Gustavo completamente indignado com a situação, se aproximou ainda mais de onde o seu irmão torturava o homem, que estava tão ferido, que não conseguia sequer abrir os olhos, mas para surpresa de todos, Heitor tem uma crise de riso enquanto marca mais uma vez o corpo do homem com ferro quente. Ignorando completamente o irmão disse.
— Você não entendeu? Quero que pare com isso agora mesmo. Não faço ideia do que está acontecendo aqui, mas você não tem direito, na verdade, ninguém, de tratar um ser humano dessa forma. O avô morreria de desgosto só de pensar que um dos seus homens, que ele estimava tanto, estaria em uma situação dessa, causada ainda mais, por seu próprio neto. — Gustavo alfinetou, tentando chamar atenção.
— Quem é você mesmo para falar qualquer coisa aqui? Aceite. O nosso avô deixou tudo para mim. Cada grão de areia desse lugar e tudo que há nele, isso inclui os funcionários. Você não tem nada aqui. Não é nada. Quer dizer, nunca foi, não é? Agora volte para o buraco que saiu e não incomode mais ninguém. A sua existência apenas atrapalha a todos aqui. Não percebe? Nem o nosso avô te queria por perto, nem mesmo na morte. E ainda tem coragem de falar algo usando o nome dele. Você deveria ter vergonha na cara. Um desgosto enorme para família, acha que tem moral para me dar sermão. — Heitor gargalhava entre uma planta e outra. Se divertindo com o que Gustavo dizia.
— Você é burro ou sonso? Talvez os dois. Não consegue entender mesmo nada. Vou repetir mais uma vez. Eu não me importo com essas terras, a herança ou a administração da fazenda. Eu nunca quis isso e não é agora que vou querer. E não questionei em momento algum, o que foi deixou para você, eu realmente não poderia me importar menos, mas a vida dessa pessoa não é sua propriedade e nem de ninguém. Que absurdo é esse? Você não pode agir como se fosse dono de alguém e tratar a pessoa dessa forma desumana. Posso não ter nada aqui. Ainda assim, posso dar a minha vida para proteger todos os funcionários da fazenda Ouro Rubro, porque foi isso que aprendi com o nosso avô nos ensinou desde pequeno. Se não aprendeu, o problema não é meu. — Gustavo aos poucos se aproximava cada vez mais do homem.
Heitor irritado com a audácia de Gustavo de ir contra ele. Partiu para cima dele. Ambos trocaram alguns socos, mas o piloto, era faixa preta em várias artes marciais, fazendo com que o seu irmão não tivesse nenhuma chance contra ele. Percebendo isso, Heitor decidiu tentar solucionar aquela disputa de outra forma.
— Será que você será tão homem agora? — Heitor apontou uma arma na direção do seu irmão com um sorriso enorme nos lábios, imaginando que Gustavo jamais iria reagir. — Talvez você tenha vivido muito mais do que deveria. A sua existência apenas é um grande estorvo para todos. Vamos acabar com isso agora mesmo. Você nunca deveria ter voltado para essas terras. Não é bem-vindo e nunca mais será. Irei garantir isso. Afinal, tudo aqui é meu.
— Você não mudou nada. Continua o mesmo covarde que era quando criança. Um mimado que não conhece limites ou respeita o próximo. Passei tanto tempo fora que tinha esquecido a razão de não suportar a sua presença. — Gustavo não podia acreditar que aquele homem era seu irmão, indignado chutou a mão que segurava a arma, fazendo com que ela caísse ao seu lado. Sem pensar duas vezes, apanhou e apontou na direção dele. — Você é uma enorme decepção. Fico feliz que o vovô nunca descobriu o tipo de ser humano era seu neto.
Gustavo se aproximou do homem, enquanto uma da suas mãos apontava para seu irmão, a outra desatava a corda que prendia o funcionário que havia sido o estopim daquele confronto entre irmãos.
— Você vai se arrepender do que acabou de fazer. Farei da sua vida um inferno sem tamanho. — Heitor ameaçou ao ver o funcionário subindo no cavalo de Gustavo.
— Eu já tive a minha cota de arrependimentos. E depois do vovô, eu aprendi algo importante, nunca deixe nada para amanhã. Ele pode não existir. — Gustavo respondeu enquanto subia no cavalo. — Se eu fosse você, não iniciaria uma guerra comigo. Sabe muito bem que não é capaz de me vencer em nada. Sempre foi assim e sempre será.
Gustavo pensou em jogar a arma para seu irmão, mas desistiu, conhecendo o tipo de pessoa covarde que era, tinha certeza que o seu irmão iria atirar nas suas costas. Decidiu que faria um fim aquela arma, depois de deixar o homem no hospital.
Após deixar o funcionário aos cuidados dos médicos. Voltou ao meio da mata, tirou a sua camisa, enrolou na arma e a enterrou de perto de um lugar repleto de lembranças boas para ele. Com a arma escondida, voltou para a fazenda, precisava tentar impedir o seu irmão. O seu plano era conversar com a sua mãe.
— Mãe, precisamos conversar sobre o Heitor. Ele está completamente fora dos limites. Você não faz ideia do que vi ele fazendo na mata. — Gustavo ao encontrar a sua mãe no jardim da casa caminhando.
— Limites? Quem realmente passou dos limites. Ele ou você? — Lorena surpreendeu Gustavo com aquela atitude.
— Mãe, o que você quer dizer? — Gustavo deu um passo para trás completamente confuso. Era nítida a hostilidade da sua mãe. Ele só não sabia desde quando existia ou a razão. — O que está acontecendo aqui? Por que está me tratando dessa forma hostil?
