— Você está atrasada. Foi a primeira coisa que o Sr. Davis me disse quando me viu passar pela porta do café.
— Desculpe, Sr. Davis, isso não vai acontecer de novo. Assegurei, passando por ele para me posicionar atrás da estação de café.
— O que há de errado com você, Allison? Olhe para você. Você está com a mesma roupa de ontem, está pálida, o seu cabelo está uma bagunça, você acha que isso é um café para moradores de rua? Sr. Davis gritou com raiva.
Fechei os olhos por um segundo.
— Você acha que pode vir aqui com os seus olhos abatidos e ficar atrás do bar atendendo os meus clientes, então se um inspetor do departamento federal do trabalho viesse eles pensariam que eu estou abusando dos meus funcionários. Droga Allison, o que dia*bos há de errado com você! Ele exclamou furioso, nunca o tinha visto assim.
— Sinto muito, isso não vai acontecer de novo, eu prometo, mas preciso desse emprego. Implorei, mas, vendo o quão chateado ele estava, duvidei que ele sentiria pena de mim. E eu não faria isso de novo. Hoje eu não tinha chegado drogada, mas tinha chegado atrasada e desalinhada.
— Vá para casa, volte daqui a três dias. O meu chefe me ordenou.
— Como? Perguntei sem entender.
— Esses três dias de ausência serão descontados do seu salário, volte quando o seu rosto recuperar um pouco de cor. E vá ao cabeleireiro, pelo amor de Deus, você está um desastre. Repreendeu antes de se virar para ir ao seu escritório.
Eu não conseguia acreditar, já estava com três dias de salário a menos, odiava a minha existência.
***
Rastejei até o meu apartamento, o meu corpo todo doía, era como se um caminhão tivesse me atropelado, se eu dormisse o suficiente amanhã poderia estar em forma para trabalhar em dois dias, o que significava que hoje eu poderia tomar os meus remédios e tentar me recuperar, e esquecer a minha realidade.
O meu apartamento era um desastre completo, embora na realidade toda a minha vida fosse, eu morava num pequeno apartamento em Lancaster, Wisconsin, tinha que me deslocar para Rochester, Minnesota todos os dias, era uma loucura, três horas de ônibus.
Pensei em me mudar para Rochester, mas não queria encontrar com o meu pai.
Enchi a banheira, enquanto esperava me despi levando comigo a sacola com os meus comprimidos, que estava dentro da mochila, sentei dentro da banheira tomando um dos dois cogumelos alucinógenos, deitei a cabeça perto da torneira, este foi justamente o momento em que eu me odiei, foi a única maneira que consegui ver o rosto da minha mãe de novo, às vezes eu não queria, tentei parar, mas o máximo que consegui durar foram três dias, depois a minha ansiedade voltei novamente e não consegui dormir.
Enquanto o cogumelo fazia efeito eu não pude deixar de chorar, tive muita coisa que não me quebrou assim, a cada dia a dor aumentava, era inevitável, até que o remédio fez efeito e eu não senti mais nada, tudo ficou embaçado e claro, a minha felicidade voltou, pude sentir o meu corpo relaxando sob a água que me cobria, adormecendo.
Nos dois dias seguintes fiquei mais calmo, peguei um ônibus para Rochester Minnesota, queria visitar a minha mãe, comprei algumas flores e fui para o Cemitério Oakwood East, tinha ido uma vez por mês nesses dois anos sem falta. Eu ainda não estava pronto para deixá-la ir, a minha vida tinha virado uma merda por causa dela. Acabei de deixar as flores e não falei nada, ainda estava chateado com ela.
Consegui ir trabalhar duas semanas seguidas sem problemas, mas, os meus remédios já haviam acabado e eu estava começando a sentir uma forte ansiedade, então tive que ir ao bar Katana para conseguir mais.
— O que você está fazendo aqui? Questionou o homem de cabelos pretos do outro lado do bar.
— Os meus medicamentos acabaram. Esclareci, sabendo que ele não gostava que eu fosse ao seu local de trabalho para isso.
— Allison, não vou te vender nada, da última vez que você veio alguns caras tentaram te estuprar, a polícia veio até o bar nos questionar e você quase me expôs, o que dia*bos você estava pensando ficando chapado sozinha no meio de um estacionamento num bar? Nicholas me repreendeu: Preciso que você vá embora. Ele disse sem mais delongas.
— Prometo que não voltarei ao bar, mas preciso dos comprimidos com urgência. Eu cuspi.
