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1059 Words
Juliano No meio da nossa conversa, ela começa a ficar branca. Seus lábios perdem a cor e percebo que ela está amolecendo. Me desespero e, pelo visto, ela também. Quando ela afasta o cobertor para se levantar, notamos que a cama está encharcada de sangue. Não faz sentido isso, não consigo pensar em mais nada. Coloco a primeira roupa que vejo na minha frente e a pego no colo, saio acelerando no carro e quando chegamos no hospital, os médicos a tiram de perto de mim. São horas de agonia, ninguém vem me dar nenhuma notícia. Até que um médico se aproxima. - Família da Talita. – Ele diz em voz alta e eu e me levanto para falar com o médico. - Sou eu, marido dela. O que aconteceu? Por que ela estava sangrando? Minha mulher está bem? – Encho o médico de perguntas, não aguentava mais esperar. - Se acalme, senhor... - Juliano. - Senhor Juliano... O quadro da sua esposa é grave. Sinto muito, mas tivemos que induzir o coma e infelizmente ela perdeu o bebê. – Quando ouço as palavras do médico o chão falta debaixo dos meus pés. - Bebê? – Pergunto desacreditado. - Sim, sua esposa estava grávida de duas semanas, era o começo de uma gestação. – Tento assimilar os fatos e continuo perguntando. - Você disse que o estado dela é grave, Dr. O que aconteceu? Por que induziram o coma? - Ela foi envenenada. A dose que foi lhe foi dada foi para matar, não há dúvidas. Pelo exame toxicológico notamos que ela foi dr0gada com veneno para ratos. Preciso perguntar se o senhor notou algo diferente na sua alimentação, ou até mesmo se bebeu algo diferente nas últimas horas. Só conseguimos mantê-la viva, porque ela chegou muito rápido ao hospital. Mais 10 minutos seria o suficiente para matá-la. Fora que, quando fizemos a lavagem estomacal, somente vimos vestígios do veneno, então foi ingerido com algum líquido, não havia resquícios de alimentos. – Ouço atentamente as palavras do médico e me lembro do chá que eu pedi para a Ofélia preparar para a Talita. - Ela estava enjoada, então eu pedi para a babá dos meus filhos preparar um chá para ela. Ela tomou alguns goles do conteúdo e logo começou a passar m*l. Meu Deus. – Tenho um estalo ao pensar que a Ofélia pode ter envenenado a Talita, já tínhamos desconfiança dela, mas não pensamos que ela seria capaz disso. Me tranquilizo ao lembrar que o turno já foi trocado e a outra babá está com os pequenos. - O senhor consegue trazer o conteúdo do chá para análise? Isso seria crucial para descobrirmos de onde veio esse envenenamento. Mas, te adianto que não há o que fazermos em relação ao quadro de saúde dela, nesse momento. Ela entrou em coma e torcemos para que volte bem, agora só depende da resposta do corpo dela. – Ele fala e eu não controlo as lágrimas. - Eu vou tentar pegar a caneca que ela bebeu o chá, mas antes quero ver a minha mulher. – Falo e o médico coça a cabeça. - Tudo bem, mas precisa ser rápido. Me acompanhe. – Eu o sigo e ele me leva para um quarto, dentro da UTI. Ali eu posso ver a minha mulher... Minha vontade é de arrancá-la de lá e implorar para ela acordar. Ela está pálida, tem um tubo na sua boca e vejo que seus batimentos cardíacos estão fracos. - Façam tudo o que for possível para mantê-la bem. – Digo e saio correndo para a minha casa. Mesmo sabendo que a babá não está lá, eu quero proteger os meus filhos e ter a confirmação de que a Ofélia fez tudo isso, mesmo duvidando muito que ela volte a pisar aqui. Chego em casa e levo as crianças e a outra babá para um hotel. Ligo para meus contatos e peço um segurança para a Talita, no hospital e dois para a proteção dos meus filhos. Com sorte acho a caneca com o conteúdo ainda dentro. Sem perder tempo, tiro uma parte do líquido e guardo comigo, irei levar para um laboratório de confiança. Não irei correr o risco de desperdiçar essa prova. O restante coloco em um saco de evidências e deixo no hospital. Falo com todos os contatos possíveis e descubro onde a Ofélia mora. Enquanto não tenho a confirmação do envenenamento, não posso fazer nada. Mas, deixo um segurança de olho na casa dela, pois não irei permitir que ela tente fugir. Minha cabeça passa um turbilhão de coisas, sinto como se o meu coração tivesse fora do meu peito e todas as outras questões se tornam pequenas perto do risco de perder o grande amor da minha vida. Mesmo se ela não fosse mais a minha esposa, ainda seria a Talita. Ainda encantaria as pessoas com o seu sorriso, sua beleza, sua generosidade e seu bom humor. Ela ainda poderia ser feliz, ela viveria com os nossos filhos e seguiria sua profissão. Não vou aceitar que ceifem a vida dela, ela não merecia estar passando por tudo isso. Sou eu o culpado disso tudo, eu não soube administrar meus sentimentos, agi como um moleque e deixei as pessoas que querem o nosso m*l, atingirem seus objetivos. Eu vou consertar esse erro, nem que isso custe a minha própria vida. Cansei de ser tolerante e paciente, o Juliano impiedoso e sem escrúpulos acaba de voltar. Irei mandar o Sávio para o inf3rno, mas antes o farei sofrer. Eu tive que perder tudo o que é mais precioso, para dar valor. Tomo um banho rápido no meu antigo apartamento, porque ele fica mais perto do hospital. Pego algumas roupas e volto para o local em que a Talita está. Armo um escarcéu dentro daquele hospital e eles acabam permitindo que eu fique no quarto da UTI junto com a minha mulher. Ela sofreu uma tentativa de homicídio, não é seguro que qualquer pessoa entre naquele quarto sem supervisão. Ainda, o segurança fica ao lado de fora somente para dar apoio, caso aconteça algo, também não confiaria em deixar um homem sozinho com a minha mulher em um estado de vulnerabilidade tão grande e isso não se trata de ciúmes. Isso é cuidado. Como advogado já vi tantas coisas terríveis, que todo cuidado é pouco.
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