11. Buaque

809 Words

A noite já tinha caído sobre o Rio, e a cidade parecia outra: as luzes refletindo no asfalto molhado, o barulho distante das sirenes se misturando ao som abafado de um baile em alguma parte alta do morro. O tipo de calmaria que só existe entre uma operação e outra, quando o caos resolve tirar um descanso. Eu tava encostado na janela da sala da delegacia, camiseta, colete jogado na cadeira. O cigarro queimava entre os dedos, e o gosto amargo da nicotina misturado ao uísque fazia o corpo relaxar do jeito que só o pecado consegue. Lá fora, o vento trazia o cheiro de chuva e gasolina, familiar, quase reconfortante. Caveira entrou, mancando, como sempre. — Tá de bom humor hoje, hein, Buarque? — ele provocou, jogando a mochila num canto. — Bom humor não. Tô pensando. — Cê pensando é perigos

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