— Vem, vou levar vocês pra casa. - Lucas chega de repente, seu rosto contorce triste ao ver o nosso estado.
Principalmente a Kimberly. Ela se debulhava de tanto chorar, soluçando e fungando a todo instante.
— O que houve? — Pergunto enquanto ele praticamente nos empurra para o carro. Kim não diz nada, mas consigo ouvir seus soluços em meio ao choro no banco de trás.
— Não sei. Queria saber também, logo as autoridades vão estar aí e só a perícia vai dizer.— Explicou enquanto conduzia o carro até a nossa casa.
— Que horrível.
Foi a última coisa que falamos durante o percurso e eu agradeci por isso. Minha cabeça está dando voltas e voltas tentando encaixar essas peças, como ele iria estar tão tranquilo ao ter tirado uma vida? E se ele apenas estivesse passando por ali? Por que eu estava tentando inocenta-lo!? Nem o conheço.
Lucas para o carro e encara os meus olhos medrosos. Seus olhos ficam escuros e tristes, sinto sua mão pousar na minha coxa. Sei que ele está tentando me passar segurança, mas se ele soubesse metade do que passamos em apenas dias aqui, não tentaria.
— Fiquem bem, ok? Não saiam de casa hoje, assim que eu souber te mando uma mensagem.
Trocamos nossos números e desci para ajudar a Kim sair do carro. Ela está em estado de choque e isso me preocupa, Lucas abre a porta da casa pra nós e depois vai embora.
— Kim, queria que conversasse comigo.— Implorei, observando ela sentada no sofá com a cabeça enterrada nas mãos.
— Não consigo apagar aquela cena da minha cabeça.— Falou baixinho, tenho que me esforçar para ouvir. Sento ao lado dela, talvez assim consiga entender.
— Você tem certeza, digo, realmente certeza de que era a garota?
— Absoluta! — Levanta a cabeça rapidamente — estava usando a mesma blusa, o cabelo, tudo, era ela! Eu tenho certeza. Muita coincidência isso acontecer logo após ela dizer tudo aquilo pra nós, não acha? - Desesperou-se.
— Sim, é assustador. Eu preciso te conta uma coisa...
— Hum?
— Eu o vi mais cedo. O Felipe, ele estava a rua do bar.
Quando pensei que ela parou de chorar, as lágrimas voltaram.
— O que ele disse? Como ele estava?
— Normal— encolho os ombros, não me recordando de nada suspeito — camiseta preta, calças jeans e sapatos. Parecia despreocupado.— Suspirei com dó da Kim, ela realmente está muito abalada — talvez, devêssemos mesmo ir embora.
— Eu me pergunto se podemos.
Sinto o sol tocar o meu rosto e aquecer todo o meu corpo, me livro dos cobertores e abro os olhos, vendo o raio de luz entrar pela janela. Nos primeiros milésimos fico confusa por estar na sala, mas lembro de que eu e a Kim decidimos dormir junta e colocamos os colchões aqui.
O horário do relógio me diz que perdemos as primeiras aulas, porém, não me importo. Kim passou a noite chorando e acordou assustada diversas vezes, imagino que não iria querer ir pra aula hoje. Também estou assustada, mas não tive a infelicidade de ver o corpo igual a minha amigo viu. Eu tenho quase a certeza que sonhei com o Felipe.
Deslizo a tela de bloqueio do meu celular e vejo uma mensagem do Lucas.
*bom dia! A causa da morte foi overdose. Não houve assassinato, espero que estejam mais calmas. Me liga quando acordar, bj*
Abro a boca puxando o ar e me jogo para o lado sacudindo a Kim. Estou feliz demais para falar o seu nome, e ela acorda em um pulo assustado.
— Foi overdose!!— Aviso eufórica.— A garota morreu de overdose!
— Não sei o que mais me assusta. Isso ou você estar comemorando.— Coça os olhos inchados.
— Então, ela não foi assassinada! — Concluo animada. Sim, animada demais para um morte e parte de mim se sente um monstro por isso.
— Sim.— Falou ainda sonolenta, com um tom desconfiado. — Mas ainda acho estranho, ela não parecia uma dependente química. E as coincidências ainda são cruciais nisso.
— Mas pelo menos não tinha uma faca e uma rosa no peito.— Mesmo concordando com a Kim, tento ver o lado positivo.
— Falando nisso, e a máscara?
