Por favor, senhor. — Helena, Helena... facilite para mim. — Fecha os olhos por alguns segundos — Não faça com que eu descarregue toda a minha raiva em você. Qual-a-p***a-do-nome? — fala pausadamente. — Antonella, eu acho. — Tudo bem. — Ele faz um sinal para um homem e sai. — Senhorita, poderia me seguir? A levarei até o carro. Sem dizer nada o sigo, percebo que Marco já estava dormindo, devia estar exausto. Entro no carro e o motorista arrasta o carro. — O senhor Santoro não vem? — pergunto. — Ficou para resolver algumas coisas. Algo dentro de mim sabia que o motivo dele ficar não era bom. Ao chegar na casa entro segurando Marco, meus braços estavam um pouco dormentes, subo colocando ele na cama, tiro seus sapatos e a blusa, deixando-o mais a vontade. Beijo sua testa antes de sair e decido descer para aguardando o senhor Santoro voltar, sento no sofá olhando para a lareira apagada, só podia ser ouvido o barulho dos bichinhos noturnos lá fora. Meu corpo e minha mente estavam cansados, abro a boca em um bocejo, meus olhos lacrimejam e eu os fecho instintivamente, sentindo-os pesado, como se estivessem areia dentro. Acordo assustada com um barulho vindo da entrada, o relógio na parede indicava ser 03:30, levanto percebendo que eu ainda estava com aquele vestido apertado, caminho até a entrada vendo Dante com o blaser jogado sobre os ombros, a gravata frouxa e a camisa branca machada de sangue. — O que ainda faz acordada? — fala sem ao menos me olhar, ele pega um copo se servindo de alguma bebida. — Fiquei preocupada. — Comigo? — ri. — Com o que o senhor faria com a moça... — Fiquei decepcionado, freirinha — toma um gole de sua bebida — Pensei que estivesse preocupada comigo, vá dormir! — O que você fez? — insisto. — Por que se interessa tanto por isso? Quer realmente saber? — se aproxima de mim, seus cabelos estão um pouco bagunçados, Dante é muito atraente, seu olhar é confiante, mas do que eu entendia sobre isso? — Porque temo que tenha feito algum m*l a ela. — Ok freirinha, sabe o que eu fiz? Fomos a um hotel de luxo, transamos a noite toda, dei a melhor transa da vida dela. E depois, bum — ele imita uma explosão — festa de miolos. — V-você a matou? — digo horrorizada. — É assim que as coisas funcionam no meu mundo, Helena, a gente trata o m*l pela raiz. Se está dando problemas acabamos com ele de uma vez, não esperamos mais outro motivo. — Então é assim que você quer impor respeito? Causando medo nas pessoas ? — digo sentindo a raiva aflorar em mim. — Prefiro o medo ao respeito, quero que me temam, respeito não é algo de segurança. — E o medo sim? — falo mais alto — Porque uma hora criamos coragem e acabamos com ele. — Então freirinha, acabe comigo. — ele saca sua arma colocando em minha mão — Vamos lá, aponte para mim e me mate... — abre os braços esperando minha decisão. — Não sou assim. — minhas mãos estão trêmulas, a cada segundo que eu passo com aquele objeto em mãos parecia pesar ainda mais. Sem saber muito o que fazer coloco a arma sobre a mesa. — Todos nós somos assim, independente do motivo, o sentimento só está aí dentro adormecido. — se aproxima mais de mim. — Não. — digo não sabendo ao certo para o que. Ele estava cada vez mais próximo, sua mão é estendida em direção ao meu rosto e eu fecho meus olhos achando que ele me bateria, mas ao invés disso ele coloca uma mecha solta do cabelo atrás da orelha, seus dedos se arrastam por ela, causando-me arrepios, sua respiração é baixa e regular, sentia o vento quente de suas narinas soprarem em meu rosto, não sabia o que ele estava fazendo e nem ficaria para saber, na primeira oportunidade saio correndo para o quarto.
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