Minha cabeça girava, girava e girava. A pergunta de Luigi ecoava em minha mente "Você não sabe onde está?" Onde o padre havia me metido? Eu só queria fugir dali, correr para o mais longe, aquele lugar não era para mim.
— M-mafia italiana? — não ousava encara-lo.
— Claro Bambino, por ora não a matarei, mas não é porque sou piedoso, longe disso. — fala duro — Ainda quero te dar alguns desafios enquanto estiver aqui. — Ele trava a pistola e a devolve para o cós de sua calça.
— Posso sair ? — Olho desta vez diretamente em seus olhos.
— Não quer que eu responda, quer? — pergunta se sentando. Me apresso em levantar e sair.
— Helena? — fala antes de eu alcançar a porta. Olho brevemente para trás. — Está me devendo agora duas transas.
Assim que saio, corro tentando ficar o mais longe daquela porta, quando estou prestes a subir a escada ouço o fungar baixo de Marco vindo da cozinha.
— Ei. — Falo baixinho. Ao me ver ele se debulha em lágrimas, vem até mim, abraçando minha perna e eu o pego no colo.
— Me desculpa, a culpa foi toda minha.
— Você não foi culpado em nada.
— Pensei que iria perder você também. — fala em meio a soluços.
— Estou aqui, não estou? Estamos juntos! Já comeu ? — ele balança a cabeça dizendo que sim. — Então o que você quer fazer?
— Podemos assistir tv?
Passamos um bom tempo assistindo a desenhos que eu novamente não entendia, depois de um tempo Marco teve aulas de montaria, ele parecia se divertir e ter esquecido o que aconteceu.
A hora do almoço havia chegado e eu dava graças a Deus por ser apenas eu e ele ali na mesa.
O prato de Marco estava colorido com alguns legumes e salada, a princípio fez cara feia, mas logo que comeu gostou, pedindo para repetir.
Agora eu me via sozinha na casa, Marco havia saído para a aula de inglês e francês, já que sua língua nativa era o Italiano, encarei o piano e resolvi me sentar para tocar algo, as notas alcançam meus ouvidos, suaves e melancólicas, havia anos que eu não tocava, mas era como se meus dedos tivessem vida própria, sabendo exatamente o que fazer.
Sinto uma mão apertar meu ombro e eu paro de tocar instintivamente, encarando o dono da mão, Igman me encarava com deboche.
— O que quer ? — pergunto assustada.
— Você! Agora somos apenas eu e você, aqui.
— Não, a casa está cheio de seguranças!
— Isso não quer dizer nada freirinha, estou louco para estar dentro de você. — passa o polegar em minha bochecha e eu levanto rápido, me afastando dele.
— Já pedi pra que pare, não tenho interesse em seja lá o que você tem para me oferecer.
— Como não, freirinha? Tenho algo maravilhoso para te apresentar. — fala apertando a calça e andando em minha direção. Minhas mãos tremem e meus olhos se enchem de lágrimas, me afasto usando o piano como escudo, e ele continua vindo até mim.
— Para, só vamos nos divertir. — diz com um sorriso estampado no seu rosto.
Quando crio forças corro por um corredor, sinto que ele estava vindo atrás de mim. Levanto a baía do hábito e corro o quanto posso, me bato em algumas coisas pelo caminho, olho para trás vendo que ele estava logo atrás de mim.
Grito de desespero sentindo o medo tomar minha alma, chamo por Deus e peço para que ele me salve disso.
Sinto como se eu tivesse batido em uma parede, caio no chão sentindo minhas costas doer, o nó na minha garganta se faz e as lágrimas escorrem por meu rosto.
— Helena ? — Ouço a voz de Luigi. — Você está bem? — Não consigo dizer nada além de chorar e olhar para trás, percebendo que ele já não estava mais ali.