— Não sei, mas vou jogar fora assim que encontrar e nós podemos esquecer tudo isso, de alguma forma isso está mexendo conosco. Não recebi mais nada estranho e não me observam mais. Eu sinto, sabe?
— Acha que esqueceram? — Um meio sorriso esperançoso aparece no canto dos seus lábios e eu fico feliz por isso.
— Sim! — Não totalmente.
Levanto e vou tomara um banho para tirar toda aquela sensação horrível da noite anterior, antes de entrar no chuveiro respondo o Lucas e agradeço por ter se preocupado. Ele é um fofo, e meu coração bate forte quando ouço o celular vibrar e sei que é ele. Eu adoro o começo, o frio na barriga, o mistério de não saber o que realmente vai dar... E esse jeito atencioso do Lucas só amplia as sensações.
Entro no meu quarto e sinto um golpe de ar gelado, vou até a janela e fecho. Não lembro de tê-la deixado aberta, mas prometi a mim mesma que não iria mais encanar com pequenos detalhes, colocando suspense e mistério em tudo, se não enlouqueceria. Desde que chegamos, sempre procuramos pelo em ovo... Deve ser isso que fez com que enlouquecêssemos.
Sinto a minha barriga roncar e doer, vou falar para a Kim que precisamos ir ao mercado se não vamos começar comer os cimentos da parede. Aliás, não me lembro de ter visto mercado por aqui; talvez seja melhor eu me trocar logo, antes que comece a achar que aqui é uma cidade vampiro.
Cheguei aqui há três dias e já parece tanto tempo, com tudo o que aconteceu e pela forma que eu e a Kim nos aproximamos facilmente, pela atração e carinho pelo Lucas e pela sensação que tenho toda vez que o meu olhar e do Felipe cruzam, é como fogo e água. Parecemos nos desafiar pelo olhar, uma ligação estranha, que nunca senti com ninguém.
Visto minhas roupas intimas e jogo a toalha no estrado da cama, já que o colchão ainda está na sala. Um papel cai dela e desliza pelo ar suavemente, até pousar no chão. Sinto um enjoo e o amargo subir na minha garganta antes de abaixar abaixo, seguro nas mãos um envelope duro e caro com um lacre de cera preto, dentro do círculo uma rosa. Minhas mão trêmulas abrem o lacre e tiro dentro dele um pequeno papel cartão, com uma data e horário em uma caligrafia bonita manuscrita, escrita com caneta preta de ponta fina.
— Merda, merda, merda — sussurro as palavras repetidamente, quando sento no chão.
Era um convite, ou uma intimação? Não precisava ser inteligente para saber que aquilo era relacionado a máscara. Pelo luxo do papel, a rosa de cera e tudo o que estava acontecendo. Um frio passa pela minha espinha por imaginar que eles estavam tão perto de nós essa madrugada. O que me faz questionar se essa casa é segura, se há algum lugar dessa cidade que possamos estar em segurança, o que parece é que eles podem estar em todos os lugares.
— Rafa.— Ela entra no quarto e eu embolo o convite rapidamente na toalha — tudo bem?— Pergunta ao ver minha reação. — Por quê está no chão?
— Eu cai.. O que ia dizendo?
— Hum — resmunga desconfiada mas continua — Estou morta de fome, falei com o Pedro e eles vão almoçar perto do campus. Topa?
— Pedro?— Dou um sorriso malicioso e ela vira os olhos — Claro, só vou me trocar. E depois vamos ao mercado comprar algumas coisas.— Sugeri e ela afirma com a cabeça, depois se retira do quarto.
A lanchonete é um trailer, pelo menos definitivamente não é uma cidade de vampiros. As mesas e cadeiras de metais espalhadas envolta dele com algumas pessoas e um cheiro maravilhoso. A mesa mais agitada era a que estava o Pedro e o Diego, me sinto desconfortável e um pouco chateada ao ver que Lucas não estava, adorava encontra-lo.. O restante das pessoas comem em silêncio e de cabeça baixa. Pareço estar me acostumando com isso que não me incomodo com a cena.
— Aqui, meninas— Pedro levanta a mão e nós nos sentamos com eles.
— Noite agitada, não? — Diego roda o cardápio para nós escolhermos.
— Nem me fale.— Kim suspira enquanto olhávamos. Eram lanches, e eu amo lanches. Agradeço pelo Pedro ter chamado.
