— Pode se sentar, menina. - Oferece a cadeira gentilmente.
— Não, obrigada. - Respondi antes que pudesse pensar em uma desculpa. Estava severamente desconfortável com a presença desse homem.
Sua sala é grande, atrás da sua mesa uma enorme janela de vidro dando a visão da frente do campus. Nas outras paredes alguns quadros de navios antigos e móveis rústicos, como se tivessem sido construído junto com o prédio, perfeitamente em seus devidos lugares.
Uma das suas sobrancelhas arqueiam a minha resposta, mas seguiu seu caminho até sua cadeira e sentou-se nela. Sinto o meu rosto queimar em pânico, queria sair dali o mais rápido possível.
— Vi na sua ficha que não é daqui, está dentro das expectativas? - Sorriu simpático. Faço um esforço para sorrir de volta.
— Menos movimentado. - E mais perigoso, penso.
— Imagino, mas espero que goste daqui e das aulas. Te chamei aqui pela suas ótimas notas e desempenho escolar. Temos um grupo de monitores, talvez você se interesse.
— Ah, claro! Vou dar uma olhada. - Menti, com os pés inquietos querendo sair dali.
— Bom. - Abre a gaveta e eu seguro meus livros com forças. - Aqui estão as regras que o professor Felipe falou. - Arrastou um panfleto e seus olhos correm das minhas mãos até o meu rosto. Solto o ar pela boca, afinal o que eu esperava que ele tiraria daquela gaveta. - Está tudo bem, Rafaela?
— Desculpe. Estou um pouco cansada. Posso ir?
— Claro. - Respondeu com a voz baixa.
Pego o papel em sua mesa e sinto seus olhos em mim, faço um esforço para não olhar de volta e dou as costas pra ele. O ar novamente começa a circular nos meus pulmões com facilidade.
— Garota! - Uma mão segura o meu braço com força. Sobressalto e vejo Kim soltar mais assustada ainda. - O que foi? Céus, seus lábios estão brancos!
— Xiu! Vem, vamos no refeitório. - Falo já a puxando pela mão.
— Tá! - Ela cruza as mãos na altura do queixo enquanto estamos sentada mesa. Contei tudo a ela e esperava uma resposta. - Sabe, Rafa, confesso que no começo imaginei que fosse uma pegadinha, o que estavam fazendo com você e eu queria descobrir para dar uma grande surra nessa pessoa. Mas pelo visto, isso realmente está acontecendo. Não sei, talvez... - Ela estala a língua incomodada. - Talvez devêssemos ir embora daqui.
— Embora!? Mas Kim...
— Mas o que, Rafa? - Interrompeu. - Estamos perto de descobrir como aquela garota morreu? Desculpa, mas não vale a sua vida. Nós não sabemos do que se trata, a única coisa que temos certeza é de que o diretor e um professor estão envolvidos. Isso está sinistro.
— Você tem razão. - Concordo.
— Olá. - Uma garota com a voz tímida, com cabelos curtos arrepiados para ao nosso lado. - Posso me sentar com vocês?
— Claro. - Respondo antes da Kim.
Ela puxa a cadeira e se acomoda. Ela é bonita, tem os traços finos, mas o seu semblante é um tanto preocupada, olha para os lados e inclina um pouco o corpo sob a mesa e começa a falar:
— Não pude deixar de ouvir vocês. Sobre a garota que morreu. - Sussurrou.
Eu encaro a minha amiga e nós duas olhamos para a nova garota na mesa, esperando que ela continuasse.
— Éramos amigas. Emily, ela era incrível. Sempre alegre, chegou aqui...
— Ela não morava aqui? - Kim interrompeu e a garota n**a com a cabeça. Talvez essa informação não estivesse nas inúmeras buscas pelos sites que ela fez.
— Estava aqui há dois anos e meio, mais ou menos. Tudo começou quando ela começou se envolver com um professor. - Continuou a cochichar.
— Felipe. - Acrescentei torcendo para ela negar. Porém para a minha infelicidade, ela assentiu.