Ele me ajuda a levantar e me guia para o lado de fora da casa, não conseguia dizer nada além de chorar, nos sentamos num banquinho em frente à uma fonte, Luigi ficou em silêncio o tempo inteiro, e a única coisa que podia ser ouvida era o meu choro e o canto dos pássaros, aos poucos vou me acalmando e paro de chorar.
— Quer me contar o que aconteceu ? — pergunta gentilmente e eu balanço a cabeça dizendo que não. — Tudo bem, ao menos está melhor? — balanço novamente a cabeça dizendo que sim. — Quer ficar sozinha? Posso ir embora.
— Não. — me apresso em dizer e ele fica novamente em silêncio, abre a boca algumas vezes e a fecha. — Você também é da máfia? — pergunto o encarando e ele pondera responder.
— Sou o sub-chefe. — diz por fim.
— Mas o chefe não é o senhor Santoro?
— Não, ele é o Don.
— Não entendo muito sobre isso, poderia me explicar? — pergunto enxugando o rosto.
— O Don é responsável pelas decisões maiores, é o topo da pirâmide. Tem o consigliere, que é o braço direito, e opina sobre as decisões do Don, logo mais você conhecerá ele, depois vem a mim, sou responsável por executar as decisões de Dante, e fazer com que os outros também façam, coordeno os soldados e os subordinados. É muita coisa para entender!
— É uma especie de hierarquia.
— Sim, uma hierarquia, onde ninguém deve passar por cima de Dante, as consequências são grandes.
— Deu pra sentir, mas não concordo com ele.
— Não está aqui para dizer o que concorda ou não, apenas obedeça e será melhor. Caso contrário estará cavando a própria cova. — seu celular toca e ele se afasta para atender, depois de algum tempo no telefone volta.
— Preciso ir, parece que Marco acabou de chegar. — Aponta com a cabeça para o carro que estava entrando na propriedade.
— Onde está todo mundo?
— A maioria está organizando um evento numa cidade vizinha, provavelmente você irá.
— Eu? Por que?
— Acompanhará Marco. — diz saindo sem dar mais nenhuma palavra.
— Luigi? — chamo e ele se vira. — Obrigada — ele assente e segue seu caminho. Vou pelo lado de fora até a entrada da casa, Marco desce do carro vindo até mim.
— Oi, Helena
— Meus amigos me chamam de Hele, se quiser, pode me chamar assim também.
— Somos amigos? — seu sorriso se abre, era lindo vê-lo sorrindo.
— Com toda certeza.
— Você estava chorando?
— Hum... não, acho que estou ficando resfriada. Mas não é nada demais. — toco em seu nariz.
Passamos o restante da tarde brincando e correndo pela casa, fazia cócegas em Marco quando fomos interrompidos.
— Quero vocês arrumados em 30 minutos. — sua voz irrompe meus ouvidos.
— Papà — Marco corre até ele pulando em seu pescoço.
— Como foi seu dia garotão?
— Foi ótimo, Hele e eu fizemos muitas coisas hoje.
— Que bom amigão, agora vai pro banho. Helena irá logo atrás! — beija sua testa colocando ele no chão, Marco era uma criança muito obediente e dedicada, era incrível ver sua disciplina.
— É realmente necessário que eu vá?
— É necessário que o Marco vá, você é a babá, tem que estar presente para cuidar dele. E pelos deuses você não irá com esse trapo. — olha para meu hábito com repulsa.
— Me sinto confortável com minha roupa, isso significa muito para mim.
— p***a, estou pouco me importando com isso. Irá vestir o que eu quiser e acabou! Quer descurtir mais algo? — ele faz menção de pegar algo atrás das costas o que eu presumo ser sua arma.
— Não, senhor.
— Ótima garota, aqui deve ter algum vestido perdido, não consegui me planejar sobre você. Quando voltarmos para a cidade iremos comprar roupas novas. Pedirei a Dana que traga algum! — diz curto e grosso saindo do quarto. Respiro fundo indo para o banheiro vendo Marco se divertindo debaixo do chuveiro.