— Aconselho o Mega Burger, vem de tudo e mais um pouco. Uma delicia.— Pedro aponta em uma das linhas — também tem o simples, e tem as porções.
Fizemos os nossos pedidos, pegamos dois simples e coca, e eles dois mega burger.
— E então, como dormiram essa noite? — Pedro retoma o assunto.
— Péssima — Kim responde massageando as têmporas, provavelmente cansada por não ter dormido direito — como eu te disse, foi horrível aquilo. Que imagem horrorosa ver um cadáver.
— Soube que foi overdose — Diego da os ombros — Vocês a conheciam? Ela era da faculdade.
— Conhecemos ela ontem, acho que por isso foi tão aterrorizante.
Eles conversavam sobre a menina e eu percebia as trocas de olhares entre o Pedro e a Kim. Ele a olhava com tanta ternura que era fofo imagina-los juntos.
— E o Lucas?— Perguntei antes de pensar direito.
— Está na delegacia.— Diego responde com um sorrisinho — Teve que ir depor por ser o dono do bar.
Os nossos pedidos chegam e começamos a comer enquanto falávamos de música e cultura. Também falamos um pouco sobre o lugar em que moramos, e o quanto era diferente daqui.
Cada mordida era como uma explosão de sabor, tão prazeroso que meus olhos fechavam ao mastigas a carne suculenta. Assim que termino coloco as minhas mãos no bolso do meu moletom canguru para aquecê-las, sinto o fino papel e respiro fundo: bem-vinda a realidade.
— O campus não é longe daqui, né? — Atravesso seja lá qual for o assunto que eles falavam e tenho a atenção de todos — preciso dar algumas informações pendentes na diretoria.— Menti e a Kim me olha desconfiada.
— Que pendências?— Sussurra apertando os olhos.
— No final da rua, vira à direita e já vai ver.— Pedro responde. — É bem rapidinho, mas se quiser esperar, fazemos companhia.
Agradeço deixando um dinheiro na mesa e levanto, Kim se levanta em seguida.
— Não — Impeço ela quase em um grito, ela com certeza estava desconfiada.— É rápido, fique aí. Não vai ser tão bom você ir até lá depois de ontem — Falei calma e seus ombros pareceram relaxar um pouco.
— Pode ficar conosco, Kim — Pedro oferece e eu agradeço internamente — Te levo embora quando quiser. E você — olha pra mim — Qualquer coisa te busco lá também.
Dou um sorriso em agradecimento e ignoro o olhar da Kim que estava louco para explodir em perguntas, saio antes que ela comece.
Não poderia envolvê-la novamente nisso, não depois de ontem, em ver o quanto tudo isso mexe drasticamente com ela, não quero que esteja envolvida para não ter motivos de irem até ela. Eu tinha certeza que já estava nessa e não tinha para onde correr e não queria levar ninguém comigo, muito menos uma amiga. De qualquer forma, eu não menti sobre assuntos pendentes, eu tinha, com o Felipe, sobre uma máscara e um convite.
Eu já estou familiarizada com o campus portanto é mais fácil encontrar a sala do que a última vez. Sinto um calafrio correr por todo meu corpo enquanto me aproximo da sala dele, penso em bater, mas verifico o meu relógio e sei que o fim da aula está próximo, talvez eu devesse esperar. Até porque nada seria resolvido com dezenas de alunos lá dentro.
Pego o papel em minhas mãos e confiro o horário e a data, leio e releio, talvez ele sumisse ou eu encontrasse um erro que informasse que não fosse meu, obviamente, isso não iria acontecer. A falta do endereço me deixa aflita, eu precisaria de um caso fosse, eles precisariam me entregar e saber que eles vão se aproximar novamente sem que eu perceba me dá medo. Aliás, toda essa situação me da medo.
O sinal bate e eu sobressalto saindo dos meus devaneios, a porta abre e todos os alunos começam a sair enquanto conversam e trocam risadas baixas, sinto um desejo profundo de que tudo fosse normal igual a vida deles. Recebo olhares tortos enquanto me enfio no meio e começo a andar na direção contrária, passo por todos e fecho a sala dele atrás de mim.
Felipe está de costas mas isso não impede do meu coração dar um salto ao vê-lo. Ele está apagando a enorme lousa que tem um desenho do coração. Seu braço estica e a barra da sua camisa social azul marinho levanta um pouco, dando a visão do seu cinto preto na sua calça jeans escura, e poucos centímetros da sua pele, o que me dá uma estranha curiosidade de ver mais.
