CAPÍTULO 179 TAYNÁ NARRANDO A claridade que entrava pela fresta da cortina me fez apertar os olhos. A cabeça ainda girava, leve, meio perdida entre o sono e as lembranças da noite passada. O cheiro dele ainda tava no ar — forte, inconfundível. Mistura de perfume amadeirado com pele quente dele. Quando virei um pouco o rosto, senti o peso do braço do Alemão em volta da minha cintura. O corpo dele colado nas minhas costas, a respiração calma batendo no meu pescoço. Por um segundo, fiquei ali, quieta, sem coragem de me mexer. A lembrança veio como um raio — o beco, o beijo, a moto subindo o morro, o portão abrindo, e depois... a casa. A gente atravessando a sala sem trocar palavra, o olhar dele dizendo tudo o que não precisava ser falado. O resto da noite foi fogo, pele e perda de control