— Já acabou? — ele balança a cabeça e desliga o chuveiro.
Pego a toalha e o ajudo a se secar, assim que volto ao quarto Dana entra com algumas sacolas.
— Olá, menina. — sorri docemente. — Não tínhamos roupa para você então consegui algumas com minha sobrinha, deve caber certinho. — me entrega as sacolas. — Marco, que tal deixarmos Helena escolhendo a roupa dela e vamos ver a sua?
Ela estende a mão para ele que a segue para o closet.
Remexo as sacolas vendo alguns vestidos mais ousados e extremamente curto. Vejo um preto longo, de manga até o pulso e me interesso por ele, mas o que me incomodava era o decote.
Vou para meu quarto e me apresso para se arrumar, de banho tomado coloco o vestido que marca minha cintura e me mostra curvas que eu nunca havia notado, o vestido continuava justo até o joelho, ficando solto até os pés.
Tento a todo custo esconder meus s***s mas era em vão, mas havia conseguido deixar de uma maneira que eu ficasse confortável.
O cabelo era um grande problema, não sabia o que fazer e saber que muitos o veriam me deixava apreensiva, me sentia nua sem meu hábito e o véu.
Os penteio e faço um coque baixo como fiz por todos esses anos, vou ao espelho ficando absorta com o que vejo, aquela imagem no espelho era realmente eu? Percebo a luxúria em meus olhos e eu me viro de costas para o espelho não querendo me ver mais, era por isso que nós olhávamos por pouco tempo.
Me ajoelho perto da cama pedindo perdão a Deus por isso, oro o ave-maria algumas vezes até que ouço baterem na porta.
Me levanto e a mesma é aberta, Dana me olha com um sorriso largo nos lábios.
— Você é ainda mais linda vestida assim. — se aproxima estudando o vestido. — Onde pensa que vai de chinelo? — ela levanta um par de saltos e eu n**o.
— Não sei andar com isso.
— É fácil, e esse não é tão fino, te dará mais estabilidade. — me assegura.— Acho melhor calçar logo, se não estará atrasada, e não será uma boa ele subir aqui para te buscar.
— Não tem medo dele? — pergunto colocando os saltos.
— Medo? Eu acho uma palavra muito supérflua para definir o que eu sinto, é muito mais que isso, sinto pânico. O senhor Santoro não é de fazer ameaças, ele só vai e faz, não é atoa que seu apelido é ceifador. — engulo em seco com suas palavras. Ela me ajuda a levantar e eu dou alguns passos me acostumando com o salto, não era difícil como eu achava, e até era confortável.
— Onde está Marco?
— Lá embaixo com o senhor Santoro.
— Ok, então acho melhor descer logo.
— Sim, querida. Boa sorte!
— Obrigada, Dana.
Saio do quarto acompanhada por ela, e ela me ajuda a descer as escadas. Lá embaixo consigo ver os dois, Marco vestia uma camisa branca de linho e um calça marrom claro também de linho, nos pés um tênis branco dando todo o charme, ele realmente estava uma graça.
Dante estava no celular e malmente havia me olhado, mas o que eu estava querendo mesmo? Ele estava muito bem vestido, com um terno cinza e gravata azul clarinho, seus cabelos estão desorganizados porém parecia perfeito.
— Hele, está bonita. — Marco vem até mim e segura a minha mão. — Papà, já podemos ir.
Só então ele tira os olhos do celular e me olha por um tempo, seus olhos pareciam queimar minha pele, era como se ele pudesse me enxergar por debaixo daquela roupa, me encolho um pouco e ele tira os olhos de mim.
— Claro, vamos. — sai na frente e vamos seguindo ele logo atrás.
Ao entrar no carro Marco senta no suporte de elevação e eu o ajudo a colocar o cinto, Dante senta do outro lado, ficando nos três atrás e o motorista que foi o mesmo que me trouxe quando cheguei na frente.