Seu corpo vira na minha direção. Ombros largos, aproximadamente um metro e oitenta e com um olhar de perigo. Seus lábios fechados faz uma linha reta em seu rosto, sem expressão alguma. Uma de suas sobrancelhas arqueou como se esperasse algo de mim.
Ele espreme os olhos, assim que percebeu que eu o analisava. O que ele queria ver tão fundo com aqueles olhos castanhos intensos, nem Deus sabe.
— Eu preciso saber o que está acontecendo. — Falo.
Os meus olhos não conseguiam se concentrar diante dele. Diante dessa beleza única.
— Do que está falando? — Questiona, a voz rouca e baixa.
— O que sabe sobre a máscara?
— Eu não sei.
— Não se faça de bobo. — Pedi, soltando o ar.
— Eu nunca me faço. — Fala seco.
— Lógico que sabe! Só está se fazendo de desentendido. Não quero ser uma segunda Emily, não quero que enfiem a p***a de uma faca no meu peito! — Minha vista embaçada denúncia o meu desespero.
Ele é tão alto, e tão seguro de si mesmo. Caminha na minha direção como se soubesse que é bonito e sua segurança é o que toda pessoa deseja. Parou há alguns passos de distância, e internamente, supliquei por centímetros a menos.
— Seja lá qual brincadeira colocaram você, sugiro que não dê importância. O campus é cheio de trotes, você é nova, é um ritual.
O encaro com ódio, sinto todo o meu corpo esquentar e uma vontade de gritar e jogar todos esses livros nele. Felipe não é burro, sabe do que estou falando.
— Por que simplesmente não me fala a verdade?— Minha voz sai quase em um sussurro.
— Porque você ainda não me perguntou nada que eu saiba a resposta. — Ignora os meus olhos raivosos fixados dele. — Sabe, os veteranos podem ser cruéis quando querem.
Ele dá mais um passo, e meu rosto fica quase encostado no seu tórax, fazendo com que eu sinta o seu cheiro forte e másculo, amadeirado, um cheiro delicioso. Era inexplicável esse desejo que eu sentia por ele, impossível um ser humano ter tamanha perfeição. Seus lábios se aproximam do meu ouvido e eu consigo sentir a sua respiração quente, minha pele se arrepia e eu tremo. Essa proximidade, com certeza está mexendo comigo. O corpo dele tão próximo ao meu, fazia com que eu tivesse sensações estranhas e boas ao mesmo tempo.
— As paredes têm ouvidos.— Sussurra com a voz rouca.
— Estou com medo — Assumo no mesmo tom.
— Eu não matei ninguém.— Confessa, Passou por mim e o ar trouxe o seu cheiro.
Meu corpo continua travado, com a sua informações, a falta de informação, o toque, a voz e a proximidade. Estou travada e não sei se estou em choque, o cheiro dele ainda está fresco na minha memória e não consigo pensar em nada. Fico parada sozinha alguns segundos lutando contra os meus próprios demônios.
Encontro a Kim em casa e vamos ao mercado. A todo momento ela pergunta o que fui fazer e mesmo que eu repita a mesma coisa cem vezes, ela insiste na pergunta. Já está decidido que não vou envolvê-la nisso, não posso, por mais que eu queira e precise desabafar com alguém sobre essa loucura.
A atitude do Felipe me confunde totalmente, não sei no que acreditar e não quero supor nada. Minha mente me interroga sobre ele ser inocente, mas não pode ser, ele disse que as paredes têm ouvidos mas ao mesmo tempo finge não saber de nada. Ele tinha chances de ser inocente? Não sei.
— Talvez devêssemos fazer algo normal hoje, sabe.— Kim sugere enquanto guardamos as coisas no armário.— Uma noite comum de duas garotas universitária.
— Somos duas garotas comuns e universitárias —dou um sorriso fraco e evito o contato visual.
— Talvez — Senta na cadeira enquanto eu termino de empilhar os sacos de arroz.
— Essa máscara deve ter sido uma brincadeira. E o homem correndo deveria ser um dos veteranos. Só juntamos todas as coincidências e fizemos dela uma pista de um assassinato.— Esforcei para não deixar a minha voz falhar.
