O Proibido é muito melhor

1318 Words
Gio Luto contra cada um dos meus pensamentos para não ceder, enquanto os olhos dele estudam o meu rosto, pedaço por pedaço, até se concentrarem na minha boca. Ele não pisca. O olhar dele me desafia em silêncio. O ar parece ficar pesado e rarefeito ao meu redor e, por um espaço de tempo que não consigo medir, considero me deixar levar pela tensão magnética que emana desse homem. Os olhos dele imploram para que eu faça algo, ao mesmo tempo que prometem que ele está disposto a me fazer queimar. Queimar comigo!!! - Eu daria qualquer coisa para ouvir os seus pensamentos agora. - O sorriso dele revela uma covinha que eu não tinha notado antes. - Te deixei desconfortável? - Puxo o ar com força, porque não é desconforto. Na verdade, é uma sensação completamente nova. Algo perigoso que não consigo nomear. - Não. - Respondo num sussurro. - Hum... - Ele dá um passo à frente, invadindo o meu espaço pessoal. - Me permita dizer que você fica ainda mais linda quando cora. Imediatamente levo a mão ao rosto, sentindo a temperatura da minha pele com consciência pela primeira vez. Ele sorri de novo. Agora abertamente. E o meu coração falha uma batida estúpida. - Quer sair daqui? Sim! É a minha resposta mental imediata, porque sinto em cada letra da pergunta uma intenção profunda, mas não tenho tempo para considerar. Ele mesmo me lembra da minha realidade. - Ou você tem alguém te esperando? Ele coloca as mãos nos bolsos, demonstrando um conforto irritante com a nossa interação. Completamente diferente de mim, que pareço prestes a ter um colapso. - Meus pais… - Respondo, recuando um passo, porque os meus pensamentos confusos estão sendo potencializados pelo cheiro delicioso dele. - Vou perguntar mais uma vez, Giulia. - Ele se aproxima novamente e, pela primeira vez, considero o perigo real de fugir. - Somente seus pais? É isso que te impede de sair daqui comigo? É acusação o que sinto na voz dele? - Você sempre propõe para meninas aleatórias um passeio no meio de um evento? - Devolvo, na defensiva. - Você está longe de ser uma menina aleatória, Giulia Mantovani. Ele sorri, mas respeita a distância quando dou mais dois passos para trás. - Não sei como responder a esse comentário. - Acredite em mim quando digo que foi um elogio. Estalo a língua, pronta para retrucar, mas uma voz faz o meu estômago revirar e um gosto amargo subir à garganta. - Aí está você, bebê… Droga! Droga! DROGA! Qualquer tensão elétrica ou prazerosä que senti nos últimos minutos evapora quando encaro o meu noivo na entrada do labirinto. O sorriso no rosto dele não chega aos olhos. É pura falsidade. Ele leva apenas um segundo para analisar o quão perto estou de outro homem. - Estamos indo. Sua mãe pediu para te levar para casa. - A autoridade na voz dele me dá náuseas. Ele fala como se eu fosse uma encomenda a ser despachada. Então, ele desvia o olhar de mim. - Ah, você voltou. - Pisco, confusa. O tom mudou de posse para tédio. Olho para o Pedro e quase não o reconheço. O homem sedutor, relaxado e leve de segundos atrás sumiu. No lugar dele, há uma estátua de tensão. Os ombros estão rígidos, as mãos dentro dos bolsos parecem fechadas em punhos e uma veia salta no pescoço dele. Ele parece pronto para quebrar alguma coisa. Ou a cara de alguém. - Vocês se conhecem? - Pergunto, olhando de um para o outro. Os olhos castanhos do Pedro fuzilam o meu noivo, carregados de um ódio antigo. - Infelizmente, desde sempre. - É o Fábio quem responde, caminhando até mim e puxando a minha mão para a dele com uma força desnecessária. Uma ação de marcação de território. - Achei que tinha se apresentado para ela quando a seguiu até aqui, irmãozinho. - O