O telefone do senhor Santoro toca e ele atende, falando ao telefone.
— Hele? — Marco me chama.
— Oi
— Você não sente saudades de casa? — pergunta de repente.
— Sim, muita!
— Como é o convento? — pergunta curioso.
— Moramos em um mosteiro, que é quase igual ao convento. Porém temos mais contato com a natureza.
— Que legal, queria visitar um algum dia.
— Podemos fazer isso. — sorrio.
— Papà não deixa, ele não gosta de você porque mama também gostava da tia Maria.
— Quem é tia Maria? — pergunto confusa.
— A da oração, mama me ensinou a orar pra ela. — ele fala e eu prendo o riso, Marco realmente era um menino que me fazia rir.
— Você é incrível. — digo para ele passando a mão em seus cabelos.
O senhor Santoro não trocou uma palavra comigo nem com o garotinho, a única coisa que era ouvida eram os comentários que Marco fazia pelo caminho.
Ao chegar no evento a porta estava cheia de gente, sentia meus nervos tremerem, como um mafioso se exporia a esse tanto de gente?
Ele sai do carro calmamente, e o motorista abre a porta para mim, desço juntamente com Marco, que aperta os meus dedos com sua mãozinha, ele também está nervoso.
Vamos para o lado do senhor Santoro e Marco também segura a sua mão, fazendo nos três estarmos interligados.
Passamos pelas pessoas que tiram algumas fotos e comentam sobre algumas coisas, ao entrar no grande salão podia se ver uma variedade de pessoas, exalando riqueza e poder, assim que as pessoas nos vê, começam a bater palmas. O barulho das mãos se chocando umas contras as outras é alto, como se fosse um único som, acho estranho mas fico parada.
Algumas pessoas vem nos cumprimentar, e eu os cumprimento de volta, Marco parecia perdido no meio de tanta gente, ele olha para mim e levanta os braços pedindo colo. Sem pensar muito pego ele, me afastando da multidão de gente.
— Também não gosto, me sinto sufocada. — digo tentando acalma-lo.
— Queria ser igual ao Papà. — fala triste.
— É normal termos medo, ele provavelmente na sua idade tinha receio de algo.
— Será? — pergunta curioso.
— Com certeza!
— Até hoje?
— Sim, todo mundo tem medo de algo.
— Do que você tem medo?
— Tenho medo de envelhecer e descobrir que não fiz nada para ser diferente.
— Não entendi. — uma grande interrogação estava em seu rosto.
— Baratas, tenho medo de baratas.
— Eca, é nojento também tenho. — faz careta e eu caio na gargalhada.
Vejo o senhor Santoro vir até nós, ele é um homem bastante atraente, seus olhos verdes claros chamam atenção de uma forma inexplicável. Ele tem um olhar perigoso.
Repreendo meus pensamentos quando ele para a minha frente e peço perdão a Deus.
— Tem uma mesa reservada para nós, venham. — Sua mão vai para a minha cintura e eu sinto uma sensação estranhamente boa.
O que está acontecendo comigo?
Ele nos guia por entre as pessoas e puxa a cadeira para mim quando chegamos a mesa, tinham outras pessoas ali também, coloco Marco sentado ao meu lado e os cumprimento com um aceno.
O senhor Santoro senta do outro lado fazendo Marco ficar ao meio, uma moça grávida está sentada do meu lado, vejo o carinho que ela faz em sua barriga e de alguma forma isso me confortava. Ela olha para mim e sorri!
— Então você é a nova pretendente? — Ela pergunta.
— Pretendente?
— Sim, de Dante. — a moça morena de cabelos cacheados pergunta.
— Ah não, só estou cuidando de Marco. — digo e ela sorri novamente. — Com quantos meses está?
— Seis meses.
— Uau, está bem grande.
— Está mesmo, quer tocar?
— Acho melhor não — digo sem graça.
