O cheiro Dele

1043 Words
O carro seguia em silêncio. Cara mantinha os olhos fixos na janela, tentando fingir que não sentia o peso da presença de Rycon ao seu lado. Mas era impossível. A lembrança ainda latejava em sua mente: o momento em que ele se inclinou sobre ela para puxar o cinto de segurança. A proximidade. O olhar intenso. O leve roçar da respiração contra a sua pele. E o cheiro dele. Aquele perfume discreto, másculo e inebriante que parecia se entranhar em seus sentidos. Cara inspirou sem querer, como se buscasse mais daquela essência que a fazia perder o chão. O seu coração acelerou, e só então percebeu o rumo perigoso de seus pensamentos. Pare com isso, Cara! — repreendeu-se em silêncio, apertando as mãos no colo. — Ele não é nada além de um homem mandão e arrogante. Você não pode, de forma alguma, desejar... isso. A mente dela, no entanto, não obedecia. O silêncio ao lado de Rycon parecia ainda mais intenso, como se cada batida do coração dela fosse um segredo que ele poderia ouvir. Quando o carro estacionou em frente à casa, Cara suspirou aliviada, mas também um tanto decepcionada por aquele momento íntimo, ainda que silencioso, chegar ao fim. Havia algo em Rycon que a fazia querer saber mais dele, querer de certa forma o conhecer além daquela aparência arrogante que ele carregava. Assim que desceram, Lúcia correu até eles, ansiosa para ajudar. — Deixa que eu pego o menino! — disse, abrindo os braços para Gael. — Não precisa — interrompeu Rycon, firme, já acomodando o garoto nos próprios braços. — Eu levo. Sem dar espaço para contestação, entrou na casa carregando Gael, como se fosse o dono do espaço. Cara estreitou os olhos, incomodada com aquele gesto tão natural dele, como se tudo girasse em torno de sua vontade. Rycon colocou Gael cuidadosamente no sofá, cobrindo-o com a manta. Depois, voltou-se para Lúcia e, com um gesto decidido, tirou um cartão do bolso e lhe entregou. — Este é o meu número pessoal. Se precisar de qualquer coisa — qualquer coisa — me ligue. Não importa o horário. Cara se adiantou, irritada: — Rycon, não precisa disso. Nós sabemos nos virar. Mas ele a ignorou, fixando o olhar em Lúcia. — Isso é entre mim e ela. Quero que saiba que não estarão sozinhos. Lúcia, constrangida, apenas assentiu, guardando o cartão. Ela podia ver nos olhos de Cara o quanto ele tinha odiado aquela atitude dele, mas Lúcia estava feliz por Rycon ter aquela atitude em relação a eles. O sangue de Cara ferveu. Quem ele pensava que era, invadindo a sua casa, impondo regras e agora passando por cima dela? Rycon se abaixou diante de Gael, afagando os seus cabelos. — Fique bem, pequeno. — Sua voz saiu mais suave, quase calorosa. — Eu volto para ver vocês. Ao se levantar, dirigiu um último olhar a Cara. Havia algo naquele olhar — autoridade, mas também uma sombra de cuidado — que a deixou ainda mais confusa. Ele então se despediu, deixando a casa. Cara permaneceu de pé, os punhos cerrados, o coração acelerado não só pela raiva, mas também por algo que não queria admitir. Como alguém podia ser tão irritante e, ao mesmo tempo, despertar sentimentos que ela não queria sentir? — Esse i****a. — Resmunga ela chateada. — Achei que ele foi fofo ao fazer isso. — Diz Lúcia com um sorriso enquanto olhava para o cartão. — Fofo? Você só pode estar louca. Aquilo ali é um lobo em pele de cordeiro, isso sim. — Diz ela se deixando cair no sofá ao lado de Gael. — Mamãe, o Rycon cuidou de mim, não é certo você falar assim de alguém que nos ajudou. — Diz Gael chamando a atenção dela. O rosto de Cara cora de forma violenta ao ouvir as palavras do filho, ao seu lado, Lúcia cai na risada sem disfarçar a sua diversão com as palavras do sobrinho. — Concordo com você Gael, sua mãe tem que aprender a ser mais grata. — Diz Lúcia gradando o cartão. — Você está adorando isso. — Diz Cara. — Amando na verdade. Você é muito certinha Cara, é bom te ver perdendo a linha as vezes. Lúcia conhecia Cara há anos e sabia como ela agia normalmente, a ver agindo diferente perto de Rycon a deixava muito feliz, na sua mente se formava a esperança de que talvez a sua cunhada estivesse pronta para um novo amor. Cara apenas desvia o olhar do de Lúcia, as vezes nem ela se reconhecia quando o assunto era Rycon, e no momento ela tinha informações de mais sobre ele na sua mente. — Vou dormir, tenho trabalho amanhã. — Diz ela ajudando Gael a se levantar e saindo. — Boa noite! E sonhe com um certo CEO da abunda bonita! — Grita Lúcia rindo as suas costas. No outro dia Cara se arruma rapidamente, e arruma Gael para a escola. Quando ela sai do quarto e entra na cozinha estaca no lugar. Ali estava ele, a razão da sua insónia e mau humor matinal, Rycon, sentado de forma tranquila a mesa enquanto tomava uma xícara de café. — O que está fazendo aqui. — Diz ela de forma ríspida. — Bom dia para você também. Sei que é mau educada, mas devia se esforçar mais pelo Gael. — Diz Rycon a fazendo trincar o maxilar de raiva com as palavras dele. — Você... — Oi Rycon. — Diz Gael correndo até ele e lhe dando um abraço. — Oi garoto, como foi sua noite? — Pergunta bagunçando o cabelo dele. — Foi boa. Eu sonhei que era um super herói, e que salvava a mamãe de um vilão horrível. — Diz ele com os olhos brilhando em animação. Rycon lança um olhar sugestivo para Cara, ela apenas desvia o rosto, tinha entendido perfeitamente o que estava acontecendo. — Eu tenho uma amiga que vai adorar ouvir mais sobre o seu sonho, o que acha de contar a ela? — Pergunta Rycon se abaixando na altura dele. — Sério! Se ela gosta de heróis eu conto! — Responde ele animado. E aquele tinha sido o primeiro passo de Rycon para que Gael se recuperasse do trauma.
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