tom acusatório me pegou de surpresa. - Irmãos? - Consigo perguntar. E o Pedro puxa o ar pelo nariz, ruidoso, sem dizer nenhuma palavra. Tenho a impressão de que isso é sua única ferramenta de controle; se ele abrir a boca agora, parece que vai rugir. Continuo processando a informação quando Fábio volta a atenção para mim, com aquele ar de superioridade que me faz querer gritar. - E você costuma ficar a sós com desconhecidos em lugares isolados, Giulia? Que feio... O que a sua mãe diria? - A vergonha me atinge em cheio, mas não tenho tempo de reagir ou me defender. - Não somos desconhecidos. - A voz do Pedro corta o ar, grave e perigosa. O maxilar dele está tão travado que dói só de olhar. - Palestrei há poucos dias para a turma dela. A reconheci e estávamos apenas discutindo teorias acadêmicas. A Senhorita Mantovani estava sendo apenas educada. Ele mente com uma facilidade assustadora, mas os olhos dele não saem do irmão. Observo a cena, sentindo o clima pesado. Pedro exala hostilidade. Deve haver muito rancor não resolvido entre eles, disputas de família ou dinheiro. É óbvio que o problema do Fábio não sou eu, ou o fato de eu estar aqui; o problema dele é ter que respirar o mesmo ar que o Pedro. E, pela primeira vez na vida, tenho algo em comum com um Carpinetti: eu entendo perfeitamente o desejo de querer socar a cara do meu noivo. - Ah, claro. - Fábio solta uma risada curta e debochada, revirando os olhos. - Tinha esquecido o quanto a minha noiva adora fingir que vai salvar o mundo com os cadernos dela. Que tédio, Pedro. Não sei como você não dormiu em pé conversando com ela. O insulto velado à minha inteligência é algo com o qual já me acostumei, mas, desta vez, sinto uma vergonha diferente. Não por mim, mas por ele estar dizendo isso na frente do irmão. Pedro não ri. O rosto dele permanece uma máscara de pedra, mas os olhos... ah, os olhos queimam. - Ela é uma mulher inteligente, Fábio. - Pedro rebate, a voz baixa e controlada. - Completamente capaz de salvar o mundo se ela quiser. - Agora estou corada por um motivo completamente diferente. - Talvez você soubesse disso se prestasse atenção em algo além do próprio umbigo. - Ele está mesmo me defendendo? O clima gela. Fábio solta a minha mão por um instante e dá um passo em direção ao irmão, estufando o peitö numa tentativa patética de intimidação. - Cuidado com o tom, maninho. Você acabou de chegar. Não queira ser expulso do paraíso antes mesmo de desfazer as malas… De novo. - Ele abre um sorriso frio. - O papai não vai gostar de saber que você já está causando problemas. O Pedro apenas inclina a cabeça ligeiramente para o lado. Um sorriso frio, quase igual ao do irmão, curva o canto da boca dele. - Não se preocupe comigo. Eu sei exatamente onde estou pisando. A questão é... você sabe? Antes que Fábio possa responder - ou piorar a situação -, ele parece se lembrar de que tem uma plateia. Ele bufa, ajeita o paletó e volta a segurar o meu braço, dessa vez com os dedos apertando a minha pele com impaciência. - Vamos embora, Giulia. Já perdemos tempo demais com conversas inúteis. Sou arrastada para longe, literalmente. Os meus pés tropeçam na grama enquanto tento acompanhar os passos largos e irritados do meu noivo. Mas não consigo resistir. Assim que chegamos à saída do labirinto, viro o rosto por cima do ombro. Ele não se moveu. Ele continua parado no mesmo lugar, com as mãos nos bolsos, uma figura assustadora e imponente contra as flores coloridas. E ele não está olhando para o irmão. Ele está olhando para mim. O olhar dele atravessa a distância, intenso e promissor, e sinto um arrepio percorrer a minha espinha.
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