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1057 Words
Talita Quando acordo vejo que o Juliano não está mais na cama, deve ter saído mais cedo. Eu me permiti dormir um pouco mais, fazia tempo que isso não acontecia. Faz tempo que não vou para a academia, não tenho capacidade mental para isso nesse momento, fora o fato de m*l estar comendo. Estou apática. Tomo um banho e vou para o escritório resolver algumas pendências. Até que recebo a mensagem da Alessandra. Demoro para lembrar quem é, até que me recordo do dia que fui viajar com o Juliano. - Oi, Talita! Tudo bem? É a Ale, daquele dia em Socorro. Salva meu número, acabei pegando seu número e esquecendo de te mandar uma mensagem. Adorei te conhecer e adoraria de sair mais vezes com você. Também tenho algumas questões jurídicas, preciso de uma advogada de confiança e me veio você em mente. Eu finalmente estou saindo daquele relacionamento frustrado e quero fazer tudo certo dessa vez, alguns bens dele estão no meu nome e preciso tirar. Se você tiver um horário para me atender, me avise. – Leio atentamente sua mensagem, m*l sabe ela o turbilhão que está minha vida nesse momento, mas preciso trabalhar. Não posso ficar esperando cair do céu. - Olá, Ale! Tudo bem e você? Tenho disponibilidade amanhã às 14h, você consegue vir? – Falo e encaminho o endereço do escritório. - Claro, estarei aí. Após resolver todas as minhas pendências, resolvo comer algo. Mesmo sem a mínima vontade, mas sinto meu estômago doer demais. Essa gastrite nervosa sempre aparece nos piores momentos. Como e resolvo buscar meus filhos na escola, hoje foi o primeiro dia da babá que irá auxiliar a Ofélia. Chego na porta da escola e pego meus pequenos, avisei a Ofélia que os buscaria, então ela está aguardando em casa com a outra Babá, que se chama Geiza. - Oi meus amores. – Digo abraçando meus pequenos. - Oi mamãe... – Eles respondem sem parar de falar em nenhum momento, contam tudo que aconteceu no dia deles e isso me faz sorrir muito. A ingenuidade das crianças é uma dádiva. Chegamos no apartamento e o Juliano já está lá, nos esperando. Nos falamos brevemente e vou tomar um banho. Poucas vezes me senti tão m*l em toda a minha vida. Coloco um pijama e me deito na cama, não tenho forças para descer para jantar. Alguns minutos depois o Juliano bate na porta e entra. - Talita, você não vai comer? – Ele fala sentando-se na cama e olhando para mim. - Hoje não, eu comi qualquer coisa no escritório. Ainda estou meio enjoada, deve ser por causa dos remédios. – Explico sem conseguir fazer muito esforço. - Não é normal isso. Vamos ao hospital, eu te acompanho. – Ele insiste. - Não precisa, isso é comum, é a minha gastrite. Já tomei o remédio, só preciso descansar. - Se você precisar, me avisa que nós vamos. – Ele diz abrindo o guarda-roupas e pegando um outro cobertor. A temperatura caiu muito, está fazendo frio como poucas vezes vi. Ele coloca o cobertor por cima do outro que eu já estava enrolada, acende o abajur e apaga a luz. Ele sai do quarto, mas logo volta com um chá. Ele sabe que o chá de hortelã alivia as dores, ele me entrega o chá e eu agradeço. - Obrigada. Depois disso ele tira sua calça de moletom e se deita na cama do meu lado. Mesmo com um frio de 8 graus, esse homem só dorme de cueca. Parece que quer esfregar na minha cara o que eu já tive um dia e hoje não tenho mais. Palhaço. - Alguma novidade hoje? – Ele pergunta. - Não, hoje foi tranquilo. A Alessandra, aquela mulher que conhecemos em Socorro, me mandou mensagem. Mas, acho que é profissional. Ela disse que precisava de uma advogada, amanhã irei recebê-la no escritório para entender o caso dela. – Falo dando um gole no chá. - Hum... Só não se esqueça que ela o marido tem vínculo com o Sávio. Hoje tive o desprazer de vê-lo no fórum. Ele te falou que não advogava mais, mas continua advogando e com vários processos ativos. Todos criminais para nomes grandes. Todo cuidado é pouco. – Ele fala virando para o lado que estou da cama. - Dá pra esperar tudo, quando vem dele. Ele falou mais alguma coisa? - Ah, ficou me provocando, como sempre. Entendi muito bem o jogo dele, é uma questão pessoal... Com você e comigo. Ele sempre foi muito ambicioso e sempre quis ter o que os outros tinham. Ele não vai parar até conseguir e eu te confesso que isso me preocupa. – Ele fala e olha diretamente nos meus olhos. - Como assim? – Fico intrigada, pois percebo que o Juliano está tentando me falar algo com muito cuidado. - Ele veio me perguntar sobre a minha família, me disse que conheceu a mulher da vida dele. Tudo isso você sabe muito bem que foi de caso pensado para eu achar que você está me traindo. Afinal, ele pensa que estamos juntos ainda. Ele está disposto a tudo para me prejudicar e, para ter você ao lado dele. – Ele fala com total insatisfação. - E como você reagiu a isso? - Eu percebi o jogo dele e me controlei, mas você sabe que a minha vontade era de matá-lo ali mesmo. – Ele explica. - Fico feliz que você está se controlando. O Sávio não vai vencer isso, eu me neg0 a deixar isso acontecer. Falo e sinto uma dor intensa, uma cólica. - Talita? O que foi? O que você está sentindo? – Juliano me pergunta aos berros e desesperado. Afasto o cobertor para tentar levantar e vejo que estou sangrando muito, como se tivesse menstruado com hemorragia. - Meu Deus, o que é isso? – Juliano fala e eu começo a sentir minhas forças indo embora e minhas pernas amolecendo. - Não dorme, Talita. Fica aqui comigo. – Ele coloca a calça e uma camiseta em segundos e me pega no colo. Consigo ouvir o barulho do carro acelerando e os movimentos do mesmo, estamos em alta velocidade. Quando ele para o carro, me pega no colo em desespero e sou colocada em uma maca. Olho nos seus olhos e depois não vejo mais nada...
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