10 Dean

1900 Words
— Boa tarde! — A voz da diretora ecoa pela sala tirando a distração dos pensamentos de todos. — Boa tarde. — Alguns alunos respondem de volta. Killer e eu ficamos parados na porta esperando ela dar o recado, sem saber bem se entrávamos ou se ficávamos ali. — Como prometido, e já que muitos reclamaram de como sempre só há eventos pela manhã e o turno da tarde é sempre tão excluído das coisas. Hoje teremos um evento alí na nossa quadra esportiva, uma palestra com a psicóloga Rousse sobre a importância da educação s****l. — Reviro os olhos como se eles pudessem dar a volta para trás. — Quero que todos estejam lá prestando atenção. As meninas que sentam na frente se encararam desacreditadas por pela primeira vez sermos privilegiados com um evento e o evento ser esse. Educação s****l, não é nada desinteressante mas também não é nada interessante. Tanto as meninas quanto a diretora olham na direção da porta, Ruby também direciona seu olhar para nós também vendo Killer e eu parados ali na porta. — O sinal bateu há 5 minutos. — A mulher diz olhando as horas no relógio de pulso e direcionando o olhar repreendedor para nós, não damos muita atenção e caminhamos até nossos lugares. Ela nos encara com uma expressão indignada, provavelmente porque não a demos atenção. — Eu preciso mesmo falar com vocês dois, acabei de lembrar. — Ih, fodeu! — Algum dos meninos sussurrou rindo. — Recebi informações de que recentemente, senhor Killer e senhor Dean entraram para assistir aula no horário normal como todos os outros, mas não saíram no horário de término. Conferi a lista da chamada das duas últimas aulas, e ambos não estavam, e eu não recebi nenhuma informação de que vocês precisaram sair, nem mesmo o vigia abriu o portão para vocês. O que me dizem? — Ironizou. Todos os alunos olharam para trás sorrindo tentando segurar a risada e olharam para nós que não conseguimos segurar e ríamos também. Todos riam, mas quando olho para o lado Ruby me encara com um olhar de desprezo tão descarado que me deixa curioso. — O que me deixa mais indignada, é que era o primeiro dia de aula do Dean, não é, Dean? Depois de tanta luta e insistência para que você voltasse, então vem você e já apronta essa? — Estudar é chato, tia. — Brinquei. — É, mas é o estudo que faz vocês serem alguma coisa boa no futuro e daqui alguns anos vocês vão me dar razão. Vamos, venham assinar uma ocorrência ali na diretoria. — A diretora gesticula com a mão nos chamando, então a acompanhamos pisando fundo. Todos então começam a rir e zombar, normal. Amigos se zoam, mas não é algo que eu consiga no momento. Olho para Abby e ela está rindo também, olho para Línea e ela se mantém neutra, mas sua expressão demonstra que quer rir também. Palestra sobre educação s****l não é algo que me atrai, então prefiro ficar sozinho sentado em frente a sala de aula. Nossa sala é mais isolada, ficar aqui em silêncio é incrível. O problema é quando aparece um i****a correndo como um cavalo, ao ponto dos passos ecoarem pelos corredores. Quando paro para descobrir quem é, me deparo com Ruby. Ela vem correndo e sorrindo, parecendo uma louca, mas quando me vê o sorriso some assim como os passos de cavalo. Ela começa a caminhar mais devagar me olhando ali sentado em cima da mesa com os pés apoiados no encosto da cadeira ao lado da porta. Nos olhamos, e então o mundo ao redor para. Não tipo aqueles filmes de romance que passa na televisão, mas sim por raiva mesmo. Indiferença insaciável. Ela me olha com ódio no olhar, mas sem esboçar nenhuma reação. Não sei o que ela pensa, o que ela sente, porque ela não demonstra no olhar. Não desvio meu olhar e ela caminha mais alguns passos e continua me encarando sem dizer uma palavra, e eu não sei o porquê dela estar me encarando tanto. Não há motivos. — Algum problema? — Questiona séria, com a voz fria. Não parece se importar, demonstra que não vai com a minha cara sem pudor. Se mantém em minha frente enquanto estou sentado em cima da mesa. Observo seu corpo tão perto e sinto que estremece com qualquer contato, um simples olhar e ela já vacila. Não diz nada e também evita demonstrar reações mas falha miseravelmente. — Fiz uma pergunta. — Fala sem paciência. — Eu ouvi. — Falo grave e seu corpo estremece ao ouvir a minha voz. Quase deixo um sorriso escapar. — E-então por que não responde? — Por que está gaguejando? — A encaro com desprezo, agora sim esboço reação, não sou de ferro. — O que diabos você está fazendo aqui? Vá ouvir palestra sobre educação s****l, aprenda a usar camisinhas e não voltar grávida para casa. — Brinco prestando atenção na separação das suas coxas, mas disfarçando fingindo olhar para meus pés. — Vá se f***r! — Esbraveja. A olho surpreso com uma sobrancelha arqueada, e ela me encara sem entender. Uma garota tão mesquinha, tão do bem, tão na dela mandando eu ir me f***r? — Pelo visto a santinha tímida da turma não tem a boca tão limpinha assim. — Ri irônico. — Por que eu mandei você se f***r? — Questiona irônica sem esperar por uma resposta. — Você fugiu da escola por meses, e quando voltou arrastou um i****a para fazer o que não deve com você. Seu babaca, estragar sua própria vida já não era o bastante? — Esbraveja. Tento lembrar do que