— Sei que você quer, me dê sua mão. — constrangida levando minha mão e ela a pega colocando em sua barriga. — Se tiver sorte ela chutará.
Passo a mão delicadamente por sua barriga sentindo a rigidez, quando estou prestes a tirar sinto seu chute.
— Parece que ela gostou de você, não é todo mundo que ela faz isso. — ri — Me chamo, Caliandra.
— Sou uma pessoa de sorte — sorrio de volta. — Sou Helena. Obrigada por me deixar tocar sua barriga...
— A palestra vai começar! — afirma ficando em silêncio.
O homem a frente do palco fala algumas coisas que eu não presto muita atenção, o garçom passa oferecendo suco e eu pego para mim e para Marco que está quietinho ao meu lado entretido com um pedaço de papel e caneta que Dante havia lhe dado.
A palestra era basicamente sobre o desempenho anual dos empresários, e das suas empresas, haviam categorias e prêmios.
— E para empresário do ano, eu chamo ao palco o senhor Dante Santoro. — O palestrante chama e o pessoal bate palmas, bato palmas não entendendo muita coisa. Então além de ser o don da máfia ainda é empresário? Ele vai até o palco, pega seu troféu e agradece a todos.
— Marco? Preciso ir no banheiro... — digo e ele se levanta vindo comigo. Pergunto a um garçom onde era e ele me aponta uma ala separada. Vamos até lá e entro com Marco.
— Não sai daqui, só vou fazer xixi na cabine.
— Certo, Hele. — deixo ele sentado na pia do banheiro e corro para a cabine. Marco cantarola enquanto estou dentro da cabine, volto e ele continua sentado no mesmo lugar, enquanto lavo as mãos duas mulheres entram tagarelando e rindo sobre algo.
— Olha ela aqui. — a moça estava muito elegante, exibia um colar de pedras que eu ousaria dizer que são diamantes, seus cabelos avermelhados estão soltos num penteado com tranças.
— Está falando comigo? — pergunto não entendendo.
— Por que deixariam essa aberração entrar num evento tão importante e ainda com essa roupa de esquina? — Ela comenta com a outra que parece desconfortável com seu comentário.
— Aberração? Consigo ver daqui o quanto é amarga por dentro e só consegue se sentir bem quando está pisando nos outros, então por favor, se isso te faz ser melhor, então faça mais. Estou aqui ouvindo! — digo algo que parecia estar entalado por anos na minha garganta. Lembranças da madre superiora vem a minha mente, elas eram iguaizinhas.
— Que atrevida, você sabe com quem está falando? — se aproximando de mim.
— Eu realmente não sei, mas você chegou me insultado. Não me interessa saber quem é você! — pego Marco no colo pronta para sair, mas ela me empurra fazendo com que eu perca o equilíbrio e bata com as costas na parede, ouço Marco choramingar ao bater com o cotovelo na parede.
— Antonella, para. — a menina repreende. — Machucou o garotinho, vamos sair daqui.
— Irresponsável — grito para ela e ela sai do banheiro rindo do meu desespero.
— Está bem? — olho seu braço, alisando onde havia batido. Ele deita sua cabeça no meu ombro chorando baixinho. Saio do banheiro encontrando o senhor Santoro de cara fechada.
— Onde vocês estavam? — pergunta raivoso.
— Fui ao banheiro.
— Papà... — chama chorando. — Uma moça nos empurrou no banheiro e disse coisas bem feias. — fala fungando.
— Quem foi Helena? — vejo suas mãos se fecharem e os nós de sua mão ficarem brancos.
— Foi uma bruxa do cabelo de fogo. — Marco fala antes que eu diga algo.
— Podemos ir embora? — pergunto.
— Não, antes vamos resolver isso. Qual o nome dela?
— Por favor, senhor.