— Mas ninguém sabia, inclusive eu. Ela começou a agir estranho, faltar nas aulas, estava sempre com medo e me evitava sempre que tinha a chance. Naquela noite, ela foi a minha casa apavorada e me contou que estava saindo com ele. Contou do sexo, do quanto ele era conquistador e que estava apaixonada por ele, mas que isso custaria sua vida. Não entendi muito, ela estava nervosa demais. Fui buscar um copo d água e quando voltei ela não estava mais lá. Horas depois recebemos a notícia de que ela estava morta. - Meu queixo cai no chão e eu fico sem reação. A minha amiga continua a encarar a garota como se ela fosse uma lunática.
— No blog fala que ela foi achada na porta da casa dela. - Kim fez uma observação, eu nem sequer conseguia mover os lábios.
— Sim, uma casa provisória. Provavelmente como vocês.
— Por que está contando isso pra nós? - Pergunto e ela cobre o rosto com as mãos, é notória a sua angustia ao tocar no assunto.
— Porque vocês são as únicas pessoas que tiveram coragem de falar em voz alta o que está acontecendo - Dou uma multa na Kim pelo olhar. Tagarela. - Tem algo muito estranho nessa cidade.
— O que garante que você é uma pessoa confiável? - Kim perguntou desconfiada.
— Nada. Vocês só precisam acreditar em mim, e eu aconselho vocês a manter distância.
Molhei os meus lábios que estavam secos e olhei para a Kim. Nos encaramos por alguns segundos e a nova garota suspirou.
— Ele já se aproximou, né? - Com certeza, foi uma pergunta retrógrada.
— Festa? - Grito do meu quarto, para a Kim que está na cozinha. - Você jura Kimberly?
— O que mais você quer fazer, além de ficar em uma cidade esquisita com pessoas esquisitas e assassinas? - Parou no batente da porta apenas de sutiã. - Se eu for morrer que seja com classe.
— Nós não vamos morrer. - Travei os dentes, eu também queria acreditar nisso.
— Não, nós vamos a uma festa. Agora se arruma que o Lucas já está a caminho. - Foi inevitável não sorrir com o nome dele, e não passou despercebido por ela. - Huuuum! - Gemeu maliciosa - Pelo menos arrumou alguém pra t*****r.
— Cala a boca! - Arremessei o meu travesseiro e ela desvia rindo.
Enquanto ela foi para o banho, abro o meu guarda roupa buscando por uma roupa legal. Não trouxe muitas roupas para festas, não imaginaria que estaria em uma tão cedo.
Não imaginaria que acabaria em uma cidadezinha tão estranha, pensei que tudo seria diferente enquanto arrumava as minhas malas pra vir pra cá. Parece um filme de terror, mas algo me prende aqui, precisava descobrir o que realmente era Garindé. O que sei até agora é que é uma cidade cinza, úmida e com pessoas estranhas. Ah, claro, e um possível assassino.
A menina da faculdade levantou da mesa assim que viu o Felipe entrar no refeitório. Não pude deixar de olhá-lo caminhar como se fosse o dono do mundo, as duas mãos nos bolsos do jeans escuro e rosto ereto. Uma postura impecável. Nossos olhares se cruzaram e eu tive a vasta sensação que ele estava me procurando, mas seus olhos virarem em repulsa ao reparar que eu o encarava, mostrou sua insatisfação a minha presença. Pela mesma porta que ele entrou, também saiu.
Então talvez Kim estava certa, precisamos de uma festa para acalmar os ânimos e agir como adolescentes normais. Eu amava festas, bebidas e música, não tinha motivo para negar a este convite, ainda mais feito pelo Lucas, será que alguma garota na vida já negou um convite dele? Ele é tão bonito, como se tivesse saído de um filme de comédia romântica.