ela está falando, e então lembro de Killer. Eu ri sem humor a fazendo querer voar no meu pescoço e me sufocar até a morte. Noto isso somente pelo seu olhar, e agora tudo fazia sentido, todos aqueles olhares desprezíveis que ela me lançava era por causa dele. — Por acaso está falando do Killer? — Você levou outro para fugir e ficar chapado com você? — Ironizou. — Por que se importa, está dando para ele? — Encaro seus olhos sentindo o rosto arder, como se os olhos dela tivessem um laser. Bufa com a minha fala e eu mordo meu lábio notando que estamos conversando, pela primeira vez. Não que isso parecesse ser uma conversa, mas era. — Isso não é da sua conta, mas eu me importo porque ele é meu amigo. Sabia que ele é um ótimo garoto que nunca deu problemas? Se o que aconteceu se repetir, eu acabo com você. Você não pode acabar com a vida dele como a sua já está acabada.— Grita comigo me fazendo sair do sério. Quem ela pensa que é para me ameaçar desse jeito? Em um movimento tão rápido que ela nem ao menos conseguiu captar, desci da mesa e segurei seu pescoço com força a prensando contra a parede. Me encara com dificuldade de deixar os olhos abertos, sentindo as lágrimas escorrer dos olhos enquanto segura minhas mãos tentando se livrar do meu aperto. Suas unhas fincam em meus braços, mas não a solto. Seus olhos lacrimejam. — Quem você pensa que é para me ameaçar? O que você acha que poderia fazer contra mim, hum? — Sussurro contra o seu rosto com meu tom de voz cheio de ódio e rancor. — Es-está me machucan-ando! — Balbucia com os pulmões a flor da pele, buscando ar desesperadamente e respirando o mesmo ar que eu. Nossos lábios roçam levemente e sinto meu corpo estremecer. Que diabos. — Não faça isso novamente. — Ordeno a soltando e caminhando de volta para a mesa sentando na cadeira agora. Ela cai de joelhos no chão tossindo, buscando, ofegando por ar se livrando daquele ardor do peito aos poucos. Aperto os punhos preocupado, querendo correr para ajudá-la mas algo parecia me segurar. — Vá dá uma volta, respire ar puro. — Sugeri gesticulando com a mão em direção à porta sem muita paciência, fazendo descaso. — Vá se f***r seu i****a de merda, você se acha o centro do mundo por encurralar uma mulher, não é? Por que você não tenta fazer o mesmo com um garoto? — Grita com os olhos fervendo de raiva. Continuava a encarando com o meu olhar surpreso, mas não falava nada. Não imaginava que aquela garota tão acanhada poderia ser tão sem barreiras. Revira os olhos e cerra os punhos enquanto ia em direção à sua carteira pisando fundo. Encaro suas costas engolindo em seco, estava nervoso e não sabia dizer o porquê. Mexe em sua mochila procurando por algo, depois de mexer um pouco tira um espelho, o segura em suas mãos verificando seu pescoço. — Sabe o que aconteceria se eu fosse até a direção agora? — Questiona ameaçadora sem me olhar. — Você quer ir? Não vou te impedir. — Manti a marra, não queria demonstrar temor. Mantinha meu tom de voz relaxado, mas no fundo tudo o que eu queria era ajudá-la e pedir mil desculpas. Mas era orgulhoso demais. — Ótimo, será bem mais fácil. — Responde enquanto caminho em direção à porta. — Onde você vai!? — Elevo meu tom de voz correndo atrás dela. — Acabei de falar que ia até à direção, seu i*****l. Estou em perigo, acabei de ser estrangulada por meu colega de turma problemático. Vou até à diretoria, não é óbvio? A alcanço segurando seu braço com calma a encurralando na parede. — Você não vai. — Meu tom de voz sai autoritário. — Está em perigo? Não parece estar com medo. — Digo me aproximando um pouco mais, abaixo a cabeça até a altura do seu pescoço afastando com cuidado seu cabelo vendo seu pescoço vermelho. Sinto que ela observa fixamente meu rosto, e estremeço com isso. — Você falou que não ia me impedir. — Retruca com o tom de voz baixo e mais suave. Seguro seus braços a obrigando a olhar para mim, ela parece hipnotizada e cada vez mais que interagimos repenso no que está acontecendo. — Não faça isso, não foi minha intenção, tudo bem!? Não faz isso. Não penso as vezes antes de agir, não vai acontecer nunca mais, prometo. — Abaixa a guarda, tentando deixar o tom de voz ainda rude. Foi sorte não ligarem para a minha casa para contar que pulei o muro com Killer, mas por agredir uma garota não deixariam passar. Fico encarando seu rosto, me deixando nervoso. — Humhum... — Resmunga enquanto me olha. Não sei mais o que está acontecendo, nada faz sentido aqui. Nada está fazendo sentido. Não consigo fazer nada além de encarar seus olhos verdes, encaro seus lábios rosados e brilhantes sentindo eles cada vez mais chamativos. Ruby toca seu pescoço e resmunga. Me olha novamente parecendo retornar sua raiva, sinto seu punho acertar contra meu rosto, acredito que com a maior capacidade de força que ela tem. Ouço o som da pancada e em seguida meu rosto dói, gemo de dor e a encaro sentindo meu sangue ferver ao mesmo tempo quer entendo. Ela parece mais interessante agora. — Nunca mais encoste em mim, seu babaca! — Esbraveja. — Filha da p**a! — Retruco tocando meu nariz ensanguentado enquanto me apoio na mesa do professor. — Agora estamos quites. — Deu de ombros e não retruco.
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