Capítulo 8

1387 Words
Rhae Chegamos à sede da Vespermont Investments, um prédio alto e reluzente no coração da cidade, com vidros espelhados que refletiam o céu azul como se o edifício estivesse vivo, absorvendo a luz do dia. Meu coração batia acelerado, uma mistura de empolgação e ansiedade que me fazia sentir como se estivesse pisando em um território novo e perigoso. Dante estacionou o carro na garagem subterrânea com uma manobra suave, e quando saímos, o ar fresco do ar-condicionado me envolveu, carregado com o cheiro sutil de limpeza e poder. Ele me guiou pelo elevador privativo, subindo direto para o último andar, onde as portas se abriram para um saguão minimalista e elegante. Eu me sentia pequena ali, mas ao mesmo tempo empoderada – como se, pela primeira vez, eu fizesse parte de algo grandioso. — Bem-vinda ao meu reino diurno — disse Dante, com um sorriso provocador, gesticulando para o espaço amplo. Seus olhos escuros dançavam com diversão, e eu não conseguia ignorar como ele parecia à vontade ali, como um predador em seu habitat natural. Caminhamos até o escritório dele, uma sala enorme com janelas panorâmicas que ofereciam uma vista de tirar o fôlego da cidade abaixo. Mesas de vidro, computadores de última geração, pilhas organizadas de documentos – tudo exalava eficiência e riqueza. Mas meu olhar foi atraído imediatamente para o canto da sala: um sofá-cama discreto, forrado com couro preto macio, posicionado de forma que parecia convidativo demais para um ambiente profissional. Meu estômago se contraiu ao pensar na conversa do jantar anterior, nos números que ele e os irmãos haviam revelado sem pudor. Cem mulheres para Dante. Quantas delas haviam passado por ali? Senti um calor subir pelo meu rosto, uma mistura de curiosidade mórbida e ciúme inexplicável que me deixou inquieta. Por que eu me importava? Ele era só... Dante. Provocativo, charmoso, e agora, de alguma forma, família. Não consegui me conter. Meu coração acelerou, e as palavras saíram antes que eu pudesse filtrá-las. — Você já... pegou alguma mulher nesse sofá? — perguntei, tentando soar casual, mas minha voz traiu o desconforto, saindo mais aguda do que o pretendido. Dante parou no meio do caminho para a mesa, virando-se para mim com uma expressão surpresa. Seus olhos se estreitaram levemente, e por um segundo, ele pareceu travado, como se eu tivesse tocado em algo que ele não esperava. Então, ele riu baixo, passando a mão pelos cabelos castanhos bagunçados, mas havia um traço de tensão ali, algo vulnerável que me fez sentir uma pontada de arrependimento misturada a satisfação. — Sim — admitiu ele, finalmente, com um suspiro resignado. — Algumas secretárias. Mas relaxa, Rhae, o sofá é higienizado toda semana. Profissionalmente. Nada de germes vampíricos ou humanos por aqui. Ele piscou, tentando transformar em piada, mas eu vi o desconforto em seu sorriso. Meu peito apertou – parte de mim se sentia tola por perguntar, mas outra parte fervilhava com uma curiosidade que eu não conseguia ignorar. Ele era assim, sempre flertando, sempre no limite, e imaginar ele com outras mulheres me deixava com um gosto amargo na boca. Por quê? Eu m*l o conhecia. Mas ali, no escritório dele, com a cidade aos nossos pés, tudo parecia mais intenso, mais real. Sentei-me na cadeira em frente à mesa dele, tentando me recompor, enquanto ele se acomodava na sua, ligando o computador com movimentos fluidos. Meu coração ainda batia forte, ecoando as emoções que eu tentava reprimir: atração, insegurança, uma faísca de algo mais profundo que eu não queria nomear. — Você realmente se vê casando e parando com isso tudo? — perguntei, impulsionada por aquela vulnerabilidade momentânea dele. Minha voz saiu suave, mas carregada de genuína curiosidade. Eu me sentia exposta, como se estivesse cutucando uma ferida, mas precisava saber. Dante inclinou a cabeça, os olhos fixos nos meus por um longo momento. Seu sorriso voltou, mas era mais pensativo agora, menos provocador. Ele se recostou na cadeira, cruzando os braços sobre o peito, e eu não pude evitar notar como os músculos se flexionavam sob a camisa. — Não me vejo casando realmente, não — confessou ele, com