Visto a minha calça jeans clara e uma camiseta maior que o meu número, calço os meus Nike air force e vou pra fora até o banheiro. Ainda estava com o vapor e gotículas de água escorrendo pelo azulejo. Limpo o vidro embaçado e prendo meu cabelo em um r**o de cavalo longo. Abro o meu estojo de maquiagem e pego um corretivo, malditas olheiras. Passo um rímel e vou ao encontro da Kim.
Ela já estava na sala, com calça jeans e regata cinza. Seus cabelos ruivos estavam lisos, com curvas quase imperceptíveis . Kim é uma garota muito bonita, com aquele jeito de que foi popular na escola.
— Ele chegou. - Ela balança o celular na altura do rosto com um sorriso malicioso.
— Vai, Kimberly. - Empurro ela levemente e damos risada enquanto ela abre a porta.
A visão é linda. Lucas dentro de um carro, obviamente, preto. Com uma não ele segurava o volante e outra o celular, mas virou o pescoço assim que nos viu saindo, abriu um sorriso simpático e bonito quando nós nos aproximamos.
Agradeço internamente por Kimberly ter me convencido de ir, até porque, o que mais poderia acontecer? É só uma festa.
Chegamos no bar, e estava mais movimentado do que a última vez, somente com jovens bêbados segurando copos com bebidas alcoólicas.
— Está movimentado hoje - Lucas informa - tem uma cidade vizinha com uma comemoração de calouros e a Gabi conhece um dos donos de uma fraternidade. Conseguiu trazer todos pra cá. - Lucas explicou enquanto estacionava o carro. Parecia empolgado com a quantidade de cliente.
Kim inclina o corpo lentamente entre os dois bancos da frente e sorri animada.
— Não acredito que vamos ter uma noite descente nesse lugar! - Comenta.
— Pode apostar. - Ele garantiu e sorri pra mim. Demoro alguns segundos para tentar entender se existiu uma indireta ou apenas comentário.
Descemos do carro e já vejo a Gabi, Camila, Diego e Pedro sentados no mesmo lugar daquele dia. Fomos indo até eles e recebidos por abraços e cumprimentos. Mesmo que nos conhecemos recentemente, eles nos acolhem como se fossemos grandes amigos, e isso de certa forma faz com que me sinta confortável ao lado deles.
— Como foi o primeiro dia? - Cami perguntou e a Gabi vira os olhos tediosa.
— Jura, Cami? Falar de faculdade essas horas. Lucas, trás uma bebida para as meninas.
— Claro. O que vocês querem?
— Quero uma cerveja. - Kim respondeu.
— Eu quero o mesmo que ela. - Falei, não sabia o que tinha para beber.
Sinto a mão do Lucas nas minhas costas e as pontas dos seus dedos fazerem pressão contra ela, causando arrepios. Um toque suave e despretensioso, contudo existia uma segunda intenção: me desconcentrar.
— Já volto. - Sussurra no meu ouvido e vai indo até o bar.
— Ele é um gato. - A loira falou, enquanto observava a minha reação. - Mas cuidado, ele é um dos piores.
— Ah, Gabriela! - Diego indagou. Ele normalmente é quieto, mas pareceu estar incomodado com o comentário dela - Por que está queimando o filme dele? Só porque ele me falou que você estava transando com outro quando namorávamos?
— E lá vamos nós. - Camila cantarolou.
— Não! - Rebate, irritada - Lógico que não, falo isso porque ele já transou com todas dessa cidade. Ele consegue tudo o que ele quer. Eu adoro o Lucas, mas não posso mentir sobre ele.
— Não minta. - Pedro da os ombros irritado, defendendo o irmão. Eu, Kim e a Camila observávamos a pequena discussão.
— Sabemos bem como ele é. - Ela finalizou, e toma longos goles da sua bebida.
— Não quero me envolver com ninguém. - Minha voz saiu mais baixa do que eu queria.
— Espero mudar a sua opinião. - Lucas entrega a minha cerveja e a da Kim, já aberta. - Pelo visto falavam de mim, pude ver os olhos em chamas da Gabriela.