Eu comecei a tremer sentada na frente dele, ou pelo menos foi o que senti, passei a mão pelo cabelo tentando controlar a minha frustração enquanto a minha respiração ficava mais pesada, eu estava prestes a perder o controle.
— Ok, espere por mim no lugar de sempre. Nicholas suspirou, desaparecendo na minha frente.
Atravessei o bar até sair de lá para chegar à porta dos fundos do serviço, e Nicholas estava me esperando lá.
— São diferentes, são quatro cogumelos, duas anfetaminas, duas cetaminas e um GHB que é injetável, certifique-se de comprar várias seringas na farmácia, não use as mesmas, jogue fora, não ultrapasse quatro mil miligramas se você não quer morrer. Ele explicou, enquanto estendia a mão para mim com a sacola.
Peguei a sacola e olhei dentro, não porque desconfiasse de Nicholas, mas mais por hábito.
— Meu pagamento. Ele disse imediatamente.
Verifiquei a minha carteira e entreguei-lhe algumas notas. Ele pegou para contá-los e rapidamente colocou no bolso da calça, enquanto se afastava de mim.
— O meu troco! Gritei com ele quando o vi se afastar.
— Fo*da-se, Allison! Ele respondeu.
— Mer*da... Eu solucei.
PONTO DE VISTA Eric Walton
A minha pergunta era: quem dia*bos estava ligando a essa hora? M*al peguei o meu celular para atender a ligação.
— Sim? Perguntei enquanto forçava a minha mente a ficar acordada.
— Senhor. Eric Walton? Perguntou alguém do outro lado da linha.
— Sim, sou eu. Me identifiquei.
— Desculpe o tempo, aqui é a enfermeira Monica Steel. Você conhece a senhorita Allison Foster? Questionou a pessoa atrás da linha.
— Allison Foster? Perguntei meio confuso.
— Sim, ela estava com o seu cartão na carteira, por isso entramos em contato com você, é o único contato que ela tem. Ela explicou.
— Sim, ah, senhorita Foster, como posso ajudá-la? Perguntei enquanto me sentava na cama.
— Senhorita Foster está internada no Mayo Clinic Hospital, campus de Saint Marys, você sabe a localização? Ela perguntou.
— Acho que sim. Eu disse sem saber o que aquela mulher estava tentando me dizer.
— Você pode entrar em contato com algum me*mbro da família imediata ou pode vir? A enfermeira me perguntou.
— Posso saber o que aconteceu? Perguntei.
— Envenenamento por GHB. Ela deixou escapar sem que eu entendesse do que ela estava falando. Apenas o silêncio foi ouvido na linha.
— É um poderoso depressor do sistema nervoso. Ela explicou, notando o meu silêncio na linha.
— Estou indo para aí. Acrescentei enquanto desligava a ligação.
Eu já tinha me vestido e estava descendo o elevador do prédio, teria que dirigir sozinho, não podia ligar para o Hugo a essa hora então resolvi sair no meu carro, entrei no Audi s8 preto que estava parado no estacionamento subterrâneo do prédio, para encontrar aquela garota.
.....
— Boa noite, quero saber em que quarto a senhorita Allison Foster está. Perguntei à enfermeira na recepção.
— É um parente? Perguntou a enfermeira.
— Não. Eu disse.
— Você é marido ou namorado da paciente? Perguntou a enfermeira.
— Não. Eu disse novamente.
— Você é amigo da paciente? Ela me perguntou novamente.
— Não. Repeti novamente.
— Então nesse caso, por que você quer ver o paciente? A enfermeira perguntou um tanto duvidosa.
— Sou um conhecido. Confessei.
— Bem, a médica responsável pelo seu caso está chegando. Anunciou ela, apontando para a mulher que vinha na nossa direção.
— Boa noite, sou o Sr. Erick Walton. Eu disse, estendendo a mão para a mulher à minha frente. Ela era bonita.
— Senhor. Erick W-a-l-t-o-n, de Walton & Walton? Ela perguntou.
— Sim, eu mesmo. Indiquei, olhando para ela, enquanto via como ela ficava nervosa.
— Eu não sabia que você era parente do paciente. Disse a médica, nitidamente surpresa.
— Ele não é minha parente, é uma conhecida. Proclamou a enfermeira do outro lado da estação, cuja mera presença no local eu havia esquecido.
— Você pode me acompanhar ao meu consultório? Preciso lhe contar algumas coisas sobre a paciente. A médica disse, com uma cara preocupada.