uma honestidade que me surpreendeu. — Mas gosto de pensar em ter uma família. Sabe, Rhae, eu já estou com idade para ser até tataravô. Imagina? Eu, correndo atrás de netinhos vampirinhos. Ele riu, o som ecoando pela sala, e me cutucou levemente no braço, provocador como sempre. Mas havia um brilho nos olhos dele que me fez rir junto, aliviando a tensão. Meu coração se aqueceu – ele era bom nisso, em transformar momentos pesados em algo leve. Ainda assim, senti uma pontada de tristeza por ele, imaginando séculos de solidão disfarçada de aventuras. — À noite, Lucien vem para cá trabalhar — continuou ele, mudando de assunto com naturalidade, enquanto checava algo no computador. — O resto da noite eu passo ao lado dele. É como um revezamento: eu cuido do dia, ele da noite. Equilíbrio vampírico. — Entendi — respondi, assentindo, mas minha mente ainda girava em torno da conversa anterior. O escritório parecia mais íntimo agora, com o sol filtrando pelas janelas e criando padrões de luz no chão. Senti uma onda de coragem me invadir, misturada a uma curiosidade que queimava no peito. Eu precisava entender mais sobre eles, sobre esse mundo que eu havia escolhido. — Como é o amor para um vampiro? — perguntei, minha voz baixa, quase um sussurro. Meu coração disparou novamente, uma batida ansiosa que ecoava a vulnerabilidade que eu sentia ao mergulhar nesse território. Dante parou o que estava fazendo, virando-se completamente para mim. Seus olhos escuros se tornaram intensos, como se ele estivesse pesando cada palavra. Senti um arrepio percorrer minha espinha – não de medo, mas de uma conexão elétrica que me deixava sem fôlego. — Para um vampiro, o amor é algo prazeroso e doloroso ao mesmo tempo — explicou ele, a voz grave e reflexiva. — É intenso, consome tudo. Mas ser amada profundamente por um vampiro não é algo bom, Rhae. Nós somos possessivos, agressivos quando amamos. Dependendo da recusa... podemos ser perigosos. Então, nunca deseje ser amada profundamente por alguém da minha espécie. Você sofrerá caso seja amada de verdade. Suas palavras me atingiram como um soco, despertando um misto de fascínio e terror no meu peito. Meu estômago se revirou – prazer e dor, possessividade que beirava o perigo. Eu me imaginei no centro disso, e um calor inesperado subiu pelo meu corpo, misturado a um medo genuíno. Mas eu não conseguia parar; precisava saber mais. — Isso seria r**m mesmo se eu escolhesse ser uma vampira? — perguntei, minha voz tremendo levemente, mas carregada de determinação. Meu coração batia descompassado, como se eu estivesse à beira de um abismo. Dante sorriu devagar, mas era um sorriso sombrio, cheio de camadas. Ele se inclinou para frente, os olhos fixos nos meus, e eu senti o ar entre nós se carregar de tensão. — Sim, mesmo assim — respondeu ele. — Mesmo amor, mesma possessividade. Mas o sexo... ah, o sexo é outra coisa. Nossos sentidos ficam mais apurados, tudo é amplificado. Dor, prazer, tudo ao extremo. Ele parou de repente, os olhos se arregalando levemente ao se lembrar de algo. Um rubor subiu pelo meu rosto – ele se lembrou da minha confissão no jantar, da minha inexperiência. Senti um calor intenso me invadir, uma mistura de constrangimento e curiosidade que me deixou sem ar. — Desculpa — murmurou ele, genuinamente arrependido, passando a mão pelo rosto. — Esqueci que você é... virgem. Não quis te constranger. Ri nervosamente, tentando dissipar a tensão, mas meu coração ainda galopava. O escritório parecia menor agora, o sofá no canto uma lembrança silenciosa de suas aventuras passadas. Eu me sentia exposta, vulnerável, mas também viva – como se cada conversa com ele me aproximasse de um fogo que eu não sabia se queria apagar ou alimentar. Dante era perigoso, mas de uma forma que me atraía, e ali, sozinhos no escritório, eu percebia que minha escolha de ser "irmã" talvez não fosse tão simples quanto eu pensava. O resto do dia passou em uma névoa de explicações sobre finanças e tours pelo prédio, mas aquelas palavras ecoavam na minha mente. Amor vampírico: prazeroso, doloroso, possessivo. E eu, no meio de tudo isso, ansiando por mais.
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