— Que tal uma brincadeira? - Kim propôs e eu agradeci, não queria ouvir outro discurso do quanto Lucas era safado.
— Conta pra nós, garota da cidade.. - Pedro sorriu pra ela, observo as bochechas da minha amiga corar escarlate.
— Que brincadeira? - Novamente sinto os seus dedos nas minhas costas. Dessa vez ele faz movimentos circulares discretos. Engulo seco e seu sorriso satisfatório me mostra que ele percebe que o meu corpo está respondendo aos seus toques. De perfil ele é tão bonito, alto, rosto quadrado e um sorriso de tirar o fôlego de qualquer uma.
— Chama “Eu Nunca”. Já que estamos falando do que as pessoas fazem ou não, podíamos ver quem já fez as mesmas coisas. Quem ter feito, bebe.
— A Gabriela vai ganhar. - Diego zomba, recebendo um dedo do meio da amiga.
— Posso começar? - Lucas pergunta tirando a mão das minhas costas. Quase solto um gemido triste. Todos afirmam com a cabeça e ele começa. - Eu nunca transei com algum desconhecido.
Busquei na memória se já havia feito isso, todos exceto eu e a Camila beberam, mas eu ainda vasculhava na minhas transas se já ocorreu, e percebi que nunca tinha feito isso.
— Eu nunca transei com duas pessoas ao mesmo tempo. - Gabi fala e toma alguns goles, Pedro e Lucas também.
Me mexo desconfortável ao imaginar Lucas nu com duas mulheres. Imagina-lo nu fez eu perder um pouco do foco da brincadeira.
Era engraçado como levávamos um jogo malicioso com risadas e i********e, sem que ninguém ficasse sem graça. Até Camila bebeu algumas vezes, e quando me dei conta já havia bebido demais. Por um lado fico feliz e por outro impressionada com as coisas que já havia feito. Levanto para ir ao banheiro, talvez rápido de mais e isso faz com que a querida gravidade se responsabilize por quase me arremessar ao chão. Lucas com as suas mãos ágeis me segura rapidamente.
— Eita, caloura. Acho que bebeu demais. - Ele fala entre risadas e todos o acompanham.
— Tá bem, Rafa? - Kim pergunta com uma risadinha.
— Sim, só vou ao banheiro.
— Vou com você. - Prepara-se para levantar.
— Eu levo. - Lucas interrompe, e eu concordo com a cabeça para a Kim. Começamos a caminhar em direção ao bar. - Desculpa ter deixado você bêbada logo no começo.
— Estou bem, só um pouco zonza.
— Estamos quase chegando.
Ele me deixa na porta do banheiro e vai atender aos homens que o chamaram mais de quinze vezes, venceram pela insistência e ganharam um Lucas irritado.
O banheiro estava ocupado, então encosto na parede e fecho os olhos ouvindo a música alta com toques repetitivos, lá fora quase não dava para ouvir. E eu agradeci por isso, esse som parecia me deixar ainda mais bêbada.
A porta destrava e eu abro os olhos, vendo uma menina de cabelos bagunçados sair de lá com um cara. Cabelos bagunçados, roupas amassadas e batom borrado. Merda. Desisto de ir ao banheiro que provavelmente foi muito bem usado, e vou indo para a saída, não encontro o Lucas e continuo meu caminho.
Do outro lado da rua, uma figura conhecida... O reconheceria de longe com seus passos arrogantes, talvez seja uma boa ideia eu segui-lo, e se eu descobrisse o que realmente acontece por aqui ? Não sei muito bem o que estou pensando, se era em descobrir onde ele está indo ou ter o vislumbre da sua beleza novamente. Entrei em conflito comigo mesma, meus pés estavam confusos se iam ou ficavam. O som já não é ouvido e as risadas das pessoas ficam distantes, definitivamente meu corpo irá a sua direção. Olho para trás e percebo que já estou longe o suficiente para ninguém me ouvir ou ver, o que é preocupante, então a melhor opção seria voltar. Quando me viro, Felipe está parado na minha frente.