— E a garota? Aquela de cabelo curto.
— Ah, Kim, quem sabe!? Só ela saberia disso? Digo, a notícia saiu em um blog, só ela investigaria? Isso é estranho, mas não quer dizer que pessoas de má fé não usariam isso para assustar outras. Já parou para pensar que ela poderia ser uma das veteranas que quiseram nos assustar? — Pergunto e por um momento acredito no que eu estava falando. Mas a conversa com o Felipe mais cedo é como um balde de água gelada.
— Você tem razão. Acho que fizemos disso uma tempestade, sem necessidade. Mas e o Felipe e a aluna?
— As vezes se envolveram. Ele é atraente pra caramba — Assumo em voz alta pela primeira vez e balanço a cabeça em sinal negativo, negando o que acabei de dizer, negando a mim mesma o quanto Felipe é atraente. Kim dá uma risada e eu acompanho.
— Sim, ele é.— Ela garante.
Antes de dormir, dou mais uma olhada no bilhete e percebo que seria em três dias o evento desconhecido. Viro para o lado e subo mais a coberta, fecho os olhos e decido dormir, ficar pensando nisso não vai me levar a lugar algum.
Os dias seguintes passam calmamente, e minha mãe quase surta quando eu retorno suas ligações e desabafa a sua insatisfação pelo meu sumiço, ela tinha razão, prometo nunca mais fazer e ela se acalma, mas estabelece a regra de que todos os dias as dezenove horas devemos fazer uma chamada de vídeo.
Comecei a prestar mais atenção nas aulas e a Kim parece estar muito mais calma com tudo o que está acontecendo, me alivia perceber isso e me dá ainda mais motivos para não contar o que está acontecendo.
Na sexta-feira, o dia amanhece quente e bonito, mas a data de hoje me dá náuseas. Uma ansiedade r**m, como se algo r**m estivesse prestes a acontecer, e como o Felipe não apareceu durante esses três dias, me sentia ainda mais insegura com toda essa situação. Não sei porque depositei certa confiança nele, mas eu tenho. E isso pode ser a minha moeda da sorte ou o motivo da minha morte.
Um fio de esperança faz eu pensar que se não me mandaram o endereço, talvez eu simplesmente não estava mais incluída nos planos. Talvez a minha insistência em descobrir o que houve, fez com que seja lá quem ou o que, se afastasse.
— E então, hoje é sexta, vamos no bar do Lucas? — Kim pergunta enquanto estamos indo embora a pé do campus.
— Sim, acho legal. Falou com o Pedro?
— Por que você não fala com o Lucas? — Ela pergunta com risadinhas e eu torço o nariz incomodada. Desde o seu SMS dizendo que tudo estava bem, não nos falamos mais.
— Ele me intimida, eu acho. A fama dele de ser um galinha.
— E você vai acreditar na Gabi? Ela é doida, ele só avisou ao amigo que ela traia ele. — Encolhe os ombros e eu concordo com a cabeça. — Deveria falar com ele, não é pra desperdiçar.
Sigo o conselho da Kim e assim que chegamos em casa mando uma mensagem para o Lucas.
*oie!*
Envio e vou me despindo para entrar no banho. Não sei se deveria ter mandado essa mensagem, e se eu estiver sendo chata? O celular vibra e eu deslizo a tela para ver a mensagem, que é dele.
*apareceu, né? :) que bom! Antes de sumir de novo, as 20h estou aí, linda. E não aceito não como resposta*
Abri um sorriso ridículo ao ler a mensagem, meu coração bateu contente e todo o meu corpo respondeu bem a possibilidade de encontrar o Lucas hoje.
*estarei pronta, bjs :)*
Entrei no banho e estou empolgada por hoje, pela primeira vez me sinto feliz em estar aqui, agora sim como eu imaginava que seria quando decidi vir pra cá. Uma amiga legal, uma casa bacana e um grupo divertido. Ignoro a parte do professor misterioso e ausente, continuando o meu banho e focando na noite de hoje. Estava ansiosa para encontrá-los e dar risada das pequenas discussões do Diego e da Gabi.
Meu celular vibra novamente e eu desligo o chuveiro para ver o que o Lucas respondeu. Pego a toalha e enrolo no meu corpo, deslizo a tela e meu coração cai. Sinto enjoo ao ler um endereço que eu desconheço, fica difícil respirar e eu volto ao meu pesadelo.