Visitante Inesperado

1015 Words
A semana passou num piscar de olhos, e o tão aguardado jantar na mansão de César finalmente havia chegado. Naquele dia, Mira entrou no escritório do marido sem pedir licença. Ela tinha planos para aquele jantar, e muita expectativa também. — Vou buscar Cara para se arrumar — anunciou, com a determinação de sempre. Ela nem ao menos o cumprimentou, parecia um furacão chegando de forma silenciosa. César ergueu os olhos dos papéis, lançando-lhe um olhar de canto. — Que tal um "bom dia, meu amor, estava com saudades"? — disse ele, olhando-a com um sorriso de canto. Mira revirou os olhos, deu a volta na mesa e se sentou no colo de César. Segurou o rosto dele entre as mãos e lhe deu um beijo apaixonado, como gostava de fazer. — Sabe que merece mais que o meu bom dia, querido, mas hoje estou com pressa. — Disse, levantando-se apressada do colo dele e dirigindo-se para a saída. César ria ao ver aquilo. — Cuide-se... e nada de aprontar. Mira sorriu. Virou-se para ele, segurando a porta aberta. — Você é um anjo, César. Eu? Aprontar? Jamais. Com isso, saiu apressada. Mas, ao longe, ainda se podia ouvir a risada de César dentro da sala. Ele sabia que sua esposa poderia ser muitas coisas, mas quieta não era uma delas. Mira havia conseguido o endereço de Cara no RH da empresa. Sabia que, se tivesse avisado que iria até lá, a jovem inventaria uma desculpa para não a receber. Por isso, optara pela surpresa. — Vamos, Miguel, tenho pressa. — Disse ela ao motorista, entregando-lhe o endereço de Cara. — Como desejar, senhora. — Respondeu ele com um sorriso, enquanto abria a porta do carro para ela. Chegando à casa de Cara, Mira não fez cerimônia e bateu à porta. Para sua surpresa, quem abriu não foi a jovem, mas um garoto de olhar doce e sorriso acolhedor. — Olá... — disse Mira, arqueando uma sobrancelha. — Quem é você? — Sou o Gael — respondeu o menino, orgulhoso. — Vim buscar Cara para se arrumar. — O que a senhora deseja com a minha mãe? — perguntou ele, um tanto desconfiado. Mira sorriu diante da pergunta do menino. — Ela combinou de jantar hoje à noite em minha casa. Quero que esteja bonita para o jantar. E você também. — disse ela com tranquilidade. Os olhos do pequeno brilharam e, animado, segurou a mão dela. — Entra, senhora bonita! — exclamou, puxando-a para dentro. Em seguida, correu até o corredor e gritou: — Mãe! Tem uma senhora muito bonita te esperando na sala! — disse ele, ao entrar no quarto. Cara estranhou as palavras do filho, mas, vendo-o animado com a visita, apenas deu de ombros. O seu coração, no entanto, disparou ao reconhecer Mira confortavelmente sentada no sofá, como se fosse dona da casa. — Mira... — disse, um tanto desconcertada. — O que faz aqui? Mira levantou-se, firme, com aquele ar que misturava autoridade e charme. Voltou-se para Cara de forma tranquila, com um largo sorriso no rosto. — Vim te buscar. Hoje temos um jantar importante, e não pretendo deixar que você vá de qualquer jeito. Vai comigo às compras. Precisa estar apresentável. — disse ela, visivelmente animada com a programação do dia. Mas bastou um olhar de Cara sobre as roupas de Mira para perceber que aquilo não daria certo. Cara franziu o cenho, cruzando os braços. — Não acho que seja necessário. Eu mesma posso dar um jeito... — Cara — interrompeu Mira, num tom que não deixava espaço para debate —, não é uma questão de escolha. Você me prometeu que iria ao jantar, e depois do que houve eu me sentiria muito culpada se não me deixasse fazer isso por você. Cara m*l podia acreditar no que estava acontecendo. Mira havia perdido a postura imponente e, em sua insistência, deixava transparecer um semblante triste que a fez se encolher. Respirou fundo, lutando contra a vontade de responder. Mas, diante da firmeza de Mira, acabou cedendo com um suspiro resignado. — Está bem... vamos, então. Mira sorriu, vitoriosa, e estendeu-lhe a mão. — Assim que gosto. Não se preocupe, vou te transformar numa joia esta noite. Cara gemeu com as palavras de Mira. Já podia prever o suplício que seria estar exposta naquele dia. — E eu? — perguntou Gael, chamando a atenção de Mira. — Me desculpe, pequeno, havia me esquecido de você. — disse ela, voltando-se para ele. — Você também vem. Precisamos de uma opinião masculina hoje. — Oba! — gritou ele, animado. — Vou calçar meus sapatos! Assim que Gael saiu, Cara virou-se novamente para Mira. — Senhora, eu acho que não vou ter dinheiro para comprar o que a senhora deseja que eu use hoje. — disse, um pouco sem graça. — E quem disse que você terá que pagar algo? — retrucou Mira, tirando um cartão preto da bolsa. — Hoje as nossas compras serão por conta do meu filho. É o mínimo que ele te deve por tudo o que fez. Os olhos de Cara se arregalaram diante das palavras dela. Curiosa, estendeu a mão e pegou o cartão de Mira. Ali, escrito em letras elegantes, estava o nome de Rycon. Cara engoliu em seco e devolveu o cartão. — Não, senhora, não posso aceitar isso. — disse, dando um passo para trás. — Pode e vai. Se isso te serve de consolo, as compras de hoje pouco significarão para meu filho. Então, podemos nos divertir um pouco enquanto gastamos o dinheiro dele. — disse Mira, rindo, enquanto guardava o cartão novamente. Cara a observou rir e, sem conseguir se conter, começou a rir também. Não imaginava que a esposa de César, que quase havia lhe batido, poderia ser alguém tão agradável fora da empresa. Assim que Gael retornou, as duas entraram no carro e partiram para o shopping do centro. Cara tinha um sorriso no rosto ao pensar em uma forma de se vingar de Rycon pelo que havia acontecido — uma vingança que doeria no bolso dele.
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