— É a verdade. Quando você quis, foi embora e não olhou para trás. Deixando toda a responsabilidade da fazenda e da empresa para seu irmão, sem pensar duas vezes, escolheu o seu maldito sonho. Gustavo, você abandonou a sua família. Agora quer voltar, como se nada tivesse acontecido e querer meter o dedo onde não é chamado? A única pessoa inconveniente e que está passando dos limites aqui é você. Heitor foi nomeado administrador da fazenda. Ele vai comandar da forma que achar melhor. Você não pode questionar os seus métodos. O seu avô escolheu ele. Confiava nele. Agora para de criar mais problemas e volte de onde veio. Desde que chegou só trouxe problema para a família. Faça como da última vez, apenas arrume as suas malas e volte para onde estava. Não se preocupe que cuidaremos bem o legado do seu avô, como já vínhamos fazendo a muito tempo. — o semblante de Lorena não escondia o desgosto de está falando com Gustavo naquele momento.
— Não sei o que está acontecendo ou a razão dessa mudança de atitude em relação a mim, mas saiba que não me importo quem seja o dono dessas fazendas, não permitirei que algo com tantos anos de suor do meu avô acabe sendo destruídos por pessoas que não valorizam a vida humana. Se você não vai parar Heitor, eu irei. — Gustavo estava completamente decidido. Conversar com a sua mãe deixou ele ainda mais certo sobre isso. Não havia nada a perder.
— Eu entendi certo? Você está ameaçando a mim e a nossa família? Entrará em guerra com toda a sua família? Apenas por discordar dos métodos do seu irmão? — Lorena olhou nos olhos do filho. Sabia que ele nunca teve interesse na herança.
— Sim, eu estou. O meu avô me ensinou que se alguém que você ama está fazendo algo errado e não consegue enxergar o erro, você tem que esfregar na sua casa ou os de fora farão isso para o benefício deles. Se for preciso iniciar uma guerra, farei isso. Irei proteger o nome da nossa família antes que vocês joguem tudo na lama. — Gustavo estava irritado. A sua mãe parecia uma pessoa completamente diferente, uma estranha. E ele estava decidido a descobrir a razão daquela mudança.
— Então, que seja. Você vai de arrepender amargamente da escolha que fez. Deveria ter voltado para capital ou o exterior. Todos sabem, até mesmo você, que o seu lugar não é aqui. Juro, não irei facilitar. — Lorena continuava espalhando ameaças.
— Bom dia! Licença. — Um policial seguido de mais três, se aproximou deles dois. — Viemos aqui para levar o senhor Gustavo Lima para prestar depoimento na delegacia, em virtude de uma denúncia grave.
— Que denuncia, senhor policial? — Gustavo olhou surpreso.
— A tentativa de homicídio do senhor Heitor Lima, seu irmão. A denuncia foi feita por ele próprio. Você precisa me acompanhar para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido. — O polícia se aproximou com uma algema na sua mão.
— Espera! Há um engano. Não foi isso que aconteceu. Muito pelo contrário. Eu... — Gustavo tentava explicar aquele grande m*l-entendido.
— Não há nenhuma confusão. Houve uma denuncia. Fizeram corpo de delito. Você deve prestar esclarecimento na delegacia. Peço que colabore e nos siga, para que não seja necessário agir de forma violenta. — O policial explicou parecendo irritado por está sendo contrariado.
— Gustavo, você sempre traz vergonha para nossa família. Não permitirei mais que suje o nome da família Lima. Você está proibido de colocar os pés nesse lugar, em toda a fazenda e na empresa. A partir de hoje, você não faz mais parte da nossa família. Espero nunca mais ter que ver o seu rosto. — Lorena disse antes de virar as costas para seu filho e caminhar em direção da casa.
— Mãe, as máscaras de todos vocês caíram. Agora sei exatamente com o que estou lidando. Espero que saibam exatamente com quem acabaram de começar uma guerra. Não ficarei em paz até mostrar a todos quem vocês realmente são. — Gustavo gritou enquanto era arrastado por dois polícias para dentro da viatura.
Os funcionários da fazenda assistiram ele ser levado para delegacia surpresos. Sabiam no fundo que grandes mudanças aconteceriam, mas nunca imaginaram que um dos netos acabaria sendo proibido de frequentar a fazenda.
Gustavo chegou na delegacia, sem direito a se defender ou chamar um advogado, foi jogado em uma cela. O cheiro de urina que tomava conta do lugar era tão forte que a suas narinas ardiam. Havia apenas uma pequena janela, que m*l conseguia entrar a luz. Sentado ali, confuso com tudo que aconteceu, tentou montar o quebra-cabeça. Sabia que havia algo muito suspeito. Não apenas o seu irmão estava passando dos limites sem qualquer preocupação, como a sua mãe demonstrava hostilidade sem razão aparente.
— Como as coisas chegaram nessa situação? — Gustavo pensou alto. Ele queria investigar o que havia acontecido, mas precisava sair daquele lugar sujo antes. — E como vou sair daqui?
— Hey! Levante! Alguém quer conversar com você — o policial gritou enquanto abria a portão da cela, puxando Gustavo como um brinquedo.
Gustavo achou melhor não reagir por enquanto. Era óbvio que a polícia estava do lado de Heitor. Qualquer problema criado, poderia deixar tudo ainda mais complicado. O policial o algemou, antes de levar ele até a sala onde um homem inquieto engravatado esperava por ele
— Você? O que faz aqui? Como soube onde eu estava? — Gustavo não podia acreditar que aquele homem estava sentado bem na sua frente.
— Eu? Tenho as minhas fontes. E estou aqui para pagar uma dívida que tenho com você. — O homem disse antes de acenar para outro homem engravatado — Primeiro, vamos tirar você desse lugar. Afinal, não posso deixar o meu melhor amigo e cunhado em um lugar como esse.