— Helena, Helena... facilite para mim. — Fecha os olhos por alguns segundos — Não faça com que eu descarregue toda a minha raiva em você. Qual-a-p***a-do-nome? — fala pausadamente.
— Antonella, eu acho.
— Tudo bem. — Ele faz um sinal para um homem e sai.
— Senhorita, poderia me seguir? A levarei até o carro.
Sem dizer nada o sigo, percebo que Marco já estava dormindo, devia estar exausto. Entro no carro e o motorista arrasta o carro.
— O senhor Santoro não vem? — pergunto.
— Ficou para resolver algumas coisas.
Algo dentro de mim sabia que o motivo dele ficar não era bom. Ao chegar na casa entro segurando Marco, meus braços estavam um pouco dormentes, subo colocando ele na cama, tiro seus sapatos e a blusa, deixando-o mais a vontade.
Beijo sua testa antes de sair e decido descer para aguardando o senhor Santoro voltar, sento no sofá olhando para a lareira apagada, só podia ser ouvido o barulho dos bichinhos noturnos lá fora.
Meu corpo e minha mente estavam cansados, abro a boca em um bocejo, meus olhos lacrimejam e eu os fecho instintivamente, sentindo-os pesado, como se estivessem areia dentro.
Acordo assustada com um barulho vindo da entrada, o relógio na parede indicava ser 03:30, levanto percebendo que eu ainda estava com aquele vestido apertado, caminho até a entrada vendo Dante com o blaser jogado sobre os ombros, a gravata frouxa e a camisa branca machada de sangue.
— O que ainda faz acordada? — fala sem ao menos me olhar, ele pega um copo se servindo de alguma bebida.
— Fiquei preocupada.
— Comigo? — ri.
— Com o que o senhor faria com a moça...
— Fiquei decepcionado, freirinha — toma um gole de sua bebida — Pensei que estivesse preocupada comigo, vá dormir!
— O que você fez? — insisto.
— Por que se interessa tanto por isso? Quer realmente saber? — se aproxima de mim, seus cabelos estão um pouco bagunçados, Dante é muito atraente, seu olhar é confiante, mas do que eu entendia sobre isso?
— Porque temo que tenha feito algum m*l a ela.
— Ok freirinha, sabe o que eu fiz? Fomos a um hotel de luxo, transamos a noite toda, dei a melhor transa da vida dela. E depois, bum — ele imita uma explosão — festa de miolos.
— V-você a matou? — digo horrorizada.
— É assim que as coisas funcionam no meu mundo, Helena, a gente trata o m*l pela raiz. Se está dando problemas acabamos com ele de uma vez, não esperamos mais outro motivo.
— Então é assim que você quer impor respeito? Causando medo nas pessoas ? — digo sentindo a raiva aflorar em mim.
— Prefiro o medo ao respeito, quero que me temam, respeito não é algo de segurança.
— E o medo sim? — falo mais alto — Porque uma hora criamos coragem e acabamos com ele.
— Então freirinha, acabe comigo. — ele saca sua arma colocando em minha mão — Vamos lá, aponte para mim e me mate... — abre os braços esperando minha decisão.
— Não sou assim. — minhas mãos estão trêmulas, a cada segundo que eu passo com aquele objeto em mãos parecia pesar ainda mais. Sem saber muito o que fazer coloco a arma sobre a mesa.
— Todos nós somos assim, independente do motivo, o sentimento só está aí dentro adormecido. — se aproxima mais de mim.
— Não. — digo não sabendo ao certo para o que. Ele estava cada vez mais próximo, sua mão é estendida em direção ao meu rosto e eu fecho meus olhos achando que ele me bateria, mas ao invés disso ele coloca uma mecha solta do cabelo atrás da orelha, seus dedos se arrastam por ela, causando-me arrepios, sua respiração é baixa e regular, sentia o vento quente de suas narinas soprarem em meu rosto, não sabia o que ele estava fazendo e nem ficaria para saber, na primeira oportunidade saio correndo para o quarto.