— Por que diabos está me seguindo ? - Pergunta em um tom baixo e irritado. O cheiro fresco que saia da sua boca era tão bom que não consegui respondê-lo. - Você está bêbada? Bêbada e sozinha no meio da rua escura?
— Pode me contar, o que está acontecendo, por favor? - Pergunto tentando fazer com que ele pare de rodar. Que o chão pare de mexer...
— Além de você me seguir bêbada? - Ele coça a nuca impaciente e eu continuo quieta. Não conseguia formular nenhuma frase e já começava me arrepender de ter vindo até aqui. — O que você quer, Rafaela?
Essa pergunta faz com que a minha mente trabalhe em algo que eu quero no momento, e surpreendentemente meus olhos vão até os lábios dele. Pela primeira vez eu reparo nos lábios avermelhados e aparentemente macios.
— É isso o que você quer? - Sua voz sai rouca. Ele gosta da atenção e com toda certeza sabe o poder que tem.
— Felipe. - É a única coisa que consigo falar.
— Sim.
— Estou em perigo?
— Você quer? - Ele se aproxima e meu coração bate forte.
— Não!
— Deveria voltar para os seus amigos. - Ele toca delicadamente minha bochecha com a sua mão quente e coloca um pouco do meu cabelo atrás da orelha.
Encaro seus lábios novamente e eles formam uma linha reta em seu rosto. Sua mão desliza até o meu pescoço, pela clavícula e me faz ter arrepios fortes, meu corpo treme e eu quase engasgo com a saliva. Sua mão desliza pelo meu braço nu, e ele entrelaça as nossas mãos puxando levemente pra ele. Nossos corpos encostam e eu respiro fundo sentindo o seu cheiro gostoso.
— Deveria voltar para os seus amigos. - Sussurrou no meu ouvido. - E nunca mais voltar a me seguir.
Estranhamente eu obedeci o que ele disse e comecei a caminhar de volta para o bar. Olhei pra trás e ele já não estava mais lá. O efeito da bebida parecia ter abaixado um pouco quando voltei a roda, Lucas já estava tentando acalmar a Kim.
— Onde estava? - Ela quase grita, assim que me viu.
— Eu, eu só...
Escutamos um grito assustador que rasgava a garganta e olhamos na direção, procurando quem gritou. Novamente o grito forte e desesperado, percebemos que estava vindo de trás do bar, Lucas foi o primeiro a sair correndo na direção e logo nós também corremos até lá.
Uma garota vem do sentido contrário com os olhos borrados pelas lágrimas e vermelha de tanto chorar, soluçava tanto que tinha ânsia de vômito. Era a menina que saiu do banheiro mais cedo. Ela sai acompanhada de três pessoas que tentavam a acalmar, uma delas o cara do banheiro.
Continuamos o caminho e ao chegar vejo o Lucas abaixado, era difícil ver, mas o que parecia é que um corpo estava estirado ao chão. Ele procurava sinais vistais, me aproximei mais um pouco e a Kim que estava na minha frente recuou segurando os meus braços. Repentinamente ela foi me puxando pra onde estávamos.
— Kim, o que foi? Está me machucando. - Pergunto, tropeçando algumas vezes pela força e velocidade que ela me conduz.
Ela não parou, e continuava apertando e puxando. A puxei de volta e encaro seus olhos vermelhos e cheios de lágrimas.
— Kim, o que você viu? - Meu coração apertou, o ar para na minha garganta.
— E-era, era ela! E-era ela! - Falou em pânico, e as lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto rapidamente.
— Ela quem Kimberly? - Sinto meu estômago revirar ao imaginar quem era.
— A menina do refeitório. E-eles sabem, Ra-rafa!
Sinto as lágrimas quentes cobrirem o meu rosto.
Era ele.
Com certeza era o Felipe.
Ele a viu no refeitório, ela falou demais e ele estava aqui há alguns minutos.
Ela sabia demais.
Mas eu e a Kim também.