O Filho Do Chefe

957 Words
O dia tinha começado com uma nova animação no ar. Gael havia acordado Cara mais cedo do que ela imaginava; o menino estava animado com a visita à fazenda, mesmo que a sua mãe estivesse indo meio forçada. Cara queria evitar qualquer contato com Rycon, mas aquilo estava parecendo impossível nos últimos dias. — O nosso pequeno homem acordou animado hoje — disse Lúcia entrando na cozinha. — Animado demais para o meu gosto — respondeu Cara, fazendo a amiga rir. — Eu quero ver os cavalos, tia! Em fazendas tem cavalos — disse ele animado. — Sim, meu amor, lá deve ter muitos cavalos. Cara gemeu ao perceber que não havia a menor chance de seu filho mudar de ideia quanto àquele assunto. Alguns minutos depois, alguém bateu à porta. Quando Cara ia se levantar, Lúcia foi primeiro. — Eu atendo — disse ela, abrindo a porta. Quando Lúcia abriu, travou ao ver a pessoa parada à sua frente. Ele era alto, muito alto, moreno e com físico de dar inveja. Usava calças jeans e uma camisa de botões que parecia prestes a rasgar no peito de tão apertada que estava. Ele tinha um chapéu na cabeça e usava óculos escuros. No momento em que os retirou, o corpo de Lúcia se arrepiou por inteiro. O homem à sua frente tinha um olhar frio, como se o simples fato de Lúcia estar parada diante dele fosse uma ofensa. — Vim buscar a Cara e o Gael — disse ele. Ao som daquela voz, Lúcia tremeu involuntariamente. Ele não havia dito nada ofensivo, mas seu corpo reagia de forma estranha. — Quem é, Lúcia? — perguntou Cara, se aproximando. Ao ver Rycon, Cara engoliu em seco. Nunca havia reparado em como seu chefe era bonito, mas, olhando para a forma normal como ele estava vestido, o seu corpo reagia de maneiras que ela não esperava. Balançando a cabeça, expulsou aqueles pensamentos. Era de Rycon que se tratava, e para ela ele sempre seria um demônio. — Está pronta? — perguntou ele, ignorando o olhar dela sobre si. Rycon não queria pensar em como aquele olhar o afetava. — Sim, já volto — disse ela, sem convidá-lo a entrar. — Não... não quer entrar? — perguntou Lúcia, voltando a si. — Espero aqui, obrigada — respondeu ele com a mesma voz sem emoção de antes. Lúcia apenas sorriu e fechou a porta delicadamente. Tinha perguntas a fazer a Cara, muitas. — Quem é esse homem, Cara? — perguntou, os olhos brilhando de curiosidade. — O filho do meu chefe — respondeu ela, pegando a mochila no sofá. Os olhos de Lúcia se arregalaram ao ouvir aquilo. — Não brinca! Esse é o cara escroto de quem você falou antes? — O próprio — respondeu ela, enquanto procurava o celular na sala. — Mas onde... — Aqui, mamãe! Estava no quarto — disse Gael, entregando o aparelho. — Obrigada, meu amor — disse ela, dando um beijo na testa do filho. — Ainda estou aqui, sabia? — disse Lúcia, entrando na frente de Cara. — Tenho perguntas, e muitas. — Prometo que respondo quando retornar. — Não faz isso, Cara! Vou ficar morrendo de ansiedade até você voltar — disse ela, caindo no sofá de forma dramática. — Você vai superar — disse Cara, rindo enquanto abria a porta. — Chata! Rycon observava Cara sair de casa rindo. A forma como ela sorria fazia o seu coração se derreter de uma maneira que ele não desejava. Ela caminhava até ele com o pequeno Gael ao seu lado. — Bom dia, senhor — disse Gael, oferecendo-lhe a mão. Rycon riu da forma tranquila como o garoto o tratava. — Bom dia, garoto. Espero que esteja pronto para conhecer a fazenda — respondeu Rycon. — Mais que pronto, senhor! Quero muito ver os cavalos — disse ele, animado. — Então você vai gostar. Mas me chame apenas de Rycon — disse, enquanto abria a porta para Gael entrar. Cara observava enquanto Rycon acomodava Gael no banco de trás e colocava o cinto de segurança nele. Depois, pegou a pequena bolsa que ela trazia na mão e colocou no porta-malas, entrando no carro. — Vai entrar ou quer ir correndo atrás de nós? — perguntou ele, com um sorriso de canto. Os olhos de Cara se escureceram com aquela provocação. — Apenas se você estiver preso a uma guia — respondeu ela, também com um sorriso de canto. — Está me chamando de cachorro? — perguntou ele, furioso. — Se sabe do que estou falando é porque é verdade — respondeu ela, entrando no carro com tranquilidade. — Você... — O que é uma guia, mãe? — perguntou Gael. — Algo que usamos para levar cachorros para passear — respondeu ela. — Mãe, o senhor Rycon não é cachorro. Você se confundiu — disse Gael, na maior inocência, alheio à troca de farpas entre os dois. — Você está certo, querido. Rycon olhou pelo retrovisor com raiva. Cara estava obviamente brincando com a sua paciência, mas ele daria o troco — e não demoraria. O percurso até a pista de decolagem foi curto e, quando Gael viu o pequeno avião parado no hangar, não conteve a emoção. — Não brinca! Vamos de avião! — disse animado. — É mais rápido, e assim você poderá ver a cidade de cima — disse Rycon, puxando-o consigo enquanto caminhava em direção ao avião. Cara observava a paciência de Rycon com seu filho e ficava satisfeita. Podia ter as suas diferenças com ele, mas era grata por não estender isso a Gael. Em silêncio, seguiu atrás deles, com um sorriso no rosto ao ver a felicidade que há tanto tempo não estampava o rosto do filho.
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